sexta-feira, 1 de junho de 2007

As festas do Junho em Amarante


Na região Norte deste nosso Portugal, as Festas do Junho constituem uma das mais marcantes manifestações religiosas e profanas.
Por estes dias, milhares de pessoas, oriundas de mil paragens, acorrem à "Princesa do Tâmega", imbuídas ou não de motivações religiosas.
Nos três dias de festas são imensas as multidões que deambulam pelo velho burgo amarantino, mas com epicentro no Mosteiro de S. Gonçalo, num gesto genuíno de devoção e tributo ao padroeiro. Muitos romeiros, recolhidos em momentos de oração na igreja de repleta de fé, aproveitam estes dias para pagarem a suas promessas. A fé completa-se para muitos no simples momento em que põem a mão na imagem do santo.
É na missa de domingo que a fé falará mais alto. A igreja enche-se de fiéis e os cânticos solenes ecoam nas paredes majestosas.
Igualmente reduto de fé é a majestosa procissão, com características singulares no país. As ruas serpenteantes cobrem-se de colchas. Muitos milhares de fiéis recolhem-se nas bermas à passagem da imagem de emolduram a procissão. Milhares de flores cobrem as calçadas graníticas e perfumam um ambiente único destas festas centenárias.
Mas outro ponto distintivo das festas amarantinas é quando o pároco da cidade sobe à Varanda dos Reis para deixar uma mensagem à cidade. No largo de S. Gonçalo milhares de pessoas assistem sempre àquele momento e aguardam que o padre lance os habituais cravos.
Mas o Junho é também uma enorme grito de cultura enraizada nas nossas gentes, que assim se revêem no seu Junho. Atente-se, por exemplo, o despique de bombos, o desfile etnográfico e as bandas de música, manifestações obrigatórias nestas festas, que evidenciam as características mais simples e rurais das aldeias amarantinas. As alvoradas também são animadas. Os grupos de bombos, honrando uma tradição antiga, marcham frenéticos na velha urbe, acordando os que, fadigados pelas noitadas, ainda retemperas forças.
Esta é uma festa para toda a família. Todos, em multidão, descem à cidade.
Dos carrinhos de choque, às farturas ou às tascas não faltam divertimentos e outros pontos de interesse.
Os jovens, principalmente os rapazes, folgam com as brincadeiras em torno dos famosos “S. Gonçalos”, os doces de forma fálica, alguns de dimensões ousadas, que oferecem às meninas. As mais acanhadas, cabisbaixas, até coram, mas as mais fogosas, agradecem o presente e retribuem com o sorriso atrevido e desafiador.
À noite, todos se aglomeram junto às pontes. O momento vai chegar. O fogo junto ao rio é uma delícia para olhos, que todos os anos fantasiam com o brilho cruzado proporcionado pelo espelho do Tâmega. De cabeça erguida, os corações de todos batem mais forte as pupilas dilatam, enquanto os ouvidos, vergados às tendências da moda, se deixam levar pela intrépida mistura do rebentamento dos foguetes e das melodias que potentes colunas de som vão espalhando pela urbe.
O Junho é assim mesmo. Tão cheio de tudo, tão cheio, afinal, de uma cultura que orgulha os amarantinos.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

> Os devaneios dos profissionais da política

A política à portuguesa tem-nos brindado nas últimas semanas com mais alguns episódios que pouco abonam à já muito depauperada imagem dos que dela fazem a sua vida.
O mais hilariante dos episódios foi protagonizado por um ministro. Conhecidas que são as extraordinárias intervenções a que já nos habituou o ministro da economia Manuel Pinho, nomeadamente quando disse na China que os salários baixos portugueses são uma vantagem competitiva da economia, agora foi a vez do titular da pasta das obras públicas, Mário Lino, que fez uma espantosa declaração quando considerou, a propósito da construção do novo aeroporto de Lisboa, que a margem Sul do Tejo é um deserto.
O senhor ministro não devia estar nos seus melhores dias. Então na margem Sul não há gente, não há hospitais e não escolas? Haverá só areia e camelos? Não sabe V. Exa. que aquelas bandas fazem parte da área metropolitana de Lisboa, ali vivendo centenas de milhares de pessoas em concelhos tão populosos como Almada, Seixal e Barreiro, entre outros? Aquele disparate dito da boca de um qualquer cidadão anónimo menos informado até seria desprezível, agora verberado por um ministro é altamente censurável e o país só não percebeu por que por que razão não teve ainda consequências no plano político. O segundo disparate, ainda a propósito do primeiro, acabou por ser protagonizado por Almeida Santos, presidente do PS, quando este, saindo em defesa de Mário Lino, falou do perigo de ataques bombistas nas pontes sobre o Tejo. Ao ouvir isto, imagine-se o que pensarão as dezenas de milhares de pessoas que atravessam diariamente as ditas pontes.
Com tais afirmações, a que se juntam as contradições do ministro da Economia sobre o encerramento de uma empresa em Castelo Branco, as de um secretário de Estado sobre os problemas informáticos do Tribunal Administrativo de Braga e o polémico excesso de zelo da directora da DREN ao suspender um professor só porque terá feito uma piada à licenciatura do primeiro-ministro, só adensam a ideia de que, tantas vezes, os nossos governantes, deste e doutros executivos, estão cada vez mais alheados do país real ou estarão muito mal assessorados.
Mas o devaneio dos políticos também encontrou eco nas hostes laranjas. Primeiro foi o antigo primeiro-ministro, Santana Lopes, a comparar o PSD de Marques Mendes a um estado nazi ou estalinista por impedir as candidaturas dos candidatos arguidos. Independentemente de se concordar ou não com essa orientação política da direcção social-democrata, Santana devia perceber que comparar um seu companheiro de partido a um ditador foi politicamente incorrecto e extremamente deselegante. Santana voltou a ficar mal na fotografia, dando mais um tiro no pé, fazendo-nos lembrar os meses atribulados em que foi chefe de um governo de má memória. Ainda no mundo laranja foi Carmona Rodrigues a dar corpo a mais uma cambalhota. Primeiro convocou os jornalistas para lhes dizer que não seria candidato, depois, porque a data das eleições foi alterada, voltou a chamar a imprensa para dizer que, afinal, já era candidato independente à Câmara de Lisboa. Tanta incoerência é mesmo muito difícil de se perceber. Será que Carmona não tem a lucidez de perceber que sob ponto de vista político, depois do que se passou nos últimos meses na Câmara de Lisboa, não tem o mínimo de condições para voltar a exercer o cargo de presidente? Será que o ex-autarca se vai sentir bem no papel de candidato independente contra o partido que o ajudou a eleger há dois anos? Será razão para questionar: a que se deve tanto apego ao poder?

> Amarante está em Festa com o Junho




segunda-feira, 28 de maio de 2007

> Futebol às 3 da tarde

Um dos últimos domingos foi dia de muitas emoções para quem gosta de futebol. Um pouco por todo o lado, milhões de portugueses assistiam nos estádios ou pela televisão aos últimos jogos do campeonato que iriam ditar o campeão nacional. Nunca antes tinha acontecido os ditos três grandes chegarem à última jornada com possibilidades matemáticas de alcançar o principal objectivo de uma época desportiva. Nos três estádios jogava-se muito com o coração, com os ouvidos nos campos dos adversários na luta ao ceptro nacional. Aquela emoção fez-me lembrar a minha infância quando os jogos se realizavam ao domingo, quase todos às três da tarde. Era outra emoção poder acompanhar o jogo do nosso clube e em simultâneo poder, pelo rádio de pilhas, em onda média, saber da evolução do marcador das partidas que envolviam os clubes rivais. Por isso, no passado domingo, até a “velha” rádio reassumiu o lugar de estrela, indissociada dos relatos de futebol, que já teve no passado.
Hoje o campeonato é mais artificial, no sentido em que está submetido ao jugo das audiências televisivas. Os estádios estão cada vez mais vazios e a magia do futebol enquanto espectáculo de cariz familiar tem-se perdido no nosso país. As televisões precisam do futebol porque lhes garante audiências e o futebol precisa das televisões porque é sinónimo de receitas. Vistas as coisas no plano meramente economicista, direi que já não precisamos de ir ao estádio para ver a bola e a bola também precisa cada vez menos de espectadores nas bancadas, porque as receitas de bilheteira vão sendo substituídas pelo dinheiro pago pelas televisões. Mas este é um raciocínio demasiado simplista, sobretudo porque encerra pressupostos redutores, como se o fenómeno do futebol se limitasse aos três grandes, os únicos que conseguem atrair a atenção para as transmissões televisivas. Então e os jogos entre os ditos mais pequenos? A esses pouca gente vai assistir. Os estádios estão às moscas e os jogos não têm encanto. Hoje preferimos o conforto do sofá, frente ao pequeno ecrã, para assistir às partidas mais emocionantes dos três grandes. Com esta tendência acentua-se o fosso entre os ditos grandes e os demais emblemas, cujas receitas, quase em exclusivo dependentes da TV, são incomparavelmente inferiores. Com estas e com outras, o país, também no futebol, vai vivendo cada vez mais a duas velocidades.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

> Crianças foram ao museu

A Câmara de Amarante assinalou o Dia dos Museus, proporcionado a visita de cerca de 700 crianças do pré-escolar ao Museu Amadeo de Souza-Cardoso.
Na iniciativa, actores da companhia de teatro Filandorra procuraram representar, de forma simples, a importância, a vida e a obra daquele importante artista amarantino.
Foi uma iniciativa interessantíssima que releva o trabalho de base e a longo prazo que é preciso fazer para despertar o interesse dos diferentes públicos para a cultura.




sexta-feira, 18 de maio de 2007

> Mais um castelo na areia...

Terminou esta sexta-feira, mais um dia de trabalho, culminando uma semana intensa.

O calor reapareceu, mais em Amarante do que em Felgueiras, pelo menos foi a sensação com que fiquei no meu habitual vai-vem entre os dois concelhos.

Quando, a meio da tarde, regressava de Amarante em direcção a Felgueiras, face ao calor que então sentia, quedei-me a espaços em pensamentos que me remeteram para umas férias recentes numa praia próxima de Aveiro...

… Ali, numa manhã que há pouco despertara, encontrava uma serenidade imensa. Peito aberto, sentia a brisa que embalsamava a alma. Sentado numa espécie de lençol de areia dourada, olhava o mar, de azul atlântico, que sempre me embalava o olhar.

Papá, papá! – era o meu filho, que chamava para mais uma brincadeira. Sem querer, a criança pusera fim a um momento de deleite. Mas, não faz mal, a voz terna do menino e um sorriso arrebatador já impelira o progenitor para o prazer de brincar com o filho que tanto ama.

Nasceu então mais um castelo na areia...

terça-feira, 15 de maio de 2007

> Debate político pobre na última Assembleia Municipal de Amarante

A última reunião da Assembleia Municipal de Amarante foi das mais pobres em termos de debate político das realizadas este mandato.
Deduzo que, à falta de melhor assunto, alguns deputados da oposição voltaram a pôr o acento tónico na requentadíssima questão do hospital de Amarante.
Sem originalidade, voltamos a ouvir os mesmos argumentos, as mesmas perguntas, as mesmas dúvidas e da boca do presidente da Câmara, naturalmente, voltamos ouvir a mesma argumentação.
E o caso não era para menos, uma vez que nos últimos meses nada de relevante se passou que alterasse o que está decidido em termos de futuro para aquela unidade hospitalar.
Virem agora os deputados da oposição queixarem-se que não foram informados sobre a recente celebração de um protocolo entre a Câmara e a ARS-Norte é uma posição pouco sustentada sob ponto de vista político, ficando-se com a ideia de que, à falta de uma matéria mais candente, havia apenas a intenção de arranjar um mote para uma discussão estéril mas enfática na AM, igual a outras que têm entupido o prolongadíssimo período antes da ordem do dia.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

> O "meu" VItória de Guimarães está de regresso aos grandes do futebol luso


Ontem vibrei, emocionado, com o regresso do meu Vitória de Guimarães à primeira divisão do nosso futebol.
Vivo em Felgueiras há muitos anos, mas sou vimaranense de berço, tendo residido nesse concelho, até aos 13 anos, em concreto na vila industrial de Pevidém, onde ainda tenho muitos familiares. A minha mãe era de Pevidém e o meu saudoso pai era um vimaranense dos "sete costados", nascido na Rua de D. João, em pleno centro histórico do Berço da Nacionalidade.
Ontem, confesso, fiquei muito alegre, quase eufórico, com o feito do meu querido Guimarães, que é efectivamente um dos grandes do nosso futebol.
Só uma grande colectividade como o Vitória de Guimarães consegue arrastar verdadeiras multidões, que granjeiam a admiração do país inteiro e ajudam a engrandecer o fenómeno desportivo nacional, que tão órfão anda de públicos.
O Guimarães está de volta ao lugar que merece e de onde nunca devia ter saído. No próximo domingo haverá com certeza uma festa imensa no bonito estádio D. Afonso Henriques.
Hoje também fiquei feliz por ver que muita gente de outras cidades que tenho no coração, como Felgueiras, Amarante, Fafe e Penafiel, se regozijou com o regresso do Vitória, que já é, creio, um dos símbolos de amor clubista da nossa região.
Parabéns a todos os vitorianos.

domingo, 13 de maio de 2007

> Vale sempre a pena acreditar que existem públicos para a Cultura




Na noite de sábado o auditório da BM de Felgueiras encheu para assistir à representação da peça "A enferma", pelo Teatro Oficina Fonseca Moreira.
Depois de algumas iniciativas de âmbito cultural promovidas recentemente na Feira de Maio não terem granjeado do público felgueirense a adesão esperada, eis que outra actividade de âmbito cultural, desta feita o teatro, voltou a atrair grande atenção, provando, afinal, que vale a pena trabalhar, com perseverança, na criação de públicos específicos.
O trabalho de base na área do teatro desenvolvido há vários anos em Felgueiras e junto de felgueirenses aponta no sentido de que vale sempre a pena acreditar…
Recordo, a propósito, que há cerca de 10 anos, em Amarante, quando começava uma vaga de realizações de natureza cultural, pouco público marcava presença nas peças de teatro, nos concertos da Orquestra do Norte ou nas exposições no Museu Amadeo de Souza-Cardoso. Hoje, volvidos vários anos, os espectáculos de teatro, os concertos de música clássica ou as inaugurações de exposições de diversos tipos têm sempre casa cheia.
Os públicos existem também nestas pequenas cidades do interior, como Amarante ou Felgueiras, mas é preciso trabalhar no sentido de lhes despertar o interesse, adoptando políticas culturais sóbrias e, sobretudo, persistentes.
Se o novo Teatro Fonseca Moreira for mesmo para a frente, então estarão reunidas condições para se trabalhar a sério na criação e descoberta de públicos...


sexta-feira, 11 de maio de 2007

> Por terras do alto Minho...




> ... porque Amarante é especial... (II)




> Muito se fala dos jornais... mas...

Na minha qualidade de director de dois jornais regionais - "O Jornal de Amarante" e "Expresso de Felgueiras" - tenho lido atentamente o que se vai escrevendo nos blogs de Felgueiras sobre a comunicação social e a independência desta face aos diferentes tipos de poder, que não apenas o político.
Concordo com alguns pontos de vista que leio na blogosfera, mas discordo da maioria, simplesmente por concluir que muitos dos que opinam, apesar do o fazerem, acredito, imbuídos de boa-fé, não têm a mínima ideia do que é desenvolver um jornal, numa perspectiva empresarial, a uma escala concelhia e o que isso implica em termos de afectação de recursos humanos e técnicos, com evidentes repercussões no plano financeiro, sobretudo numa conjuntura de grande adversidade económica que afecta o país.
O mais difícil é encontrar o equilíbrio da dicotomia rigor jornalístico, com todas as premissas a ele associado, versus sustentação financeira. É um enorme desafio que se coloca a quem tem a responsabilidade de conduzir um projecto, que se quer credível, mas economicamente viável.
Quando isso não acontece, meus caros leitores, de nada valem as teorias tão bonitas que tenho lido…
Prometo um dia destes, com mais tempo e disposição, reflectir de forma mais aprofundada sobre esta matéria, que obviamente me interessa de sobremaneira, até porque – permitam-me – sou parte interessada, como compreenderão...

> Como é bonita a Primavera em Amarante




> ... porque Amarante é especial...


Em 1999 fui trabalhar para o Repórter do Marão, cuja sede é a cidade de Amarante. Tive então oportunidades de aprofundar o contacto com uma terra que já então apreciava. Desde então mantive-me ligado a esta terra, onde ainda exerço a minha actividade profissional diária, enquanto director do semanário "O Jornal de Amarante".
Podia aqui discorrer mil e uma palavras sobre esta terra de Pascoaes, mas são as imagens que melhor reproduzem o encanto que Amarante exerce sobre muitos.
Caminhar à beira rio, sob a ponte de S. Gonçalo, e o "olhar atento" da rua 31 de Janeiro espelhada no Tâmega, é algo que me transmite uma tranquilidade imensa...

> O balinho da Madeira

O fim-de-semana passado foi pouco agradável para os socialistas, que averbaram duas derrotas expressivas nos actos eleitorais em França e na Madeira.
Por cá, a vitória de Jardim não surpreendeu ninguém. Como aqui já vaticinámos, foi consequência de uma jogada politicamente esperta do chefe do governo madeirense. Confrontado com uma nova lei das finanças locais que impunha maior rigor na gestão das contas das regiões autónomas, Jardim partiu para a um discurso de vitimização, precipitando a demissão. Jardim, que há dois anos tinha ganho as eleições, mas com resultados que já acusavam o desgaste de longos anos de poder, percebeu há algumas semanas que era uma excelente oportunidade para inverter as perdas e pôr em prática, de forma exponencial, o seu discurso demagógico e assim capitalizá-lo no plano eleitoral, com os resultados que se conhecem: prolongou por mais dois anos a sua permanência na presidência do governo e reforçou de forma avassaladora a maioria social-democrata no parlamento madeirense, ao mesmo tempo de quase varria do mapa político da ilha os partidos da oposição, incluindo o PS, que perdeu parte do seu grupo parlamentar. Com tudo isto, Jardim tem agora ainda mais poder do que nunca, sobretudo porque a oposição viu diminuída a sua margem de manobra. O PSD madeirense tem mais lugares disponíveis no parlamento regional para satisfazer o apetite do aparelho partidário e o presidente do governo viu legitimada nas urnas uma estratégia política muito contestada no Continente, mas, como se viu, apreciada pelos seus conterrâneos.
Mas Jardim conseguiu algo ainda mais importante para a sua estratégia: o PS madeirense sofreu uma derrota tremenda, vergado ao ónus de ter de fazer campanha num quadro adverso, por estar umbilicalmente associado ao governo que, em Lisboa, decidiu avançar com medidas que se traduziram em impactos negativos para a Madeira., independentemente de concordarmos ou não com a justeza da alteração legislativa imposta por Sócrates. Os socialistas madeirenses vão ficar marcados longos anos por este estigma. Os que habitam aquela ilha, obviamente imbuídos de um espírito bairrista, demorarão muito tempo a esquecer que foi um governo do PS que impôs regras que por lá se diz serem adversas para a Madeira. Não deveremos andar muito longe se concluirmos que o PS daquela região autónoma vai ter agora de cumprir uma prolongada travessia no deserto, algo que, há a alguns meses, se julgava impensável, atendendo que se pensava que o ciclo de hegemonia do PSD estava a dar as últimas…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

> Que futuro para Felgueiras

Decorreu esta tarde em Felgueiras um workshop que serviu acima de tudo para apresentar um estudo relativo ao futuro do concelho.

Neste trabalho foi possível confirmar algumas das grandes fragilidades do concelho, sobretudo a reduzida qualificação da mão-de-obra, que dificulta a competitividade do concelho no quadro regional, nacional e internacional. Também o poder de compra por cá é mais baixo do que a média do país e da região Norte.


Apesar disso, os dados mais recentes sobre a competitividade da indústria de calçado de Felgueiras não deixam de ser contraditórios face ao quadro traçado esta tarde. Como é possível que um concelho com tão baixas qualificações profissionais, pelo menos observadas no plano académico, seja líder destacado das exportações nacionais de calçado? Há aqui, com certeza, fenómenos que carecem de uma análise profunda, também no plano sociológico, que não se limite aos estudos académicos, tantas vezes redutores, porque de alguma maneira desfasados da realidade...

domingo, 29 de abril de 2007

> Emoções muito fortes no down hill em Sendim >

Imagens > Armindo Mendes > Direitos Reservados >










sábado, 28 de abril de 2007

Como é bonita a Primavera em Felgueiras II

Imagem captada esta manhã entre a Lixa e Airães.

> Muitas ausências no Teatro Fonseca Moreira

Decorreu há dias em Felgueiras a apresentação do projecto de remodelação do Teatro Fonseca Moreira. Pareceu-me ambicioso e muito bonito, cuja concretização não deixará de orgulhar todos os felgueirenses.
Se esta obra avançar, como é expectável, Felgueiras ganhará um equipamento de excelência, seguramente um dos melhores do género em toda a região, ao mesmo tempo de permitirá a recuperação de um imóvel com referências históricas e culturais importantes para o concelho. Diria a propósito: mais vale tarde do que nunca…
Ocorre-me ainda um pequeno comentário em jeito de lamento. Foi triste perceber o alheamento dos felgueirenses face a coisas importantes que se vão passando neste concelho, como foi, incontornavelmente, a apresentação do projecto do teatro. Mais amargo é, seja-me permitido esta observação, quando essa ausência é protagonizada por políticos e “fazedores” de opinião, afectos à oposição e ao próprio poder, que tinham o dever de participar activamente nesses momentos para, em consequência, louvar ou criticar de forma fundada, em vez de o fazerem, como por vezes se lê e ouve, com base em lugares comuns decorrentes da opinião genérica, mas legítima, que cada um tem sobre a actuação deste ou de outro executivo.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

> Dia Mundial do Livro: um dia muito especial

Neste Dia Mundial do Livro realizou-se em Amarante uma feira do livro dedicada exclusivamente às crianças.
Foi contagiante ver como centenas de meninos e meninas folheavam com tanto interesse os livros que iam “experimentando” num espaço tão agradável como o Largo de S. Gonçalo. Vi muitos miúdos, sorridentes, comprar livros e com gosto guardá-los na sacola para depois os ler em casa.
É muito bom saber que as crianças de hoje parecem ter um interesse maior pela leitura e, se assim for, com certeza que amanhã teremos uma sociedade melhor, porque, como uma dia o meu pai me ensinou, "ler é saber mais".
Também por Felgueiras, nestes dias, temos uma feira do livro. É uma oportunidade de cada um de nós darmos uma espreitadela na esperança de encontrar uma qualquer "pechincha" que nos proporcione um prazer tão grande como só um bom livro o consegue fazer.

sábado, 21 de abril de 2007

> Uma entrevista lamentável a José Sócrates

E mais uma vez sinto vontade de abordar duas matérias intrinsecamente ligadas entre si, já neste espaço recorrentemente objecto de reflexão. Reporto-me, em primeira análise, às questões inerentes ao tratamento jornalístico de determinados temas, e em segunda perspectiva, mas tantas vezes associada à primeira, à maneira como a praxis da política suscita um olhar crítico do senso comum.
Admito o paradoxo em que poderei incorrer, por ser tão crítico deste tipo de matérias e sentir-me em simultâneo impelido a tratá-las nestes textos.
Mas, perdoem-se os leitores, que terão, pelos menos os mais pacientes, novamente de me aturar com estas reflexões, mas desta vez o tema suscita-me um olhar ainda mais crítico. Ora, já deverão ter percebido, reporto-me ao famigerado caso da licenciatura de José Sócrates.
Acompanhei, confesso que atónito, a recente entrevista concedida à RTP pelo primeiro-ministro de Portugal. Durante cerca de 45 minutos, fiquei incrédulo com o triste espectáculo proporcionado pelo canal público de televisão, esmiuçando com questões mesquinhas a vida privada, neste caso académica, do cidadão José Sócrates.
Se aquele tipo de entrevista tivesse sido realizado pela TVI ou pela SIC, contextualizando o passado recente, até nem ficaria surpreendido, por serem canais privados que muitas vezes, em nome das audiências, sobrevalorizam a informação espectáculo em detrimento dos critérios editorais objectivos. Mas foi o canal pago por todos nós, que devia primar pelo cumprimento de uma alinha editorial sóbria e consentânea com o que é comummente aceite como regras genéricas de um bom jornalismo.
Não concebo que seja possível dois reputados jornalistas estarem 45 minutos a tentar perceber em que moldes é que foi feita a licenciatura, com que equivalências e em que datas, se à sexta ou ao sábado, se foram emitidos determinados certificados, ou se foi o professor A ou o professor B que leccionou esta ou aquela cadeira. Foi uma das entrevistas mais maçudas, mesquinhas, artificiais e sem interesse a que já assisti.
Numa altura crucial para o país, em que tantos portugueses vivem momentos de grande dificuldade, mas também onde começam a aparecer indicadores animadores quanto ao crescimento da economia e abaixamento do défice, não era muito mais premente, diria, incontornável, aproveitar a presença do primeiro-ministro para o questionar sobre aquilo que efectivamente interessa a todos nós? Os 45 minutos perdidos a discutir o sexo dos anjos, sabe-se lá com que interesses, teriam sido muito mais bem aplicados se fosse dada oportunidade a José Sócrates para aprofundar medidas tão sensíveis como o encerramento das urgências, maternidades, escolas e postos policiais e tribunais um pouco por todo o país. Ou então a possibilidade do chefe do governo falar das suas perspectivas para o futuro de Portugal.
Tenho a certeza de que a maioria dos portugueses não está interessada em saber se o primeiro-ministro é ou não engenheiro ou se a sua licenciatura foi conseguida de forma mais facilitada. Essas são questões particulares de José Sócrates em nada influenciam a sua tarefa de governar o país. O que nos interessa é que o primeiro ministro governe bem, independentemente de ser engenheiro, advogado, médico, electricista ou qualquer outra profissão.
Mas então o que dizer de alguns políticos com responsabilidade que rapidamente se precipitaram num aproveitamento absolutamente deplorável deste caso, revelando um oportunismo que traduzirá a forma mesquinha como percepcionam o exercício da causa pública? Esses políticos profissionais, que gravitam nos corredores entrecruzados dos corredores do poder do microcosmos da capital, tão disponíveis para esmiuçar a mesquinhez, prestaram um mau serviço ao país. Não perceberam que as suas preocupações estão a anos-luz do que efectivamente interessa aos cidadãos e deram um mau exemplo. Só se lamenta que alguma comunicação social tenha perdido o discernimento de separar o acessório do essencial, preferindo ampliar o primeiro, numa manifestação, que não é nova, de que o espectáculo, mesmo conseguido por caminhos menos sóbrios, vale mais a pena do que uma informação rigorosa.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

> Como é bonita a Primavera em Felgueiras

Imagem captada domingo de manhã em Pombeiro.

A Primavera é a minha estação do ano preferida.

Esta e outras imagens, que registo frequentemente com a minha máquina fotográfica, proporcionam um prazer imenso aos sentidos...

sábado, 14 de abril de 2007

> O circo e as emoções da infância...

Tirei esta foto há poucas horas, porque fui ao circo… É verdade, há muito tempo que o não fazia…

Apesar da lá ter estado em trabalho, acabei por reviver emoções de fantasia que me remeteram para a infância, para o tempo em que o circo, com as suas luzes, chegava à minha aldeia e tudo parava, rendido a um mundo de sonho...

Como era bom ver os palhaços, os trapezistas e os ilusionistas e, com um sabor muito especial, comer algodão doce de mão dada com o meu saudoso pai… Enquanto os altifalantes anunciavam o espectáculo, era bom esperar nas longas filas da bilheteira, na quase certeza de que um ingresso iria sobrar para a concretização da fantasia. Ficava extasiado só de olhar para as luzes de néon da entrada da grande tenda. Lá dentro, os palhaços eram fantásticos e provocavam gargalhadas na pequenada. Também lembro o brilho intenso dos saxofones e trompetes dourados tocados pelos palhaços ricos e pobres.

Hoje revivi tudo isso. Soube bem… O circo é sem dúvida o maior espectáculo do mundo. Pela sua variedade, pelo seu arrojo, pelo espírito que rodeia a comunidade circense, que é única…

sexta-feira, 13 de abril de 2007

> Ao meu AMIGO Júlio Faria

Acompanhei ontem com especial atenção o depoimento de Júlio Faria no processo em que é arguido, no âmbito do chamado “saco azul”.

Desta feita fi-lo na minha dupla qualidade de jornalista e de amigo do antigo presidente da Câmara de Felgueiras.

Tenho por Júlio Faria uma enorme estima e consideração pessoal, porque sempre foi um homem com quem foi possível ter uma relação de enorme respeito recíproco. Não era em vão que em tempos escrevia que Júlio Faria era o “Senhor do Vale do Sousa”. Ainda hoje, quando o cumprimento, o trato por "presidente".

Conheço Júlio Faria desde 1992, quando eu iniciava a minha carreira profissional, então numa rápida passagem pela Rádio Felgueiras. Lembro-me até da primeira vez que falei com o então presidente da Câmara, que me recebeu no seu gabinete com uma cortesia que me sensibilizou e aliviou a timidez de quem dava os primeiros passos na profissão.

Desde então, foi possível estabelecer uma forte relação que resistiu a momentos de alguma crispação decorrentes de apontamentos jornalísticos que realizei, mas que o homem Júlio Faria sempre soube compreender, respeitando a minha independência profissional.

Ontem, no tribunal, apreciei a forma elevada, serena e nobre como Júlio Faria respondeu às perguntas do juiz presidente e do procurador. Júlio Faria exteriorizou ao tribunal a mágoa que sente por, ao fim de tantos anos ao serviço da coisa pública, o seu nome ter sido enxovalhado na praça pública.

Também fico incomodado quando oiço pessoas falarem mal de um homem com a estatura de Júlio Faria.

Se é inocente ou culpado dos crimes de que está acusado, cabe ao tribunal apurar e só há que confiar na justiça. Mas, nunca tanto como no caso de Júlio Faria, quero lembrar que todos os arguidos gozam da presunção de inocência.

Faço votos para que o homem e o amigo Júlio Faria ultrapassem rapidamente este período menos bom da sua vida, para que possa continuar a fazer jus ao título que um dia, humildemente, em sentido figurado, lhe atribui: "O senhor do Vale do Sousa".

terça-feira, 10 de abril de 2007

> Páscoa no Entre-Douro e Minho


Honrando uma tradição de tempos imemoriais, os lares da nossa região voltaram a abrir-se para receber a Visita Pascal, conhecida como Compasso.
Um pouco por todo o lado, a população católica acolheu nos seus lares quem vinha anunciar a ressurreição de Cristo.
É nas aldeias mais recônditas que esta manifestação mais mobiliza a população. Muitos lugares enchem-se de gente, também à custa muitos emigrantes que por esta altura regressam à terra para partilhar com familiares esta festa de família.
Em alguns pontos do Entre-Douro e Minho, o pároco ainda preside ao compasso, mas nos meios mais urbanos, com um maior número de habitantes, os párocos têm de recorrer a leigos para manter este ritual da visita pascal.
Todos sabemos que o compasso é um costume muito enraizado no norte de Portugal.
Um pouco por todo o lado, um grupo de pessoas, vestido com trajes festivos, parte da sua igreja paroquial. Transporta a Cruz enfeitada, levando-a aos lares católicos, onde anuncia a Ressurreição de Cristo e abençoa todas as casas.
Manda a tradição que sejam tocadas campainhas que anunciam o compasso. Em alguns lugares, ainda se vêem tapetes de flores pelas ruas e caminhos serpenteantes.
Mas não há domingo de Páscoa sem o som dos foguetes. Um pouco por todo o lado ecoam nas serranias do Entre-Douro e Minho, anunciando o júbilo das nossas por mais uma Páscoa festiva.
Geralmente, cada Compasso é constituído por quatro pessoas com mais de 16 anos de idade: um é o chefe da Equipa, outro leva a Cruz, outro a campainha e o outro recebe as ofertas.
O chefe da chefe da equipa faz o anúncio pascal, seguindo o guião que se encontra no verso da pequeno papelinho, que depois oferece à família.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

> É tão bonito ser criança.

São estas imagens, tão cheias de sonhos, que nos fazem acreditar num mundo melhor!

> Não façam mal à nossa bandeira


Esta imagem do ciclista Vítor Rodrigues no final da Taça do Mundo das Nações, em Felgueiras, exultando a sua vitória na competição, tinha tudo para ser maravilhosa, uma espécie de bálsamo para o nosso espírito patriótico.

Mas, como diz o outro, não havia necessidade de virar a nossa bandeira ao contrário.

Não sei se por descuido ou ignorância o jovem campeão lá permaneceu minutos a fio no palco da consagração com a bandeira ao contrário, não correspondendo a alguns apelos de algumas pessoas da assistência para que repusesse a configuração normal da bandeira das quinas.

Fez-me lembrar a febre patriótica que assolou o país aquando dos recentes Europeu e Mundial de Futebol, com toda a gente a comprar bandeiras para pôr à janela.

Direi que era um espírito patriótico pimba, pois a maioria dos que exibiam a bandeira, independentemente do espírito ser benevolente, faziam-no sem sequer saber que o verde fica à esquerda da esfera anelar e o vermelho à direita.

No meio de tanta confusão, até víamos novas versões de bandeiras portuguesas, com uns castelos esquisitos e um escudo com quinas muito estranhas. Também não admira, aquelas bandeiras vinham quase todas da longínqua China, onde o nome Portugal e a nossa bandeira não passam de mais uma forma de ganhar dinheiro.

Só é pena que milhões de lusos nem sequer saibam reconhecer uma verdadeira bandeira de Portugal, que é "apenas" o principal símbolo da nossa pátria.

Overdose "futeboleira"

O passado fim-de-semana foi pródigo em acontecimentos desportivos de grande importância que marcaram a cadência informativa dos principais órgãos de comunicação social.
De tudo o que se passou, a prova mais importante foi sem dúvida o regresso do Rali de Portugal ao campeonato do mundo. A competição disputou-se em terras algarvias e constituiu mais um sucesso estrondoso no plano organizativo e no que se reporta à adesão de milhares de aficionados pelo automobilismo, que invadiram o Algarve.
O regresso do rali luso ao campeonato do mundo, após tantos anos de ausência, devia merecer dos órgãos de comunicação social uma maior cobertura. Fiquei espantado com os micro resumos que as televisões exibiram nos telejornais de domingo à noite, desvalorizando uma prova que atraiu autênticas multidões. Veja-se que foi preciso uma prova de ralis para voltar a encher o Estádio do Algarve.
Mas o nosso país é mesmo assim, não valoriza aquilo que efectivamente devia ser passível de tratamento consentâneo com a sua importância.
Ao invés, fomos todos invadidos por magotes de reportagens, horas a fio, de antecipação e rescaldo do Benfica-Porto.
Também gosto de futebol e sem dúvida aquele era um jogo importante, opondo os dois principais candidatos ao título de campeão nacional. Mas, meus amigos, daí a obrigar-nos a visionar reportagens sucessivas, repetitivas e desprovidas de informação objectiva é algo que continuo a censurar. De repente, ficamos todos com a ideia de que nada mais se passava no país e no mundo. Tudo o resto era menor face à notícia extraordinária, dada em directo, de que o Nuno Gomes tinha acenado da janela do hotel onde estagiava o Benfica ou a saída do autocarro das estrelas da luz, relatada com todos os pormenores e lugares comuns do futebolês, com entrevistas hilariantes.
Ao invés, uma prova da Taça do Mundos das Nações em ciclismo, disputada este fim-de-semana na nossa região, que reunia as melhores selecções do mundo de sub-23, não mereceu dos órgãos de comunicação social mais importantes qualquer destaque, limitando-se a figurar em pequenas notícias paginadas em locais marginais de alguns jornais desportivos. São critérios jornalísticos que continuam a enfermar de espírito tablóide, isto é, baseiam-se quase em exclusividade num único critério: o das audiências.
Se o povo gosta de bola, há que lhe dar futebol em doses maciças. Há quem diga que o desporto rei é um espécie de ópio do povo, expressão que nos dias de hoje faz mais sentido do que nunca.
Longe vão os tempos em que as direcções de informação das principais televisões, rádios e jornais se guiavam por critérios estritamente editoriais. Actualmente esses responsáveis funcionam mais como uma espécie de directores comerciais, olhando as notícias com um cunho mercantilista.
Veja-se os alinhamentos dos noticiários, onde se percebe que não uma uma linha coerente, prevalecendo uma mistura estranha de conteúdos, ,permitindo-se que uma notícia de futebol abra um telejornal, seguindo-se uma história de faca e alguidar, como se diz na gíria jornalística, partindo-se depois para uma reportagem sobre uma qualquer iniciativa do governo, terminando-se numa nova reportagem sobre futebol. É uma enorme salgalhada, que só comprova que os critérios comerciais, para manter as pessoas presas aos noticiários, fazem hoje tábua rasa do muito de bom que fazia escola em tempos idos.
Veja-se ainda aos jornais desportivos. Num deles, quase todas as edições trazem grandes capas com assuntos relacionados com o Benfica, numa categórica falta de isenção na forma como se trata todos os clubes. Nunca mais me esqueço que no dia em que o FC Porto foi campeão europeu, alguns jornais não atribuíram àquele feito a manchete principal das respectivas primeiras páginas.
Conclusão: os critérios jornalísticos como isenção e igualdade de tratamento são manifestamente subvalorizados face a outros interesses de âmbito objectivamente comercial, partindo-se da premissa de que se o Benfica é o clube com maior número de adeptos, então há que dar as capas a esse clube porque isso irá garantir mais vendas.
É o jornalismo mercantilista que vamos tendo…

sábado, 31 de março de 2007

Os políticos que temos!

Os portugueses assistiram há uns dias, pela televisão, à enorme confusão que se verificou no final do Conselho Nacional do CDS-PP, com discussões acesas entre apoiantes de Ribeiro e Castro e de Paulo Portas.
Desconhecemos em pormenor o que efectivamente terá motivado aquela efervescência, nem sequer os estatutos do partido. Censuro, porém, de forma veemente, o ambiente que se criou entre militantes de uma força com larga tradição na democracia portuguesa, que deviam primar, enquanto políticos, muitos dos quais profissionais, por transmitir uma imagem de maior civilidade e respeito pelas opiniões contrárias. Mais grave é perceber que os militantes, enquanto discutiam, sabiam que estavam a ser filmados e nem por isso se contiveram perante os jornalistas.
Quem viu aquelas imagens tão feias e ouviu aqueles impropérios trocados pelos dirigentes centristas ficou, em primeiro lugar, incrédulo, porque pensávamos que na nossa tradição democrática não havia mais lugar para incidentes como aqueles, que desacreditam uma vez mais os políticos aos olhos da sociedade portuguesa. Ficamos com a sensação de que a luta pelo poder, ainda que num pequeno partido que não é Governo, leva alguns políticos a ultrapassar todos os limites, comprovando-se de novo que as frases feitas com que alguns nos tentam convencer não passam de mera demagogia.
As imagens que vimos não alteram no essencial a opinião que tenho dos políticos.
Sei, por experiência profissional, que a política, no sentido genérico do termo, acaba por ser o espelho da nossa sociedade, com todos os defeitos e virtudes. Conheço homens e mulheres que exercem diferentes cargos políticos que são pessoas honestas e trabalhadoras, que dão o melhor de si, em função dos ideias que professam. Admiro essas pessoas e procuro cultivar com elas uma relação séria, mas assente em critérios de respeito recíproco, salvaguardando sempre que políticos e jornalistas devem relacionar-se de forma clara, combatendo quaisquer tipos de promiscuidade.
Mas também sei que não raras vezes gravitam junto de políticos gente de menor qualidade, que nem sempre escolhe os melhores caminhos para alcançar os fins. Gente que há anos se acomodou às benesses do poder, gente que até se acha importante, só porque pulula nos corredores ministeriais, do parlamento ou de uns quaisquer paços do concelho, cultivando uma subserviência obsessiva pelo poder, como forma de justificar benesses e até uma evidente falta de produtividade que protagonizam, mesclada com laivos de sobranceria grotesca.
Esse é o lado menos bom da política que hei-de de censurar sempre, independentemente das pressões mais ou menos descaradas que os jornalistas vão sofrendo pelas diferentes formas de poder.

Há dias assim...

Há dias em que a inspiração não abunda para escrever aquele o que é suposto ser o texto mais importante de um periódica: o editorial de "O Jornal de Amarante"
Reconheço que, por estes dias, não faltarão assuntos de interesse de âmbito local e até nacional para opinar, mas a necessidade do o fazer em período em que somos chamados a um sem número de solicitações profissionais, inibe a nossa capacidade de análise e consequente acto de emissão de opinião.
Emitir opinião, pela via da escrita num jornal, é sempre um acto de alguma rebeldia, mesmo numa sociedade democrática como a nossa. Escrevo isto com a convicção de quem, por vezes, é questionado sobre as opiniões que verte num artigo.
Eu próprio, na dupla qualidade de director de "O Jornal de Amarante" e jornalista, reflicto sobre a pertinência e opinar sobre matérias que são igualmente objecto de tratamento jornalístico neste jornal, através de notícias, reportagens ou entrevistas de minha autoria. Até que ponto devo exteriorizar o que penso sobre isto ou aquilo? Até que ponto devo deixar explícito, em editorial, o meu ponto de vista concordante ou discordante sobre um assunto que é objecto de tratamento jornalístico e neste sempre com a vontade determinada que obedeça a critérios rigorosos de objectividade e despida de qualquer cunho opinativo? É legítimo aos leitores questionar o carácter meramente descritivo de uma notícia sobre um determinado tema, só porque este é igualmente tratado em editorial, aqui já numa óptica opinativa?
Alguns leitores menos atentos ficarão confusos, por lerem abordagens distintas sobre o mesmo assunto e farão juízos erráticos sobre os autores das peças.
Apesar de tudo, creio que é compreensível esta aparente confusão.
Mas, a questão que se coloca é se o jornalista, obrigado que está a critérios de objectividade e equidistância face às diferentes correntes de opinião, deve por isso ficar inibido de emitir opinião sobre as questões da actualidade?
Após reflexão que venho fazendo, até com base em conversas que mantenho com colegas de ofício, concluo que o jornalista não está de forma alguma impedido de exercer um direito consagrado na Constituição - a opinião -, mas deve abster-se de o fazer quando exerce a sua profissão, na redacção de notícias ou reportagens Estas devem ser tão descritivas e objectivas quanto possível e desprovidas de opiniões de quem as escreve. Mas o jornalista, enquanto pessoa atenta ao fervilhar da sociedade e geralmente com sensibilidade acrescida para observar em sentido crítico o quotidiano, pode exercer o seu direito de opinar, embora, sublinhe-se, o deva fazer de forma devidamente enquadrada e explícita em termos de identificação gráfica do tipo de artigo, isto é, que quem lê o mesmo, vendo um cabeçalho com indicação “editorial” ou “opinião”, saiba categoricamente que se trata de um juízo, vertido através de um editorial ou de uma coluna opinativa, e não de uma notícia.
Este é o cerne da questão, sobretudo em alguma imprensa regional, onde determinados cronistas, influenciados com um tipo de “jornalismo” que fez escola noutros tempos, confundem muitas vezes as notícias e a vontade indómita que têm de opinar. Mas enganem-se os que pensam que isto só ocorre nos pequenos jornais regionais. Veja-se o que, nesta nova era do jornalismo, se passa nas televisões, que por vezes emitem pseudo-reportagens eivadas de sentido crítico, sempre com um carácter subjectivo altamente questionável, em que o jornalista aparece como uma espécie de juiz imbuído de espírito justiceiro, quase sempre incapaz de resistir à linha tablóide.
É neste jornalismo, que não o é de facto, que não me revejo.

segunda-feira, 12 de março de 2007

> Lembrando Entre-os-Rios - Que a história não se repita...

Completaram-se recentemente seis anos sobre a derrocada da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, da qual resultou a morte de 59 pessoas.

Lembro-me dessa tragédia de forma intensa, porque foi um acontecimento que, enquanto jornalista, cobri no local, designadamente os trabalhos de busca dos corpos das vítimas nas intrépidas águas do Douro.

Jamais esquecerei as expressões, os olhares distantes dos familiares das vítimas que se encontravam no “teatro” das operações de resgate dos corpos. Eram pessoas simples e ainda incrédulas com o que o destino reservara horas antes. Alguns, amontoados a um canto, sob guarda-chuvas incapazes de suster a intempérie, ainda soluçavam. No rosto, as lágrimas misturavam-se com as gotas da chuva, que eram registadas pelas câmaras dos fotógrafos. Nem a presença dos mais altos magistrados da nação, Presidente da República e primeiro-ministro, eram capazes de aliviar o sofrimento daquelas pessoas.

Retive na memória as incessantes passagens dos helicópteros sobrevoando em círculos as águas barrentas do Douro, enquanto os mergulhadores, nos seus botes, observavam, impotentes, a corrente que esbarrava nos pilares da velha ponte. A imagem do resgate do autocarro ao grande rio suscitou-me uma das emoções mais intensas que alguma vez senti nesta profissão. Foi uma emoção de grande tristeza, mas simultaneamente de enorme revolta. Não compreendia como tinha sido possível ter acontecido aquela tragédia. Por instantes, escondido pela máquina fotográfica que instintivamente “disparava para registar o momento”, refugiei-me num alvoroço de emoções. Imaginava o desespero dos infortunados 59 turistas que regressavam de um passeio às amendoeiras em flor. Como terão sido os seus últimos segundos de vida? O seu desespero, a sua impotência face a um destino cruel que os escolhera para sucumbir vítimas da incúria de uns quantos…

Recordo que dois ou três dias antes da tragédia eu próprio havia atravessado a mesma ponte, regressando de uma deslocação a Castelo de Paiva. Quando o fiz, percebi a violência da corrente do Douro e quão frágil era aquela travessia, que estremecia com intensidade, que já então eu considerava anormal, a cada passagem dos pesados camiões carregados de inertes. Sentia sempre aquela insegurança quando tinha de atravessar a ponte Hintze Ribeiro. Recordo que, quando podia, atravessava-a a grande velocidade, procurando assim enganar o medo…

Volvidos seis anos, as recordações mantêm-se bem vivas. Tão vivas quanto a consternação que decorreu da incapacidade do Estado apurar os responsáveis. Fica-se sempre com a sensação de que os grandes responsáveis pela tragédia nunca terão estado sentados no banco dos réus e que neste apenas tiveram de responder protagonistas menores.

Dos anos que antecederam a derrocada da ponte, recordo as sucessivas chamadas de atenção dos presidentes das câmaras de Penafiel e Castelo de Paiva para o perigo daquela travessia rodoviária. Também um deputado do PS, que ainda hoje o é, Agostinho Gonçalves, que tinha sido presidente da Câmara de Penafiel, procurava, sem sucesso, convencer os governantes para o problema. Os alertas eram todos endereçados para Lisboa, mas da capital não havia resposta. Um dia, o presidente da CM de Castelo de Paiva até fez uma conferência de imprensa à entrada do tabuleiro, para evidenciar o problema. De Lisboa surgiam respostas evasivas, enquanto uma verba ridícula para a nova ponte, inscrita no PIDDAC, transitava de ano para ano.

Com a tragédia, os cidadãos deram-se conta do quanto os governantes estão distantes do país real, umas vezes mal informados por uma administração ineficiente e demasiado tecnocrata, outras por uma sobranceria que os torna insensíveis aos clamores da “província”.

Mas a derrocada do tabuleiro e a morte das 59 pessoas acabaram por, pelo menos no plano político, acordar os governantes, que rapidamente transformaram a fome em fartura. Meses antes não havia verbas para construir uma ponte, mas após o desastre logo foram descobertos recursos para construir não uma mas duas pontes. Aqui ficou evidenciada a incoerência de uma governação.

As pontes nasceram rapidamente mas frenesim de obras por tudo quanto tinha a ver com Entre-os-Rios foi-se esboroando. Os grandes projectos foram anunciados com pompa a circunstâncias, mas desses, pouco foi feito ainda, faltando aquela que era a infra-estrutura mais emblemática – a construção do IC 35, ligando Penafiel a Castelo de Paiva, que foi anunciada como uma via rápida que iria finalmente compensar a região por longos anos de esquecimento. Os estudos sucederam-se, os ante-projectos também, mas a obra não sai do papel, mantendo-se as mesmas dificuldades para chegar àquela localidade… Esperemos que a história não se repita.

domingo, 4 de março de 2007

> A Mesa que temos

1 - A última sessão da Assembleia Municipal de Amarante voltou a confirmar o que há muito venho pensando da prestação da mesa daquele órgão autárquico, que considero estar uns furos abaixo do nível médio dos demais intervenientes.
Como já acontecera noutros momentos, a mesa no seu todo e a presidência em particular não estiveram à altura das incidências da reunião, detendo-se vezes sem conta em dúvidas sobre procedimentos normais numa reunião do órgão fiscalizador do município.
Chegaram a ser confrangedoras as dúvidas sucessivas em que mergulhava a mesa, indecisa sobre o que fazer perante as sucessivas situações que se lhe colocavam, que não eram assim tão complexas.
O presidente da Assembleia Municipal, Dr. Celso Freitas, distinto jurista, é um homem credor do respeito e consideração de todos nós. A sua vasta experiência de vida e até de advogado habituado a lidar com situações complexas no plano jurídico, deveria permitir-lhe gerir os trabalhos da AM com total desenvoltura e segurança, imune a quaisquer pressões.
Porém, nem sempre tal tem ocorrido. O presidente da AM tem usado de demasiadas indecisões quando obrigado a decisões importantes para o decurso normal dos trabalhos. As opções que anuncia estão longe de serem consensuais e não raras vezes, confrontado com argumentos contrários do plenário, acaba por decidir de forma contrária ao que sugerira aos deputados. Também a gestão dos tempos de intervenção dos deputados carece de melhor atenção, o que contribuiu para a forma distendida como decorrem as reuniões da AM.

2 - Ainda a propósito da última AM amarantina, ocorre-me comentar sucintamente a discussão que se gerou entre o PS e o PSD a propósito dos méritos e deméritos da construção do novo hospital. Ao ouvir as sucessivas intervenções e arrufos de deputados dos dois partidos, que se digladiavam em argumentos cruzados e demasiado crispados, fiquei com a sensação que esta era uma daquelas discussões inconsequentes em que os políticos gostam de mergulhar. Para quê tanta discussão? Para quê tantos comunicados com linguagem redundante, cada um dos partidos a ver qual tem o umbigo maior? Será que os nossos políticos não percebem que aquela discussão pouco interessa ao cidadão comum, farto de politiquices. O que as pessoas querem saber é se Amarante vai ou não ter novo hospital e se este vai ter as valências que garantam cuidados de saúde de boa qualidade.
Aceita-se e saúda-se que a AM é o fórum por excelência para os políticos discutirem os grandes temas do concelho, como a questão do hospital. Também se compreende que os deputados aproveitem aquele órgão autárquico para medirem forças, defendendo cada um a sua dama política, da melhor forma que sabem e podem. Mas, como em tudo na vida, há limites. Esta fastidiosa discussão dos comunicados, que parece prosseguir nos jornais, foi exagerada na forma, no tom e no tempo que gastou.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Bailinho da Madeira

E na Madeira as coisas andam agitadas, com o frenesim de Alberto João Jardim e seus pajens, que agora parecem determinados em ir de novo a votos. As últimas notícias apontavam para a possibilidade de o presidente do governo regional, insatisfeito com as directrizes do governo da República, se demitir a assim convocar uma ida às urnas naquele arquipélago.
Gostando-se ou não do estilo insólito do homem (pessoalmente até nem gosto), temos de reconhecer que esta poderá ser uma jogada de mestre, se analisada numa óptima da real política. Com as eleições, se as mesmas forem mesmo por diante, Jardim poderá matar vários coelhos com um único tiro certeiro. Em primeiro lugar, potenciando politicamente em proveito próprio o conflito que mantém com o continente, reúne condições ímpares para reforçar de sobremaneira a sua maioria absoluta na Madeira, cujo eleitorado não deixará de estar indiferente à saga que o seu presidente protagoniza. O homem do leme madeirense vai também criar um engulho do tamanho do Pico Ruivo aos amigos de Sócrates na Madeira. O PS local, vergado a sofrer o desgaste das políticas dos seus camaradas de Lisboa, arrisca-se a sucumbir à maior derrota de sempre, o que será um golpe profundo da recuperação eleitoral que vinha conseguindo nos últimos anos num território hostil. As feridas socialistas na Madeira poderão obrigar os dirigentes locais a um retiro no rochedo de S. Vicente.
Dada como certa prossecução deste objectivo estratégico, Jardim estancará a perda de peso eleitoral que o seu partido tem vindo a registar nos últimos embates. Esta inesperada ida às urnas, no contexto em que deverá ocorrer, ajudará ainda a justificar uma nova recandidatura. Fazendo jus à fama, numa linha bem populista, alegará agora Jardim que se candidata por uma razão suprema de defesa dos mais altos interesses da Madeira. Jardim porá também o presidente do seu próprio partido numa situação delicada. Este, por uma questão de solidariedade partidária, poderá ter de se expor ao lado do líder madeirense, algo que não abonará muito à depauperada imagem de Mendes, tendo como premissa que Jardim não suscita grandes simpatias na “metrópole”. Sócrates também não deverá sair ileso deste bailinho da Madeira. O primeiro-ministro, com a mais do que provável reeleição do líder madeirense, terá de continuar a manter um braço de ferro com aquela parcela do território português. Este ambiente acaba por desgastar o líder socialista, que fica exposto às incursões linguísticas politicamente incorrectas de Jardim. Mas mais preocupante é o facto deste clima poder estar a alimentar um sentimento independentista que leveda em alguns sectores madeirenses, que têm agora terreno fértil para esgrimir argumentos contra o “poder centralista” do continente, com consequência imprevisíveis.
Concluo esta análise com um princípio básico que deve ser observado. Independentemente de Jardim ter ou não razão em alguns argumentos que apresentará, o presidente do governo regional tem de perceber uma coisa: Portugal é uma democracia, com regras de funcionamento bem delimitadas, em que o poder executivo do governo eleito pelos portugueses tem toda a legitimidade para pôr em marcha as políticas que entende serem vantajosas para o todo nacional. Sustenta o actual governo que as limitações orçamentais impostas à Madeira são vantajosas para o país. O executivo regional só tem de as aceitar, independentemente de com elas concordar ou não. Quando muito, Jardim, alegando a eventual violação do estatuto de autonomia madeirense, poderia questionar a legalidade da decisão do governo central, mas também nesse campo as coisas não lhe terão corrido bem, caso contrário o Presidente da República não teria promulgado a decisão do Governo de Sócrates.
Alberto João Jardim deveria ser lúcido e perceber que a sua ilha não pode ficar à margem do esforço nacional que está a ser pedido a todos o portugueses e a todos os sectores da administração pública. Quem por lá já passou sabe que a Madeira é um território desenvolvido e que, por isso, numa óptica de subsidiariedade, o esforço nacional deve ser agora direccionado para regiões mais deprimidas do país.
PS - Só para terminar, quero aqui enaltecer a recente celebração de protocolos de transferência de recursos da Câmara de Amarante para as juntas de freguesia do concelho. Estas, mais uma vez, vão poder executar inúmeras obras, nas diferentes áreas, contribuindo-se para o desenvolvimento homogéneo de todo o território concelhio.
Armindo Abreu e a sua equipa demonstram, de novo, a sua vontade de descentralizar, delegando competências, atribuições e recursos nas juntas de freguesias.
Amarante, também neste ponto, é um bom exemplo para o país.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

> Portagens à entrada das grandes cidades!

O governo está a admitir a possibilidade de aplicação de portagens nas entradas das cidades do Porto e Lisboa, procurando assim diminuir o número de veículos que todos os dias entram nas duas metrópoles portuguesas. A ideia é procurar contribuir para a redução da poluição em Lisboa e Porto, que são dos mais altos das cidades europeias.
A ideia até parece interessante, mas a sua aplicabilidade revela-se complexa, sobretudo porque irá esbarrar em duas pedras de toque. A primeira reside no facto de as alternativas aos automóveis serem muito más, sobretudo no Porto. As redes de transportes públicos estão longe de corresponder às necessidades. Os autocarros em horas de ponta andam sempre sobrelotados, a rede de metro está ainda numa fase incipiente em termos de cobertura da cidade e os comboios suburbanos também estão longe de corresponder às necessidades. Imagine-se o que seria condicionar a entrada de veículos na cidade e o que isso poderia resultar em termos de ruptura das redes de transportes colectivos.
Além do mais, esta eventual decisão esbarraria na crónica resistência de muitos portugueses, que insistem em levar os carros, se possível, até à porta do supermercado. Muitos compatriotas, eu diria a maioria, são comodistas e têm poucos hábitos de andar a pé ou de transportes públicos. Gostam de levar o automóvel para todo o lado e estacioná-lo tão perto quanto possível do destino, não raras vezes em situações pouco abonatórias para as regras de civismo.
Tenho muitas dificuldades em imaginar determinados portugueses, habituados a mordomias de locomoção, serem agora obrigados a viajar de autocarro ou comboio.
Por outro lado, muitos de nós desconfiam que esta pode ser mais uma forma encontrada sub-repticiamente pelos poderes públicos para encaixar mais uma receita. Será uma espécie de taxa moderadora do trânsito. Será que vão mais uma vez invocar a benignidade da motivação oficial da medida para sustentar mais uma receita para uma administração ávidas de recursos, seja ela local ou nacional?

sábado, 27 de janeiro de 2007

> À espera de um debate clarificador

O país já está em pré-campanha para o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Por estes dias, vamos ouvindo argumentos mais ou menos contundentes num e noutro sentido, de tal forma que parte dos cidadãos se vai sentindo um pouco confusa, sobretudo os que não têm uma opinião muito firme sobre a matéria. Ouve-se os argumentos do sim e do não e reconheçamos que ambas as parte vão esgrimindo razões fortes às quais não ficamos indiferentes.

Esta não é uma matéria de esquerda ou de direita. Trata-se de uma questão de consciência. Tenho, como é óbvio, uma opinião, que não vou revelar de forma explícita neste editorial, obrigado que estou, enquanto director, ao princípio da isenção. Prefiro reflectir noutro sentido. Espero que a campanha eleitoral não se transforme numa cacofonia e “folclore” de argumentos num e noutro sentido, uns mais demagógicos do que os outros, que só vão contribuir para uma menor sensibilização das pessoas. Seria bom que, desta feita, o debate fosse elevado e clarificador, o que também seria um factor acrescido de motivação para que os cidadãos votem maciçamente. Depois, só há que respeitar o veredicto do eleitorado, alterando-se ou não a lei em vigor.

(In Editorial de "O Jornal de Amarante"

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

> 30 anos de desenvolvimento


Um pouco por todo o país estão a ser assinalados os 30 anos de poder local democrático.
O momento é de comemoração, porque é unanimemente reconhecido o papel que as autarquias locais têm protagonizado no desenvolvimento do país no período pós 25 de Abril.
Todos sabemos que as autarquias são responsáveis por uma percentagem muito considerável das múltiplas realizações que um pouco por todo o Portugal têm contribuído para a melhoria significativa da qualidade de vida das populações. Ao trabalho dos autarcas portugueses deve-se muito do que hoje é já normal ver-se nas nossas cidades, vila e aldeias. Os pavilhões desportivos, as piscinas, as bibliotecas, as escolas, as estradas, o abastecimento de água e os esgotos, entre outras realizações, são sinais da actividade das autarquias, sejam elas câmaras municipais ou juntas de freguesia.
Todos aceitamos que as câmaras municipais são hoje responsáveis por uma percentagem muito considerável das realizações no país, numa proporção incomparavelmente superior às despesas que estas representam na máquina do Estado. Ou seja, com muito menos dinheiro, as câmaras conseguem fazer mais do que a administração central. Além disso, o trabalho das câmaras e também das juntas é o que mais directamente é perceptível pelo população, pois incide em áreas caras a cada um de nós e que têm influência decisiva na nossa qualidade de vida. Esta é a pedra de toque fundamental, que emerge quando se faz um balanço genérico do trabalho das autarquias, o qual, necessariamente tem de ser positivo.
As autarquias atravessaram durante estes 30 anos um período de vacas gordas, com os fundos comunitários e a permitirem avançar com investimentos estruturantes. Deve-se, aliás, reconhecer que parte daquilo a que chamamos hoje desenvolvimento se deve aos fundos da União Europeia, sem os quais uma percentagem muito grande daquilo que foi realizado teria sido de todo inviável. Muitos municípios souberam aproveitar melhor do que outros os dinheiros da Europa. Uns investiram em equipamentos estruturais, outros em obras ditas de fachada, que no imediato poderão ter rendido mais votos, mas, a prazo, pouco retorno estarão a ter na qualidade de vida e desenvolvimento das populações. Em algumas cidades próximas vê-se muito cimento, mas faltam-lhes ainda equipamentos básicos para o bem-estar dos seus munícipes. Reporto-me principalmente a coisas tão básicas como as redes de águas e esgotos, valências que em alguns concelhos próximos estão muito atrasados. Investir milhões nas infra-estruturas de água e esgotos para depois enterrar nunca deu votos, antes pelo contrário, até irritavam os automobilistas confrontados com os incómodos das estradas esburacadas. Alguns preferiram obras mais faustosas, como rotundas em tudo quanto é sítio com fontes cibernéticas de gosto muito duvidoso. Com esta estratégia granjearam muitos votos, sobretudo junto dos extractos populacionais menos informados, mas deixaram os respectivos concelhos atrasados em domínios essenciais, que agora vão ter muita dificuldade em recuperar.
A actividade de cada município reflecte muito o estilo e o modo de actuação dos seus autarcas. Por cá, em Amarante, não somos excepção. Armindo Abreu não é um presidente mediático, tido como autor de rasgos visionários. É um autarca de “low profile”, isto é, um presidente discreto. Não quero com isto dizer que o presidente amarantino não é eficaz. O nosso autarca tem um modo próprio de trabalhar. Mais discreto, mas persistente, procurando alcançar os seus objectivos de forma que considera mais vantajosa para os amarantinos. Alguns comparam isso a falta de ambição. Tenho uma opinião diferente e assento esse meu ponto de vista na obra que Armindo Abreu e as suas equipas já conseguiram, independentemente de haver ainda muito para se fazer, como aliás reconhece o edil.
Os 30 anos de poder democrático em Portugal valeram a pena. Aqui em Amarante, creio, será dos concelhos do nosso espaço regional onde esse desiderato terá sido mais bem conseguido.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

> Vitória de Armindo Abreu


Haverá em Amarante, por estes dias, razões para satisfação em Amarante? Têm sido meses de turbilhão na saúde, sobretudo com as polémicas decisões da tutela que têm retirado valências ao hospital de S. Gonçalo, mas a recente vinda do ministro Correia de Campos a terras de Pascoaes traduziu-se numa prenda para todos os amarantinos, sobretudo para o presidente da Câmara.
O anúncio de construção de um novo hospital e os elogios do ministro ao líder da edilidade constituíram uma das maiores vitórias de sempre de Armindo Abreu, que terá vivido na segunda-feira passada uma página inolvidável.
Recorde-se que o ministro foi eloquente quando afirmou, perante uma vasta plateia que enchia o auditório do hospital, que a decisão política de construção do novo equipamento também se deveu à “postura serena” que Armindo Abreu adoptou nos últimos meses, sobretudo a “forma dialogante” que sempre teve com o Governo no polémico processo de encerramento da maternidade. Essa postura terá sensibilizado o ministro… Direi que Armindo Abreu terá jogado nos últimos tempos algum capital do seu futuro político. Fez uma aposta que considerei arriscada, quando acabou por contrariar a opinião pública concelhia ao não defender de forma inequívoca a continuidade da maternidade. Já escrevi em editorial que se as coisas tivesses evoluído em sentido diferente, isto é, se o governo não tivesse avançado com esta contrapartida do novo hospital, tudo poderia ficar complicado para o presidente da Câmara e para o PS. Estes, com certeza, iriam ser responsabilizados nas próximas eleições autárquicas, pelos seus adversários, pela perda de valências do hospital. Mas, pelo que segunda-feira se ouviu da boca do ministro, Amarante vai ter mesmo um novo hospital e, assim sendo, Armindo Abreu só deve ter razões para sorrir, conquistando um trunfo político que poderá ser determinante dentro de três anos quando os amarantinos forem chamados a votar. A esta vitória a toda a linha de Armindo Abreu não deve estar alheia a experiência e intuição política do autarca, sobretudo a forma como, em tempo útil, soube ler a realidade nas entrelinhas. Nas conversas que teve com quem de direito neste processo, o autarca terá percebido que era muito difícil pôr travão à determinação do ministro quando este, escudado num discurso intransigente, decidiu encerrar a maternidade. Terá percebido Armindo Abreu que a popularidade que uma postura diferente lhe poderia valer em Amarante redundaria num diálogo de surdos com o Governo, com evidentes prejuízos para o futuro do hospital de S. Gonçalo, cuja continuidade sairia comprometida. Nem todos concordarão com esta visão, mas há que reconhecer que foi a estratégia que vingou, com inequívocas mais-valias para Amarante.
Mas, em minha opinião, haverá outro factor que poderá ter pesado nesta decisão do governo. O PS nacional e distrital está muito grato a Armindo Abreu pela vitória que conseguiu no ano passado, naquelas que foram as mais mediáticas eleições alguma vez realizadas em Amarante. Note-se que foi o único que conseguiu vencer os chamados candidatos arguidos e esse desiderato granjeou a Armindo Abreu um capital político sem precedentes no seio do PS. Sei que Armindo Abreu é ainda hoje saudado de forma efusiva quando se encontra com camaradas do partido em iniciativas de âmbito distrital e nacional. O presidente da Câmara potenciou agora esse trunfo para, numa conjuntura adversa, conseguir convencer a tutela a dar luz verde a uma obra que vinha a ser prometida por sucessivos governos e que muitos amarantinos já consideravam uma autêntica utopia.
2- Também por estes dias Amarante tem razões para estar satisfeito com outro dado recente. O semanário Expresso escolheu a nossa cidade com a que melhores espaços verdes tem no país. Amarante também ficou muito bem classificado noutros indicadores, como a preservação do património, relação com a água e paisagem, segurança, restauração, equipamentos desportivos, sinalética e qualidade dos espaços públicos. Estes dados só reforçam o que tenho defendido, isto é, que os amarantinos têm muitas razões para ter orgulho na sua cidade. Esta não é perfeita, mas as suas qualidades não merecem os comentários menos abonatórios que alguns dos seus filhos menos informados insistem verberar.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

> A execução de Saddam...

Recentemente, entraram-nos casa dentro as imagens da condenação de Saddam Hussein. Como muitos portugueses, também eu fiquei chocado com a barbaridade daquele acto, praticado por um Estado que se diz agora uma democracia! É certo que Saddam foi um dos mais sanguinários ditadores de sempre. É certo que merecia um castigo exemplar pelo sofrimento que infligiu a milhões de iraquianos nos longos anos do regime sunita que liderou com punhos de aço.
Mas castigo exemplar não significa pena de morte, à qual, por uma questão de princípio e filosofia de vida, me oponho em todas as circunstâncias. Não concebo que um Estado se arrogue no direito de violar o mais elementar dos direitos humanos – o direito à vida – e distribua imagens da vítima prostrada, que chocaram os mais sensíveis, inclusive muitas crianças.
Além disso, a execução da pena capital numa fase crucial como esta para a pacificação do Iraque poderá politicamente revelar-se um autêntico barril de pólvora, acentuando as clivagens culturais e religiosas no país, de consequências imprevisíveis. Alguns observadores falam do receio de uma guerra civil generalizada, convicção que os norte-americanos parecem querer levar muito a sério, protagonizando também eles uma fuga para a frente. Pelo que se ouve, a administração Bush, fazendo jus à sua inabilidade para lidar com o problema, em vez de seguir as recomendações que tem recebido para reduzir a sua presença no Iraque, prefere fazer o contrário, reforçando o contingente naquele autêntico inferno para as suas tropas.
Voltando a Saddam. Acredito que o Estado iraquiano teria dado um sinal de tolerância se tivesse evitado a pena capital, comutando-a pela prisão perpétua. Seria uma mensagem de perdão parcial pelas atrocidades cometidas pelo ditador e talvez o gesto pudesse ser bem acolhido pela comunidade sunita, apaziguando o clima de tensão que grassa no país.

> O IRS e os jogadores de futebol

Por estes dias, um dos temas da actualidade tem a ver com a intenção do governo de obrigar os jogadores de futebol a pagar IRS calculado a partir da totalidade dos seus rendimentos, em vez dos 60 por cento como acontecia até agora.
Esta decisão foi contestada vivamente pelo sindicato dos jogadores, que a considera injusta, ao ponto de ameaçar com greve se a mesma for por diante. Os jogadores alegam que têm uma profissão de desgaste rápido e que, por isso, merecem discriminação positiva.
Os argumentos dos jogadores são há muito conhecidos, mas admito a minha surpresa quando estes, agora, acrescentam que estão dispostos a fazer greve como forma de pressão.
Discordo em absoluto dos argumentos dos jogadores, sobretudo quando alegam que exercem uma profissão de desgaste rápido… Quererão esses cidadãos dizer que aos trinta e poucos anos ficam impedidos de trabalhar? Quando muito, terão dificuldade em prosseguir a actividade como jogadores, mas mantêm todas as faculdades físicas para abraçar qualquer outra profissão, inclusive algumas na área do futebol, como a de treinador. Quantos portugueses perdem o emprego aos 30 anos e têm de se desenrascar numa actividade diferente da que exerceram anteriormente? Os jogadores não são diferentes dos demais cidadãos. Além disso, ninguém os obrigou ao exercício daquela actividade, que sabiam de antemão teriam de abandonar aos trinta e poucos anos.
Os jogadores não podem ser uma classe privilegiada. Como se pode justificar que um senhor que ganha milhões e ostenta sinais exteriores de riqueza sumptuosos pague de IRS uma percentagem do seu ordenado inferior à da generalidade dos portugueses? Considero essa actual distorção do nosso sistema fiscal uma verdadeira imoralidade, que urge ser corrigida. Faz-me lembrar aquela hilariante “boca” do presidente da Federação Portuguesa de futebol no final do Mundial, quando, em nome do sentido patriótico, sugeria que os chorudos prémios pagos aos pobres jogadores da selecção fossem também isentos de tributação pelo IRS.