
Por estes dias, Amarante tem assistido a ténis de grande nível com um torneio internacional feminino.




Na região Norte deste nosso Portugal, as Festas do Junho constituem uma das mais marcantes manifestações religiosas e profanas.

Nasceu então mais um castelo na areia...
A última reunião da Assembleia Municipal de Amarante foi das mais pobres em termos de debate político das realizadas este mandato.
Ontem vibrei, emocionado, com o regresso do meu Vitória de Guimarães à primeira divisão do nosso futebol.

Na noite de sábado o auditório da BM de Felgueiras encheu para assistir à representação da peça "A enferma", pelo Teatro Oficina Fonseca Moreira.
Em 1999 fui trabalhar para o Repórter do Marão, cuja sede é a cidade de Amarante. Tive então oportunidades de aprofundar o contacto com uma terra que já então apreciava. Desde então mantive-me ligado a esta terra, onde ainda exerço a minha actividade profissional diária, enquanto director do semanário "O Jornal de Amarante".
Decorreu esta tarde em Felgueiras um workshop que serviu acima de tudo para apresentar um estudo relativo ao futuro do concelho.Neste trabalho foi possível confirmar algumas das grandes fragilidades do concelho, sobretudo a reduzida qualificação da mão-de-obra, que dificulta a competitividade do concelho no quadro regional, nacional e internacional. Também o poder de compra por cá é mais baixo do que a média do país e da região Norte.
Apesar disso, os dados mais recentes sobre a competitividade da indústria de calçado de Felgueiras não deixam de ser contraditórios face ao quadro traçado esta tarde. Como é possível que um concelho com tão baixas qualificações profissionais, pelo menos observadas no plano académico, seja líder destacado das exportações nacionais de calçado? Há aqui, com certeza, fenómenos que carecem de uma análise profunda, também no plano sociológico, que não se limite aos estudos académicos, tantas vezes redutores, porque de alguma maneira desfasados da realidade...
Decorreu há dias em Felgueiras a apresentação do projecto de remodelação do Teatro Fonseca Moreira. Pareceu-me ambicioso e muito bonito, cuja concretização não deixará de orgulhar todos os felgueirenses.
Neste Dia Mundial do Livro realizou-se em Amarante uma feira do livro dedicada exclusivamente às crianças.
E mais uma vez sinto vontade de abordar duas matérias intrinsecamente ligadas entre si, já neste espaço recorrentemente objecto de reflexão. Reporto-me, em primeira análise, às questões inerentes ao tratamento jornalístico de determinados temas, e em segunda perspectiva, mas tantas vezes associada à primeira, à maneira como a praxis da política suscita um olhar crítico do senso comum.
Tirei esta foto há poucas horas, porque fui ao circo… É verdade, há muito tempo que o não fazia…
Acompanhei ontem com especial atenção o depoimento de Júlio Faria no processo em que é arguido, no âmbito do chamado “saco azul”.

Completaram-se recentemente seis anos sobre a derrocada da ponte Hintze Ribeiro,
Lembro-me dessa tragédia de forma intensa, porque foi um acontecimento que, enquanto jornalista, cobri no local, designadamente os trabalhos de busca dos corpos das vítimas nas intrépidas águas do Douro.
Jamais esquecerei as expressões, os olhares distantes dos familiares das vítimas que se encontravam no “teatro” das operações de resgate dos corpos. Eram pessoas simples e ainda incrédulas com o que o destino reservara horas antes. Alguns, amontoados a um canto, sob guarda-chuvas incapazes de suster a intempérie, ainda soluçavam. No rosto, as lágrimas misturavam-se com as gotas da chuva, que eram registadas pelas câmaras dos fotógrafos. Nem a presença dos mais altos magistrados da nação, Presidente da República e primeiro-ministro, eram capazes de aliviar o sofrimento daquelas pessoas.
Retive na memória as incessantes passagens dos helicópteros sobrevoando em círculos as águas barrentas do Douro, enquanto os mergulhadores, nos seus botes, observavam, impotentes, a corrente que esbarrava nos pilares da velha ponte. A imagem do resgate do autocarro ao grande rio suscitou-me uma das emoções mais intensas que alguma vez senti nesta profissão. Foi uma emoção de grande tristeza, mas simultaneamente de enorme revolta. Não compreendia como tinha sido possível ter acontecido aquela tragédia. Por instantes, escondido pela máquina fotográfica que instintivamente “disparava para registar o momento”, refugiei-me num alvoroço de emoções. Imaginava o desespero dos infortunados 59 turistas que regressavam de um passeio às amendoeiras em flor. Como terão sido os seus últimos segundos de vida? O seu desespero, a sua impotência face a um destino cruel que os escolhera para sucumbir vítimas da incúria de uns quantos…
Recordo que dois ou três dias antes da tragédia eu próprio havia atravessado a mesma ponte, regressando de uma deslocação a Castelo de Paiva. Quando o fiz, percebi a violência da corrente do Douro e quão frágil era aquela travessia, que estremecia com intensidade, que já então eu considerava anormal, a cada passagem dos pesados camiões carregados de inertes. Sentia sempre aquela insegurança quando tinha de atravessar a ponte Hintze Ribeiro. Recordo que, quando podia, atravessava-a a grande velocidade, procurando assim enganar o medo…
Volvidos seis anos, as recordações mantêm-se bem vivas. Tão vivas quanto a consternação que decorreu da incapacidade do Estado apurar os responsáveis. Fica-se sempre com a sensação de que os grandes responsáveis pela tragédia nunca terão estado sentados no banco dos réus e que neste apenas tiveram de responder protagonistas menores.
Dos anos que antecederam a derrocada da ponte, recordo as sucessivas chamadas de atenção dos presidentes das câmaras de Penafiel e Castelo de Paiva para o perigo daquela travessia rodoviária. Também um deputado do PS, que ainda hoje o é,
Com a tragédia, os cidadãos deram-se conta do quanto os governantes estão distantes do país real, umas vezes mal informados por uma administração ineficiente e demasiado tecnocrata, outras por uma sobranceria que os torna insensíveis aos clamores da “província”.
Mas a derrocada do tabuleiro e a morte das 59 pessoas acabaram por, pelo menos no plano político, acordar os governantes, que rapidamente transformaram a fome em fartura. Meses antes não havia verbas para construir uma ponte, mas após o desastre logo foram descobertos recursos para construir não uma mas duas pontes. Aqui ficou evidenciada a incoerência de uma governação.
As pontes nasceram rapidamente mas frenesim de obras por tudo quanto tinha a ver com Entre-os-Rios foi-se esboroando. Os grandes projectos foram anunciados com pompa a circunstâncias, mas desses, pouco foi feito ainda, faltando aquela que era a infra-estrutura mais emblemática – a construção do IC 35, ligando Penafiel a Castelo de Paiva, que foi anunciada como uma via rápida que iria finalmente compensar a região por longos anos de esquecimento. Os estudos sucederam-se, os ante-projectos também, mas a obra não sai do papel, mantendo-se as mesmas dificuldades para chegar àquela localidade… Esperemos que a história não se repita.
O país já está em pré-campanha para o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Por estes dias, vamos ouvindo argumentos mais ou menos contundentes num e noutro sentido, de tal forma que parte dos cidadãos se vai sentindo um pouco confusa, sobretudo os que não têm uma opinião muito firme sobre a matéria. Ouve-se os argumentos do sim e do não e reconheçamos que ambas as parte vão esgrimindo razões fortes às quais não ficamos indiferentes.
Esta não é uma matéria de esquerda ou de direita. Trata-se de uma questão de consciência. Tenho, como é óbvio, uma opinião, que não vou revelar de forma explícita neste editorial, obrigado que estou, enquanto director, ao princípio da isenção. Prefiro reflectir noutro sentido. Espero que a campanha eleitoral não se transforme numa cacofonia e “folclore” de argumentos num e noutro sentido, uns mais demagógicos do que os outros, que só vão contribuir para uma menor sensibilização das pessoas. Seria bom que, desta feita, o debate fosse elevado e clarificador, o que também seria um factor acrescido de motivação para que os cidadãos votem maciçamente. Depois, só há que respeitar o veredicto do eleitorado, alterando-se ou não a lei em vigor.
(In Editorial de "O Jornal de Amarante"