sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

> Editorial do EXPRESSO DE FELGUEIRAS de 20 de Novembro (parte I)

Os pelouros de uma liderança bicéfala

A distribuição de pelouros decidida a semana passada pelo executivo municipal não constituiu qualquer surpresa, porquanto evidencia o que se sabe há muito: Inácio Ribeiro e João Sousa são, sob ponto de vista político, os dois pilares mais fortes desta nova equipa camarária.

Pelos pelouros que cada um chamou a si, nestes dois quadros assentará o capital maior de decisão executiva e política da autarquia felgueirense nos próximos quatro anos.

Vistas as coisas no plano executivo, Inácio Ribeiro foi igual a si próprio nas escolhas: determinado, rigoroso e nada receoso de assumir pelouros exigentes como as finanças, o ordenamento do território e urbanismo. O presidente da Câmara fê-lo num gesto que deve ser entendido, também no plano interno, como um sinal de pragmatismo e lucidez no campo da gestão de expectativas dos que o rodeiam, porque Inácio Ribeiro bem sabe que são áreas basilares numa boa gestão e que, por isso, não devem sair nunca da área de decisão directa do chefe da equipa.

Nestes domínios exige-se visão de conjunto e, mais do que qualquer outra coisa, capacidade de decisão em tempo útil.

Nas finanças, das quais dependem todo o funcionamento da edilidade, impõe-se que haja uma percepção clara e abrangente do que se quer no futuro, traçando-se com a antecedência necessária os caminhos para alcançar os objectivos. Inácio Ribeiro, economista de formação, reúne essas capacidades, como foi capaz de o provar no período em que foi presidente da Associação Empresarial de Felgueiras.

Para o urbanismo e ordenamento do território, também se reclama a capacidade de se perceber o que é essencial em detrimento do acessório, aliando-se isso a um sentido de liderança natural. Sabe-se que Inácio Ribeiro tem uma visão ambiciosa do que deve ser a Felgueiras do futuro nestas matérias, mas já assumiu que para alcançar alguns propósitos em matéria de ordenamento vai ter de ser objectivo nas opções, olhando exclusivamente para os interesses do colectivo felgueirense em prejuízo de uma panóplia de interesses que em regra gravitam nas autarquias.

João Sousa também com pelouros decisivos

Para o vice-líder João Sousa, que é também o presidente do PSD local, ficaram reservadas outras pastas importantíssimas, nomeadamente duas que têm peso político directo e indirecto.

A primeira, com incontornável alcance político, prende-se com a gestão da relação com as juntas de freguesia, área em que João Sousa deverá sentir-se confortável, atenta a relação de proximidade que manteve enquanto líder com a maioria dos autarcas eleitos pelo PSD.

Há, a propósito, alguma expectativa em saber de que modo João Sousa vai gerir a sua relação, enquanto vereador, com três presidentes de Junta eleitos em 2005 pelo PSD e que em 2009 foram candidatos pelo Movimento Sempre Presente.

No anterior mandato, quando o PSD era oposição, foram difíceis as relações políticas do líder do partido com os autarcas de Unhão, Regilde e Idães, devido ao alinhamento destes com as posições políticas da equipa de Fátima Felgueiras. Imagina-se agora, com o PSD no poder, que os referidos autarcas, com a camisola do MSP, tenham acrescidas dificuldades.

Não obstante, em sentido genérico, na relação com as juntas, da Câmara espera-se uma política assente em parcerias, que faça jus às promessas eleitorais de maior proximidade com as juntas de freguesia,,sobretudo as que têm relevado maior capacidade executiva.

O concelho precisa muito daquelas autarquias, porque estas, se mobilizadas e motivadas, serão parceiro essencial da Câmara no processo de mudança que se espera para a nossa terra. João Sousa sabe disso e vai com certeza corresponder com uma política descentralizadora de recursos e competências, catalisando as energias intrínsecas da maioria dos nossos presidentes de junta .

"Vice" com a “batata quente” dos preços da água e do lixo

A segunda área importantíssima na esfera do vice-presidente é a ligada à água e aos resíduos, sectores que esta câmara quer privilegiar para dar resposta às promessas eleitorais mais emblemáticas. Honrar os compromissos nestes sectores é conquistar uma confiança acrescida do eleitorado.

Entretanto, ao chamar a si o pelouro da Educação, João Sousa, professor de formação, estará bem posicionado para corresponder às necessidades efectivas deste sector no concelho, num período em que a autarquias são cada vez mais chamadas a desempenhar um papel determinante. Dotar os novos centros escolares da operacionalidade desejada, a contento de pais, alunos e professores, será uma tarefa exigente que o jovem vice-presidente, com a capacidade de organização que lhe é reconhecida, há-de conseguir levar a bom porto.

Para Carla Meireles, ficam as pastas ditas sociais, nomeadamente, a coesão social, habitação e cultura. A jovem vereadora, devido à sua formação académica e experiência profissional, deverá também sentir-se confortável nestas matérias, sobretudo nas duas primeiras. A Carla Meireles, pontualmente em articulação com os titulares de outros pelouros, estará confiada a tarefa de promover as medidas de apoio social anunciadas em campanha direccionadas aos jovens e aos idosos.

Quanto à cultura, não deverá ser difícil a Carla Meireles fazer mais do que herdou do anterior executivo, ou seja, quase nada. Espera-se da jovem vereadora um impulso na área da cultura, potenciando nomeadamente as valências do equipamento da Casa das Artes, cuja execução está na recta final.

Para o quarto eleito, Eduardo Teixeira, ficaram vários pelouros, o mais importante dos quais o Desporto. Neste, espera-se que a autarquia revele uma abertura maior do que a manifestada pela gestão de Fátima Felgueiras.

Eduardo Teixeira, homem habituado ao dirigismo desportivo e que conhece grande parte das figuras que estão à frente dos clubes, será por certo sensível às necessidades dos clubes, reservando para estes os apoios de que são credores, em nome de uma política desportiva para todos e não apenas para umas quantas elites. Uma política que aposte no apoio aos felgueirenses que praticam desporto, adoptando uma maior acessibilidade destes aos equipamentos municipais (...).

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Sim, também a Mafalda...

Pois, faltava a grande Mafalda... aqui em dueto com o Jorge Palma.
Ouvir Mafalda é sempre um prazer renovado, quase um bálsamo... Sim, despidos da poluição sonora que nos cercara durante o dia, à noite, fechamos a porta, deixamos ressoar, profundas, as Monitor Audio, e com o timbre sereno desta voz feminina deixamo-nos ir até onde a nossa sensibilidade quiser...




A Rita é incontornável... sem dúvida...

E a Rita Guerra... Adoro a sua voz quente!
A sonoridade das suas cabções é deliciosa... Experimentem ouvir alguns dos seus CD`s.





E a música do Jorge Palma também

Do João para o Jorge... Outro grande músico/compositor.
Gosto muito desta canção...

No cantinho da música Lusa, o João Pedro Pais...

Sim, gosto muito de música... De vários tipos de música...


Às vezes, no meu cantinho, cá em casa, ouço música lusa.

João Pedro Pais é um dos meus preferidos... Há outros e outras, mas esta noite escolhi o João e esta "Um Resto de tudo". Tem tudo a ver com o estado de espírito após um dia chuvoso, muito cinzento...

Nesta canção, é curiosa a forma simples como o João diz coisas tão fortes. As melodias remetem-nos para o sonho e as letras, quase singelas, convidam-nos a repetidas e deliciosas audições...




Salão Nobre dos Paços do Concelho de Felgueiras é exíguo

Por estes dias, assisti a algumas cerimónias de tomada de posse dos órgãos autárquicos em vários concelhos.


Em todos – uns mais do que noutros – era grande o número de pessoas que assistia ao ritual das assinaturas, leitura dos compromissos de honra e os incontornáveis discursos dos eleitos empossados.

Mas, em mais nenhum lugar se percebeu que o salão nobre era demasiado pequeno para acolher os que queriam assistir à cerimónia.

Dos municípios que decidiram nos últimos mandatos ampliar as suas instalações, Felgueiras foi onde essa intervenção se revelou menos eficaz.

Ao contrário do que se passa noutros paços do concelho recentes, como Lousada, Paredes ou Paços de Ferreira, o espaço disponibilizado, nomeadamente no salão nobre de Felgueiras, é exíguo.

Não se percebe, mais uma vez, como foi possível ao anterior executivo ter mantido a teimosia de avançar com uma obra que, mesmo absorvendo mais de dois milhões de euros, objectivamente, não resolveu uma questão de fundo.

Alternância e compromisso

EDITORIAL DA EDIÇÃO 88 DO EXPRESSO DE FELGUEIRAS, 30 DE OUTUBRO DE 2009


A passada quarta-feira, 28 de Outubro, ficará para a história do concelho de Felgueiras como o dia em que tomou posse o primeiro executivo municipal de matriz não socialista.

Este pormenor revela-se importante, embora, em minha opinião, não pela carga ideológica intrínseca, porque essa é pouco relevante quando em causa está uma governação municipal.

A importância maior reside no carácter de alternância no poder, um valor que concorre para a boa saúde do exercício da gestão política do município, mas que em Felgueiras, ao contrário da maioria dos concelhos vizinhos, só ocorreu mais de três décadas após a instituição do poder local democrático em Portugal.

Por alternância entenda-se mudança de protagonistas e políticas, um processo que se traduza na implementação de novas ideias, novos conceitos, métodos de trabalho diferenciados e, sobretudo, maior ambição.

Como em todas as organizações, sejam elas de que tipo forem, como em cada um de nós, é saudável a introdução ou assumpção de mudanças, que se traduzam em novos e estimulantes desafios e que, assim, colmatem o efeito nefasto de uma certa acomodação.

Por isso defendi, em editorial, na edição que antecedeu as eleições, que urgia a mudança. Fi-lo, de forma convicta, por entender que a nossa terra tinha muito a ganhar com uma mudança de protagonistas na gestão autárquica.

Com o fim de um ciclo político, em Felgueiras todos esperamos agora que a simples mudança para protagonistas de uma nova geração represente um elemento catalisador de toda uma máquina municipal – poder político e funcionários - que há muito acusava sinais de apatia, um certo desânimo e, não raras vezes, tiques de sobranceria perante os munícipes.

Que os novos protagonistas saibam impor de forma natural entre os funcionários da autarquia um novo ritmo de trabalho e uma melhor organização, com base em factores de motivação acrescida que premeiem o mérito e a excelência em detrimento de seguidismos de lógica partidária.

É lugar comum dizer-se que a mudança é quase sempre positiva. Cumulativamente, percebe-se isso quando se ouve os felgueirenses comentar em sentido positivo a viragem eleitoral que ocorreu a 11 de Outubro.

Inácio Ribeiro e a sua equipa gozam hoje de um notável estado de graça entre a maioria dos munícipes. Há um evidente capital de esperança nos novos protagonistas.

Mas essa é uma enorme responsabilidade que pende sobre os ombros do novo presidente.

Os que conhecem Inácio Ribeiro qualificam-no como um homem trabalhador e tecnicamente habilitado para as funções a que foi chamado.

O novo presidente não deverá nunca perder aquele que foi e é um património consolidado durante o período eleitoral junto dos felgueirenses: a sua humildade aliada a um vincado sentido prático.

Para bem de Felgueiras, espera-se que o novo edil não seja acometido de tiques e vícios que afectam muitas vezes os que chegam ao poder.

Que o novo presidente de todos os felgueirenses não se deixe seduzir pelo conforto dos gabinetes e pelo glamour que o contacto com as altas esferas do poder sempre proporcionam.

As origens simples deverão ser a garantia de que nunca perderá a sua sensibilidade inata para as questões que preocupam os mais humildes dos munícipes, as mais pequenas das associações ou as juntas de freguesia, primeiro pilar do poder local.

Inácio Ribeiro deverá ser o rosto de um novo modelo de governação, mais próximo dos cidadãos, mais atento ao fervilhar da sociedade civil.

Deverá ser, no sentido figurado, “o homem do leme” num mar recheado de perigos, apontando caminhos de esperança, não apenas com discursos, mas com gestos e atitudes substantivas que galvanizem a alma felgueirense.

Mais do que anúncios de obras grandiosas, assentes numa máquina de promoção pessoal que fez escola no executivo anterior, os felgueirenses esperam que o novo elenco municipal faça jus ao epíteto que serviu de base eleitoral: Nova Esperança.

Esperamos todos que Inácio Ribeiro como presidente seja o rosto de uma nova esperança para os mais humildes e sinónimo de merecidos apoios às associações culturais e clubes desportivos, uma nova e equitativa atitude para com as juntas de freguesia, sendo inequívoco que, se tal ocorrer, uma nova dinâmica e uma onda de optimismo, uma acrescida auto-estima, vão emergir no concelho, com vantagens para todos os que, como nós, acreditam num futuro melhor e nas capacidades colectivas da nossa terra.

Uma gestão municipal moderna tem de ser sensível às preocupações dos que nela confiaram o seu voto, procurando aliviar-lhes a sobrecarga de taxas e proporcionado-lhes novos e melhores serviços/infra-estruturas em diferentes áreas.

Em Felgueiras, como diz o presidente, “há gente séria, simples e trabalhadora”, mas esta vai reclamar o cumprimento de promessas eleitorais, como o abaixamento do preço da água, das taxas de recolha do lixo e os novos apoios aos idosos e jovens, entre outras medidas.

Os munícipes acreditam que Inácio Ribeiro honrará os seus compromissos, mas devem ter a paciência de saber que o novo executivo não poderá mudar tudo da noite para o dia, sendo credor de um natural período de adaptação. A nova câmara não poderá romper, num ápice, com procedimentos, métodos e compromissos que herda do anterior executivo.

Temos todos o dever de esperar um tempo razoável, assim como todos teremos o direito e a obrigação de reclamar caso os políticos que agora nos governam não cumpram o que prometeram.

A democracia é assim mesmo: um contrato de confiança entre governantes e governados.

Se Inácio Ribeiro for, como presidente da Câmara, para bem da nossa terra - o que todos esperamos - será com certeza credor do reconhecimento dos felgueirenses.

Caso contrário, a democracia, no momento certo, voltará a fazer-se ouvir.

Ganhou uma nova esperança

EDITORIAL DA EDIÇÃO 89 DO EXPRESSO DE FELGUEIRAS, 16 DE OUTUBRO DE 2009


A noite do dia 11 de Outubro de 2009 há-de ficar na memória colectiva da nossa terra como o momento em que milhares de felgueirenses festejaram, nas ruas, o fim de um período de governação do concelho que a história um dia julgará.

Influenciado pelas polémicas do saco azul, o país mediático julgara, no passado, todos os felgueirenses pela mesma bitola. No domingo, o concelho provou que o estigma que nos quiseram impor era injusto.

Numa noite quente de Outono, foi como uma explosão que irrompeu logo que foram conhecidos os primeiros resultados das eleições autárquicas que apontavam, sem margem para dúvidas, para o que muitos consideravam uma enorme surpresa e outros um feito com laivos miraculosos: a derrota de Fátima Felgueiras.

Sim, porque, mais do que a vitória da Nova Esperança (PSD/CDS), muitos saíram à rua para festejar a derrota da mediática autarca que esteva à frente dos destinos de Felgueiras desde 1995.

Milhares - a maioria do PSD, muitos do CDS e outros anónimos - não cabiam em si de contentamento.

“O novo 25 de Abril em Felgueiras”

Empunhando uma bandeira laranja, um idoso, sorridente, por entre a multidão, segurou-me num braço e disse a todos os pulmões: “amigo, este é o 25 de Abril que muitos felgueirenses esperavam”.

Descontado, em momento de euforia, o exagero da expressão, percebi, porém, o que o homem, talvez, queria dizer. Talvez se referisse ao fim de um certo estilo de governação, fechado sobre si próprio, encarnado por uma política idolatrada por muitos, que alguns julgavam imbatível, mas censurada agora nas urnas.

Nessa noite, a presidente, ao reconhecer que havia perdido as eleições e ao felicitar o vencedor, quando ainda faltavam apurar várias freguesias, revelou a humildade que lhe faltou em todo o mandato e que esteve na base, estou certo, da sua estrondosa derrota.

A queda

Ao ver as suas aspirações políticas desmoronarem-se nessa noite, a edil acabou por sair, politicamente falando, pela porta pequena.

As televisões de Portugal mostraram nessa noite uma autarca que não teve a lucidez de perceber, em tempo útil, que o seu estilo de governação a estava a empurrar politicamente para o abismo.

Nova Esperança

Mas há que dar o mérito aos grandes vencedores da noite: a Nova Esperança.

Independentemente da camisola partidária de cada leitor, reconheça-se que a coligação PSD/CDS protagonizou uma campanha afirmativa no conteúdo e na forma, sempre crescendo em mobilização e entusiasmo, com o epílogo na multidão com que encerrou a campanha na sexta-feira à noite.

Afirmativa no conteúdo, porque privilegiou a crítica incisiva, mas baseada em factos concretos, a Fátima Felgueiras, mesclando o seu discurso com propostas que iam de encontro aos anseios dos felgueirenses.

Afirmativa na forma, porque demonstrou sempre uma imagem jovem e dinâmica, consubstanciada no seu material de campanha, procurando inteligentemente cativar os novos eleitores e as famílias, o que efectivamente veio a conseguir.

Partido Socialista

Uma nota ainda para o Partido Socialista. Os resultados dizem que o PS perdeu, mas entendo que os felgueirenses que desejavam a mudança, nomeadamente os que preferiram a Nova Esperança, também devem estar reconhecidos aos socialistas de Felgueiras, em especial ao seu candidato, Eduardo Bragança, pela forma corajosa e coerente como, desde que tomou posse como líder do PS, há três anos e meio, se empenhou no combate político a Fátima Felgueiras e ao seu movimento.

Referência elogiosa ainda para os pequenos partidos que, com parcos recursos, se bateram também pela mudança na nossa terra.

Inácio Ribeiro surpreendeu

Para o novo presidente, Inácio Ribeiro, o grande vencedor da noite, uma palavra final:

Trata-se de um homem que surpreendeu todos pela forma inteligente como conseguiu conciliar o seu ar aparentemente sisudo com uma capacidade invulgar de criar empatia junto dos felgueirenses, sobretudo entre os jovens e as mulheres.

A forma genuinamente humilde e afável como se relacionava com os eleitores granjeou-lhe simpatia, criando uma onda que, estou certo, se traduziu em muitos milhares de votos.

Luva branca

Inácio Ribeiro também deu uma ruidosa “bofetada de luva branca” aos que, há alguns meses, quando foi anunciada a sua candidatura, quais homens do leme sem caravela, logo se apressaram a vaticinar que estava condenado à derrota, porque “não era suficientemente conhecido”.

Mas, nos últimos dias de campanha, porque despontava a mudança, alguns, envergonhados, como que despontando do nevoeiro, apareceram nas iniciativas da Nova Esperança com um ar comprometido, quase pedindo desculpa por tanta incoerência.

Esses, incluindo alguns laranjas do passado, nos últimos tempos rendidos ao canto da sereia, tiveram no domingo à noite de engolir um enorme elefante!

Desses não rezará a história, porque esses, ao contrário do “desconhecido” Inácio Ribeiro, não lograram chegar a ser presidentes do Município.

Um novo ciclo

Sobre os ombros de Inácio Ribeiro e da sua equipa recaem agora as esperanças de todos os felgueirenses.

As eleições já passaram e, cores partidárias à parte, há que desejar ao novo presidente de todos os felgueirenses muita sorte e muita força para que a Nova Esperança não se esgote num slogan, que se abra, de facto, a um novo ciclo, a um período mais profícuo para o concelho, a um período em que todos, sem receios de ser olhados de soslaio, possamos participar no desenvolvimento de Felgueiras.

Urge a mudança

EDITORIAL DA EDIÇÃO 88 DO EXPRESSO DE FELGUEIRAS, 09 DE OUTUBRO DE 2009

Domingo seremos todos chamados a escolher quem vai governar o Município nos próximos quatro anos.


Este é um momento da maior importância para os felgueirenses, porquanto, em nossa opinião, deverá constituir uma viragem no modelo de governação que tem sido experimentado por Fátima Felgueiras.

Votar é um direito, mas, acima de tudo, um dever. Compete a cada cidadão ponderar muito bem em quem votar, sobretudo analisando de forma substantiva, desde logo, o trabalho de quem exerceu o poder nos últimos anos e as alternativas que se desenham no xadrez de candidaturas da oposição.

Fazendo uma retrospectiva do mandato que agora termina, o balanço afigurasse-me claramente negativo.

Fátima Felgueiras liderou uma gestão fechada sobre si mesmo, às vezes zangada com a sociedade civil, tantos foram os conflitos que foi protagonizando com clubes, associações e juntas de freguesia.

Neste mandato sentimos muitas vezes que as pessoas tinham medo de se expressar sobre determinadas matérias. Receavam represálias, não se sabe de quem, mas muitas vezes recusavam falar, recusavam dar a cara.

Felgueiras assistiu nos últimos anos a uma gestão política assente num cunho muito personalizado na sua presidente, incapaz de se assumir como elemento galvanizador do desenvolvimento do concelho, com um discurso fluido, é certo, mas redundante, porque desprovido de uma visão integrada de desenvolvimento na qual nos pudéssemos rever.

Como se ouviu no debate radiofónico desta semana, a presidente da Câmara tem a propensão de julgar que só a sua opinião é válida, que a de todos os demais, nomeadamente os que dela politicamente discordam, não têm preparação, são uns inaptos para o exercício do cargo de presidente de Câmara. “Só dizem asneiras e mentiras”, como a senhora presidente, num registo de pouca humildade, costuma dizer.

À senhora presidente fica-lhe mal nunca reconhecer as fragilidades do concelho que governa, muitas das quais em resultado do seu modelo de gestão municipal.

Muito censurável foi a atitude da candidata quando tentou fazer passar a ideia de que foi totalmente absolvida nos processos judiciais em que é arguida, o que é totalmente falso.

Se é certo que foi absolvida no chamado caso do futebol, já no âmbito do processo mais importante, que ficou conhecido como “saco azul”, a edil foi condenada pelo tribunal de Felgueiras a três anos e três meses de prisão, com pena suspensa. Tão ou mais relevante foi ainda determinado pelo colectivo de juízes a perda de mandato.

Tentar passar a ideia para os felgueirenses, na rádio ou em acções de campanha, a inverdade quanto à sua absolvição total constitui um comportamento que, de tão lamentável, me abstenho de tentar adjectivar.

Por tudo isto, Felgueiras merece alguém, na autarquia, que nos faça acreditar que a nossa terra pode voltar a ser um concelho em que vale a pena acreditar.

No domingo, compete a cada um de nós escolher o presidente de Câmara que julgarmos mais capaz.

“Ousamos” persistir de cabeça erguida, porque também nós somos Felgueiras

EDITORIAL DA EDIÇÃO 87 DO EXPRESSO DE FELGUEIRAS, 2 DE OUTUBRO DE 2009

Arrancou esta semana a campanha para as Eleições Autárquicas, um momento esperado com alguma ansiedade por muitos felgueirenses, tanto os que defendem uma mudança política no concelho, como os que preconizam a continuação do actual poder municipal.


O EXPRESSO DE FELGUEIRAS, em nome dos princípios que sempre nortearam a sua postura editorial, não toma partido por qualquer candidatura.

No entanto, em nome da seriedade intelectual que procuramos acautelar desde a primeira hora, cumpre-nos esclarecer que o EXPRESSO DE FELGUEIRAS assume, de forma explícita, distanciamento face à candidatura de Fátima Felgueiras.

Face ao exposto e porque consideramos muito os nossos leitores e/ou assinantes, entendemos que lhes devemos uma explicação:

O distanciamento nada tem a ver com assumidas discordâncias face ao modelo de governação do Município seguido por Fátima Felgueiras. Esse será julgado pelos felgueirenses, num sentido ou noutro, não interessando para o efeito a opinião do EXPRESSO DE FELGUEIRAS ou a do seu director.



O distanciamento decorre de duas situações muito concretas:



1ª Neste mandato, a presidente da Câmara evidenciou inúmeras vezes comportamentos hostis para com os jornalistas, não se escusando a tecer, recorrentemente, observações críticas para com os profissionais da comunicação social, neles causando um enorme desconforto. Independentemente da condenável generalização que quase sempre fez quando se referia à nossa classe profissional, pior do que isso, foi a forma sobranceira como olhou para os jornalistas, em especial os que trabalham nos órgãos regionais, que foram confrontados com mil e um obstáculos para acederem às informações do Município de Felgueiras.

Os vereadores no actual executivo municipal - João Garção, Horácio Reis e Bruno Carvalho – bem sabem quanto o EXPRESSO DE FELGUEIRAS, através da minha pessoa, até um determinado período, procurou através deles aceder às informações do Município, num esforço genuíno para obviar a indisponibilidade de Fátima Felgueiras.

Por tudo isto, é surpreendente (por aqui se fica a adjectivação) o repentino interesse da candidatura de Fátima Felgueiras na cobertura, pelo EXPRESSO DE FELGUEIRAS, dos eventos de campanha por si promovidos, esquecendo-se que ao longo destes anos hostilizou de diferentes formas o nosso jornal.





2ª Neste mandato, a Câmara de Felgueiras, contrariando o que é normal nos concelhos vizinhos, adoptou uma postura lamentável face a alguns órgãos de comunicação social do concelho, com excepção da rádio local, que foi acarinhando, numa flagrante demonstração de discriminação para com o nosso jornal.

Quanto a nós, EXPRESSO DE FELGUEIRAS, por razões que só a senhora presidente saberá explicar, a autarquia deixou, há muito tempo, de solicitar a publicação de anúncios relativos às actividades do Município e mesmo os editais e avisos de publicação obrigatória.

Nalguns casos, num comportamento que, por uma questão de contenção verbal, nos abstemos de qualificar, estes anúncios da Câmara de Felgueiras passaram a ser publicados em jornais doutros concelhos, nomeadamente em Lousada!!! Temos provas físicas disso.

Ao fazê-lo, a presidente da Câmara bem sabia que estava a cercear um dos jornais da terra de uma receita importante para sua sobrevivência, tanto mais num momento de crise económica generalizada em que a publicidade comercial começou a escassear.

Ao fazê-lo, a senhora presidente bem devia prever que estava a causar em toda a equipa redactorial que produz o jornal, a maioria constituída por jovens em início de carreira, uma indignação que deixou marcas profundas.

Ao fazê-lo, Fátima Felgueiras bem sabia que estava indirectamente a contribuir para que os jornais deixassem de ter meios financeiros para poderem cumprir a sua missão de serviço público, informando os felgueirenses do que se ia passando na sua terra.

É oportuno que os felgueirenses saibam que este comportamento da presidente do Município é singular na região. Noutros concelhos à volta de Felgueiras, os jornais da terra são acarinhados pelas câmaras municipais, porque os autarcas são os primeiros a reconhecer na imprensa regional um papel incontornável na informação dos munícipes.

Para mal dos jornais de Felgueiras e dos que lá laboram, Fátima Felgueiras pensa de forma diferente. Tem preferido centrar todos os esforços num boletim municipal que custa muito dinheiro ao erário público, ao mesmo tempo que outros recursos financeiros são libertados para a promoção do concelho noutros órgãos de informação nacional e a proliferação de outdoors em todo o concelho.

Em jeito de caricatura, alguém dizia por estes dias cá na casa que a senhora presidente da Câmara devia agora, em tempo de campanha e quando mais precisa dos jornais da terra, mandar publicar a notícias nos ditos outdoors ou nos jornais dos outros concelhos para onde foi encaminhando os anúncios durante este seu mandato.

Por tudo isto, compreenderão os nossos leitores que o EXPRESSO DE FELGUEIRAS não reúna os meios suficientes para acompanhar as actividades do Município, mormente neste momento pré-eleitoral, no qual a Câmara se desdobra em acções que poderiam ser credoras de melhor cobertura jornalística e que, porventura, tanto jeito fariam para os propósitos eleitorais da presidente da Câmara.

Não estar submetidos aos ditames de determinados poderes que convivem mal com o pluralismo tem custos elevadíssimos. Nós pagámos bem caro esse posicionamento, mas, como diz Fátima Felgueiras, “ousamos” sobreviver de cabeça erguida, porque também nós somos Felgueiras.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Prometo voltar em breve!

É certo que há muitos meses não edito este meu cantinho. Até parece mal, dirão...
Mas compreenderão que o tempo é pouco num período que tem sido particularmente exigente sob ponto de vista profissional, com a minha empresa, os meus jornais e a agência Lusa... como saberão muitos dos meus amigos.
Continuo, porém, atento ao "passar da caravana" e prometo voltar um dia destes com algumas novidades: textos, análises críticas, fotos e vídeos que vou fazendo por aí...

quarta-feira, 23 de Julho de 2008

> Cavaco e Marcelo... dialogam...


Conversa com uma sinalética curiosa, entre Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa em Celorico de Basto.
O que estaria o Presidente da República a dizer a Marcelo, com expressão tão intensa, perante o olhar atento da primeira-dama e a aparente indiferença do autarca local, Albertino Mota e Silva?

> Corridas de cavalos > um espectáculo muito intenso




terça-feira, 22 de Julho de 2008

> Seixoso luxuriante...

Em pleno Verão, felizmente, não se tem falado muito de incêndios florestais, apesar do calor intenso que se tem feito sentir nestas paragens.

Há algumas semanas participei numa caminhada na zona da Lixa. Tive então oportunidade de conhecer esta extraordinária mata do Seixoso.

Fique encantado, tão bonita ela é, sempre com um cheiro intenso a bosque, predominando no reino dos aromas silvestres o pinho e o eucalipto, este sempre muito intenso...

... Por instantes, pensei que estaria no Buçaco, mas não, estava aqui bem perto... no Seixoso, algures numa clareira luxuriante.

Passei também no antigo sanatório onde outrora se tratavam doenças respiratórias. Já tinha ouvido falar mas nunca estivera perto daqueles edifícios. Também registei a imagem da casa principal, com uma linha arquitectónica muito interessante. Pena é o seu estado algo degradado...





> Parque Urbano de Celorico ampliado > Vale a pena visitá-lo







A Câmara de Celorico de Basto realizou uma ampliação ao parque urbano da Vila junto ao rio Freixieiro. O equipamento foi inaugura pelo Presidente da República, Cavaco Silva.
Cá está mais uma obra muito bem conseguida, com uma qualidade extraordinária.
Foram recuperados moinhos e outras antigas habitações ligadas à actividade agrícola. O espaço estende-se ao longo do rio, com áreas relvadas e equipamentos de lazer para crianças, além de zonas preparadas para merendas.
Este parque urbano é dos mais bonitos e completos que conheço na região.
Recomendo vivamente uma visita, sobretudo para quem aprecia momentos tranquilos junto da natureza.


> Pôr do sol púrpura em Felgueiras...


Imagem de um final de tarde urbano… em Felgueiras…

Os meus olhos sentiram naquela tarde estival do passado sábado um pôr-do-sol diferente… com uma cor púrpura intensa entremeada pelas nuvens de algodão… daquelas que pensamos só possíveis em destinos que os cartazes publicitários plasmam com recursos a filtros…



Porque quis registar o momento que considerei de luminosidade extraordinária, agarrei o único meio digital que tinha à mão – o meu telemóvel.

Não tem palmeiras, mas vale a pena olharmos e sentirmos…


Os fios de luz que se perdem no céu irradiam convites à contemplação…

quarta-feira, 16 de Julho de 2008

> Descalço 2008 > Imagens Armindo Mendes > Direitos Reservados

Imagens captadas dia 11, em Felgueiras, na edição 2008 da Descalço









> Cabo Mondego: Este recanto de Portugal é mágico



Por lá passei há umas semanas e registei esta imagem que partilho por esta via.
Tecnicamente não está nada de especial - foi captada com a minha pequena Nikon Coolpix - mas consegue reproduzir o encanto de um dos mil sítios lindos do nosso Portugal.
Ali, bafejados pelo vento Norte, somos convidados pela mãe natureza à contemplação, perante a nossa insignificância e pequeneza.




> Enya: no nosso recanto íntimo, estamos libertos das amarras que nos apoquentam diariamente

No passado fim de semana, acomedido por um certo sentimento nostálgico, revisitei alguns discos antigos das minhas colecções de vinil e CD.

Por lá encontrei velhas gravações, algumas delas que remontam a períodos da minha vida que recordo com a saudade própria de quem caminha em direcção aos "quarentas".

Entre os registos recordei Enya, a irlandesa que aprecio há muitos anos pela sua voz melodiosa que nos convida a visitas reconfortantes ao nosso sofá preferido após um dia intenso de trabalho.

Não há nada de melhor para retemperar as forças.

Proponho esta música fantástica - We are free now -

Assim, no nosso recanto íntimo, estamos libertos das amarras que nos apoquentam diariamente.

> Espectáculo sábado com a banda Hyubrisna na vila da Longra: Recomendo

Hyubrisna: Esta banda portuguesa tem uma sonoridade muito interessante, fazendo-nos lembrar as nossas fortes ligações à cultura Celta. Esta versão da canção de embalar é muito bem conseguida.
Eis o registo de uma apresentação na RTP.


sábado, 3 de Maio de 2008

> J. Michel Jarre no Porto > Foi fantástico!!!

Há dias fui ver J. Michele Jarre ao Porto (Coliseu).
Foi bom recordar os sonhos e as emoções de outros tempos.
Foi um concerto fantástico!
Aqui fica, com a devida vénia ao seu autor, um excerto do concerto "gémeo" de Jarre realizado dois dias antes em Lisboa.

> Kitaro "Heaven and Earth"

Também muito bonito, de Kitaro, banda sonora do filme Heaven and Earth

> Recordando o som maravilhoso de Kitaro

Adoro a música do compositor japonês, Kitaro... aqui acompanhado de Jon Anderson

Ouçam esta "Island of life"


> D. Custódia - uma Senhora com 94 anos e uma história de vida riquíssima...








Nas minhas lides profissionais, conhecia há dias esta mulher fantástica - D. Custódia.
Do alto dos seus 94 anos, contou-me a história da sua vida, feita de coisas simples, mas tão ricas.
Fiquei encantado com tanta sabedoria, fazendo-nos, por instantes, acreditar que este mundo, afinal, é muito belo.
Fui encontrá-la, quase por acaso, numa aldeia de Amarante, encravada na serra da Meia Via. Fiz várias imagens da senhora, cujas expressões intensas ainda hoje recordo, sobretudo o seu olhar terno, mas vincado...
Em Canadelo ouvia-a de coração aberto e escrevi para a Agência Lusa e para os meus jornais uma peça jornalística, que agora transcrevo:


Aos 94 anos, Maria Custódia uma idosa da aldeia serrana de Canadelo, Amarante, apanhou o susto da sua já longa vida: uma citação, a primeira, para se apresentar em tribunal.
A notificação judicial era, para seu maior espanto, de Vila Franca de Xira e não do tribunal da sede do concelho, Amarante, onde a idosa se mexia com mais à vontade.
E a surpresa foi ainda maior quando soube do que se tratava: era para assinar o divórcio do marido, também nonagenário, que já não via há 57 anos.
“Pensava que ele tinha morrido”, confessou.
Maria Custódia, que teve de fazer mais de 300 quilómetros para desfazer um casamento que supunha já não existir, admitiu que “ficou assustada” com o papel que recebeu.
“Fui ao tribunal de Amarante, onde tenho muitos amigos e disseram-me que tinham mesmo de ir a Vila Franca de Xira. Lá reencontrei o meu homem, que fugiu há muitos anos deixando-me sozinha com dois filhos ainda pequenos”, disse.
Maria Custódia fala numa linguagem simples, mas clara. Percebe-se, nos olhos, que sente aquilo que diz.
Às perguntas responde com prontidão, denotando uma memória muito viva, que lhe permite situar no tempo, e no espaço, situações vividas há muitas décadas.
Apesar da idade, disse ter encarado com grande naturalidade o divórcio.
“Foi um alívio, porque ele não merecia que eu fosse mulher dele. Disse-lhe isso no tribunal e ele nem respondeu”, afirmou.
Entre sorrisos, e uma franca gargalhada, admitiu que, mal regressou a Amarante “foi logo tratar da actualização do Bilhete de Identidade”.
A idosa é analfabeta, mas – sublinhou – sabe fazer contas.
"Não sei não ler, mas tenho pena de não saber. Mas digo-lhe que nas contas nunca me enganei", garantiu.
Os poucos habitantes que restam em Canadelo, na maioria idosos, apreciam a maneira de ser de Maria Custódia.
“É a alegria da aldeia”, destaca o presidente da Junta, Manuel Claro.
Maria Custódia, atenta ao que dela se dizia, deixou escapar um sorriso de orelha a orelha.
Ajeitando um lenço que lhe cobre parcialmente a cabeça, logo se apressou a fazer jus ao elogio do amigo autarca, cantarolando uma melodia que suscitou a curiosidade de quem passava.
Emocionante, a voz viva da mulher. Mas, mais intenso ainda, o brilho do olhar, que se perdia na encumeada verdejante da Serra da Meia Via.
“Ouvindo cantar a mulher não se percebe o duro percurso de vida que teve. Ainda assim, mantém esta boa disposição diária”, acrescentou o presidente da Junta.
Desde criança que, Maria Custódia, enfrenta as agruras de quem sempre viveu numa das mais recônditas aldeias do distrito do Porto, situada a quase de 20 quilómetros da sede de concelho.
Hoje a estrada até Amarante, apesar de sinuosa, conta com um bom pavimento colocado pela câmara, mas há várias décadas não passava de um serpenteante estradão de montanha.
Maria Custódia chegou a fazer diariamente essa viagem a pé. Durante 20 anos era quem trazia o correio e mercearia de Amarante até Canadelo, fazendo quase 40 quilómetros por dia, mais de seis horas de viagem no total
“Era muito duro, mas eu gostava. Ganhava 25 tostões. Conhecia-se muita gente por essas aldeias fora até Amarante. Gente boa que gostava de mim”, contou, confessando saudade de pessoas da sua geração que já partiram.
Essas duas décadas foram o período mais difícil da sua vida. Sozinha – o marido já tinha desaparecido – criou dois filhos.
“Cheguei a passar fome, mas as coisas foram-se arranjando”, disse.
Percebeu-se que não queria falar de coisas tristes, mas não hesitou em voltar à mala das recordações quando falou da sua infância.
Sorridente foi contando, enquanto gesticulava com a mão direita, à cadência da conversa:
“Olhe, passava os dias a carregar molhos de lenha para os fornos da cal. Subia e descia estas encostas muitas vezes por dia”, contou, apontando para os montes que cercam a aldeia.
A idosa recordou os grandes fornos que existiam em Canadelo utilizados para fazer cal, que era transportada em mulas até Amarante.
Do seu longo percurso de vida, também fala do tempo em que, como muita gente daquelas paragens, ajudava a limpar o minério no rio Olo. Era o estanho extraído das minas de Vieiros, desactivadas há algumas décadas.
“Fazíamos de tudo. Eram tempos difíceis e tínhamos de nos manter vivos”, confessou.
Hoje Maria Custódia enfrenta mais um momento difícil.
Com um rendimento pouco superior a 200 euros por mês, os proprietários da pequena casa que habita sozinha querem que deixe o espaço.
“Mas eu não tenho para onde ir”, lamenta-se Maria Custódia, enquanto se queixa que o dono da casa até a electricidade lhe cortou.
Utiliza velas para iluminar a habitação à noite e nem sequer pode ligar o pequeno frigorífico para conservar os alimentos.
O presidente da junta garante que a idosa vive numa situação muito precária, precisando da ajuda para sobreviver.
Apesar da insistência, recusou-se, por confessada vergonha, a mostrar onde vive.
Sente-se muito amargurada e apenas pede que a ajudem a arranjar um espaço onde viver com algum conforto.
“Ficava muito feliz se me arranjassem uma casinha”, disse a idosa, segurando carinhosamente o braço do jornalista, nele fixando o olhar, num silêncio só perturbado pelo ressoar afastado do rio Olo.
A junta está a tentar a ajudar e o presidente da Câmara de Amarante, Armindo Abreu, até já disse que a senhora podia utilizar a antiga escola primária da aldeia, desactivada há dois anos, que a autarquia se prontificava a recuperar.
Inicialmente a idosa aceitou, mas hoje hesita, porque a escola está afastada algumas centenas de metros do centro de aldeia e o acesso é íngreme.
“Está muito longe e tenho medo de viver lá sozinha. Se me der alguma coisa não terei quem me ajude”, salientou, corroborada pelo presidente da junta.
Manuel Claro está atentar encontrar outra solução, que poderá passar pela adaptação do rés-do-chão da sede da junta.
“Estamos a fazer o que podemos para ajudar a dona Custódia, que está a sofrer muito. Ela merece o apoio de toda a aldeia”, sustenta o autarca de Canadelo.
Mas a idosa não quis terminar a conversa com lamúrias, como disse ao jornalista.
Falou então do quanto gostava de chegar aos 100 anos.
“Se conseguisse havia de dançar muito nesse dia”, prometeu.

sábado, 17 de Novembro de 2007

> Vagueando por aí…





sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

> Por Penafiel...




quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

> O Outono também é belo (III) ...