sexta-feira, 24 de agosto de 2007

> Passeio à rota das aldeias históricas...











Saciando a minha paixão pela história, no passado fim-de-semana repeti a rota das aldeias históricas, nas beiras Alta e Baixa do nosso Portugal.
Recordei as aldeias medievais de Sortelha, Castelo Mendo, Almeida, Linhares e ainda passei por Belmonte. Há alguns anos já tinha estado em Monsanto, Folgosinho, Idanha-a-Velha, Castelo Novo, Castelo Rodrigo e Penha Garcia.
Para uma próxima oportunidade ficou Marialva, próxima de Trancoso, que ainda não conheço.
São aldeias magníficas, muito bem preservadas, quase todas com os seus castelos, que retratam o passado heróico dos nossos antepassados da raia, sobretudo o quanto foi duro sermos hoje um Estado independente.
No final ainda dei um saltinho à minha serra preferida: O Açor, terra do xisto. Ali “revisitei” coisas lindas, como o Piódão e as fantásticas quedas de água da Fraga da Pena.
Para não andar carregado, não quis levar equipamento profissional de fotografia. Captei estas imagens com a minha pequena Nikon compacta Coolix E4100, que partilho agora com os meus amigos…

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

> Desvios de um caminho certo...

Por estes dias as notícias continuam a dar conta da subida dos preços dos combustíveis em Portugal. Assistia há dias, num dos canais da RAI, a um noticiário no qual se exibia, com espanto do jornalista, um gráfico que apontava o nosso país como um dos que pratica preços mais elevados na gasolina e no gasóleo.
O espanto do jornalista transalpino faz sentido, porque é conhecedor do baixo nível de rendimento dos portugueses - o mais baixo da Europa a 15. Imaginava o repórter o esforço que cada “portuga” teria de fazer para, com o mais baixo rendimento do velho continente, suportar os combustíveis mais caros.
Nessa reportagem eram exibidas entrevistas de rua com vários cidadãos italianos, que iam comentando mais um aumento dos combustíveis. Todos protestavam e alguns diziam que o gasóleo e a gasolina tinham atingido valores quase insuportáveis. Assistindo à reportagem, ia confidenciando com os meus botões o quanto os italianos, apesar e tudo, no caso em apreço, até são pessoas com sorte, porque, como se sabe, têm um rendimento médio muito superior ao dos portugueses e, por isso, terão mais capacidade para suportar os custos do combustível.
Mas, perguntarão alguns leitores mais desatentos, a que se devem os preços tão altos do combustível em Portugal, quando todos os países da Europa Ocidental adquirem o “ouro negro” nos mercados internacionais a preços semelhantes?
Tudo tem a ver, como saberão os mais atentos, com o imposto cobrado no nosso país, o chamado ISP, que é um dos mais elevados da Europa. Li há dias num jornal de economia que mais metade do que pagamos nas bombas de gasolina vai para os cofres do nosso guloso Estado. É também este Estado responsável por abocanhar mais “uma pipa” de impostos nos automóveis que compramos, transformando-os nos mais caros da Europa. Quando, há uns anos, adquiri uma viatura diesel de cinco lugares tive a curiosidade de ver quanto custava o mesmo automóvel em Espanha. Com meia surpresa constatei que custava menos cerca de cinco mil euros do que em Portugal. Se à diferença de preço acrescentarmos o nível do poder de compra dos dois países, concluiremos que um automóvel do lado de cá da fronteira custará cerca do dobro do que custa por terras castelhanas. Fiquei revoltado e, por instantes, apeteceu-me ser espanhol! O preço da gasolina e dos automóveis são apenas dois entre muitos exemplos (ocorre-me também o diferencial brutal da taxa do IVA) do quanto os portugueses estão a anos luz dos nossos vizinhos.
Obviamente, todos temos aquele orgulho de sermos portugueses. Prezamos a nossa história, a nossa cultura, prezamos a nossa língua e a maioria de nós nem sequer equacionaria uma hipotética mudança de nacionalidade. Obviamente que adoro o meu país, cujo hino ouço com profunda emoção.
Esse amor pátrio, mas de povo sofrido, num estado de alma tão lusitano, não nos deve inibir de reflectirmos porque somos tão mal tratados por um Estado luso tão guloso. Um Estado que nos sufoca com impostos intermináveis, sem que, como contrapartida, tenhamos serviços públicos de qualidade, compagináveis com o nível de taxas que somos obrigados a suportar.
Também é legítimo a cada português ousar questionar a Europa que temos. Uma Europa que nos obriga a mil e uma coisas, cumprindo uma teia de directivas e sufocando-nos com taxas de juro determinadas em Berlim ou Bruxelas à revelia dos interesses dos mais pequenos, mas que não é capaz de impor aos Estados gulosos, como o nosso, modelos fiscais tão harmonizados quanto possível, porque a imposição das taxas de juro não tem as mesmas consequências em todos os estados. Por cá, por exemplo, o impacto do aumento das taxas é brutal, atendendo que os portugueses não têm a mesma capacidade financeira dos alemães ou dos holandeses.
Pode parecer um paradoxo, mas sou defensor do processo de construção europeia, porque entendo que no deve e haver, tem valido a pena a nossa aposta de integração.
Mas essa convicção não nos deve tolhir de ousar questionar aqueles que nos parecem ser os desvios de um caminho…

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

> Mostra do Tâmega: ponto de partida

A Mostra do Tâmega que decorreu recentemente em Amarante é um sinal positivo do quanto um bom entendimento entre os municípios da região pode redundar em iniciativas importantes, como este certame.
Os resultados das eleições autárquicas de 2005 trouxeram, de facto, uma lufada de ar fresco na forma como os municípios do Baixo Tâmega perspectivam o associativismo.
A ida às urnas ditou o desaparecimento do poder dos dois autarcas que mais resistiam ao espírito associativo: Ferreira Torres, em Marco de Canaveses, e Emília Silva, em Baião. Eram duas pessoas, que perfilhavam um cunho muito individualista e que, visivelmente, não se reviam no esforço que outros autarcas da região, nomeadamente Amarante, iam desenvolvendo no sentido de conferir a este espaço territorial uma visão mais concertada do futuro. Hoje o desenvolvimento não pode ser visto numa mera perspectiva de capela, com cada concelho a olhar exclusivamente para o seu umbigo. Infelizmente, também por cá, em Amarante, ainda há muita gente que continua a alimentar uma visão redutora de desenvolvimento, quase do tipo orgulhosamente sós, como se viu recentemente com a mesquinha resistência dos apoiantes de Ferreira Torres e até o PSD à adesão do município de Amarante à Fundação Eça de Queiroz, só porque aquela tem sede em Baião. Já é tempo de deitarmos para trás das costas as invejas do vizinho do lado e olharmos para ele, não de soslaio, mas como parceiro, entre iguais, num trilho de desenvolvimento.
Os municípios são demasiado pequenos para, num quadro nacional e europeu, enfrentarem, isolados, os desafios de futuro. As grandes estratégias de desenvolvimento têm de ser pensadas e desenvolvidas num contexto regional, aliás como já está implícito no novo Quadro de Referência Estratégica Nacional, cujos fundos estão vocacionados para projectos de um âmbito que extravase as fronteiras de um qualquer município. Há que equacionar as políticas numa lógica regional, dotando o conjunto destes seis concelhos, de forma equilibrada e adequada às características de cada um, das ferramentas essenciais para vencer, falemos nós de equipamentos colectivos, acessibilidades, investimentos na indústria ou em infra-estruturas turísticas.
Hoje, no Baixo Tâmega respira-se confiança, porque os seis municípios têm em comum a vontade de trabalhar em conjunto. Percebe-se que há um bom relacionamento pessoal entre os autarcas e isso, como se sabe, facilita bastante o trabalho em equipa.
O Baixo Tâmega foi visto durante muitos anos, inclusive pelos sucessivos governos, como uma região difícil, também porque os autarcas não apresentavam coesão bastante para trabalhar em conjunto. Lembramo-nos todos, há alguns anos, do atribulado processo de construção de um aterro sanitário que pusesse termo ao cancro das lixeiras. Durante anos, os autarcas não se entenderam sobre a localização. Alguns queriam ver resolvido o problemas, mas, numa visão muito ortodoxa, desde que o aterro não fosse parar aos seus concelhos. Foi assim durante anos até que, um dia, apareceu cá um ministro do Ambiente com “mão de ferro” e deu um murro na mesa. Ou os autarcas se entendiam ou ficariam com um problema gravíssimo entre mãos. Esse ministro chamava-se José Sócrates e a ele se deve o facto de hoje termos uma empresa, a Rebat, com capitais públicos, inclusive dos seis concelhos, que gere com sucesso a política de resíduos sólidos na região.
Esta foi uma boa experiência, aliás a única com efectiva dimensão, que o Baixo Tâmega foi capaz de construir. Mas ficou a ideia, consubstanciada em resultados práticos, de que, em determinadas áreas, trabalhar em equipa é sempre mais fácil e eficaz do que isoladamente.
Hoje em Marco de Canaveses e Baião temos autarcas de espírito aberto e moderno, que percebem as vantagens num entendimento estratégico com Amarante e com os municípios de Basto. Os nossos presidentes de Câmara estão sinceramente convencidos de que as sinergias criadas entre os seus municípios são fundamentais para ajudar a tirar a região da cauda do país. Mais ainda: estes autarcas tem de saber partilhar ideias, projectos e recursos porque só assim o Baixo Tâmega fará vingar a sua identidade, agora que se sabe que o QREN obriga a projectos conjuntos com o vizinho Vale do Sousa, uma região com muito mais pujança económica e coesão intermunicipal.
Esta Mostra do Tâmega é a primeira. Talvez por isso ainda dê mostras de alguma fragilidade, o que é natural. Mas, foi importante a sua concretização como plataforma para outras Mostras do Tâmega, nos próximos anos. Provou-se que foi possível realizar algo em comum, vencendo-se desconfianças antigas. Neste certame já se podem ver empresas de vários concelhos, que disseram presente ao repto da associação de municípios. Mas também outras não quiseram ou puderam vir, mas essas hão-de vir um dia, desde que percebam que vale a pena mostrar os seus produtos e serviços para um público que também ser quer cada vez mais regional e até nacional.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

> Olhar sensual no Descalço 2007

Foto: Armindo Mendes > Direitos Reservados

segunda-feira, 9 de julho de 2007

> Oposição musculada?

A última sessão da Assembleia Municipal de Amarante confirmou o que já se adivinhava: o PSD concelhio está com uma nova estratégia, assente numa oposição musculada ao executivo minoritário liderado por Armindo Abreu.
Ser-se oposição num executivo de maioria absoluta ou ser-se oposição num contexto de maioria relativa são coisas bem distintas. Além disso, ser-se oposição no quadro de um movimento político efémero como o protagonizado por um projecto independente e pessoal ou ser-se oposição enquanto partido político estruturado na democracia portuguesa são também coisas bem distintas. O sentido de responsabilidade e visão de futuro num ou noutro contexto são diferentes.
O PSD não pode dizer que quer levar por diante, no executivo, o projecto que apresentou ao eleitorado, porque esse foi derrotado nas urnas. Os sociais-democratas, enquanto homens e mulheres com sentido de responsabilidade, têm de aceitar as regras da democracia. Não podem querer impor aos amarantinos aquilo que eles não sufragaram nas urnas. Não devem querer fazer vingar as suas posições, aliando-se a um movimento de cariz iminentemente pessoal contra o qual se bateram na última campanha eleitoral. Creio que muitos sociais-democratas estão equivocados. Esquecer-se-ão os dirigentes desse partido que quem votou no seu projecto não se revia também no que era proposto pelo movimento ao qual se está agora a aliar de forma mais ou menos assumida, pelo menos no quadro do executivo? Aliás, o líder do PSD, Alberto Sampaio, desafiado pelos socialistas a esclarecer o posicionamento estratégico do seu partido, acabou por se contradizer na última AM, ao negar estar em curso um processo de coligação e logo a seguir dizer que “temos maioria”. O dirigente referia-se, eventualmente num lapso de linguagem, à coligação na Câmara PSD/Amar Amarante. Aliás, já vamos ouvindo da boca de alguns dirigentes laranja: “agora não deixamos passar nada”. Claro que nesta expressão está implícito um espírito de oposição permanente ao poder socialista, só possível porque assenta na premissa de que hão-de contar sempre com o apoio do movimento Amar Amarante, uma força que desde a primeira hora e pelas razões conhecidas se opõe com “unhas e dentes” à gestão de Armindo Abreu.
O PSD tem dito nos últimos dias que os seus autarcas e dirigentes pensam pela sua própria cabeça, o que é legítimo. Dizem que têm um projecto e é por ele que devem lutar. Só não se compreende que a luta se esteja a fazer num órgão executivo, comprometendo a governação do executivo. A legítima necessidade de afirmação do projecto alternativo do partido na praça pública não deve ser feito no quadro do executivo municipal, adoptando uma oposição sistemática. Isso é sobrepor os interesses do partido aos do concelho.
Parece-me um erro estratégico do PSD. Há momentos para a luta política e momentos para o primado do sentido de responsabilidade. No executivo, o PSD, enquanto partido com legítimas aspirações ao poder, devia, em nome dos interesses do concelho, procurar entendimentos com o PS e esses só eram alcançados adoptando uma postura menos crispada, que quase sempre redunda em posições extremadas de ambas as partes.
O líder do PS na AM, Abel Coelho, afirmou que se esta postura do PSD se mantivesse não hesitaria em propor ao seu partido uma clarificação da situação política, entenda-se, presumo, eleições intercalares. Será que é isso que o PSD anseia com esta estratégia de oposição musculada? Se assim for, estará a sobrepor os interesses partidários aos do município, porquanto a marcação de eleições iria provocar uma paralisação do concelho, que teria um novo executivo para apenas um ou dois anos, por isso sem tempo para concretizar um programa minimamente sustentado. E nessas eventuais eleições intercalares dar-se-ia corpo à grande coligação de centro direita que o ex-líder do partido, Abel Afonso, sugeriu recentemente? E essa coligação integraria elementos ditos de direita que estiveram no movimento Amar Amarante, contra os quais o PSD tanto se bateu e apelidou do movimento populista? Creio que esse partido estaria a lavrar numa enorme incoerência, que o eleitorado terá dificuldade em compreender. Além disso, como se lê nos livros da ciência política, daria azo à vitimização do Partido Socialista.
Não era mais lógico ao PSD criar condições de governação no executivo, negociando com os socialistas algumas contrapartidas políticas, enquanto, além de arrumar a sua casa, ia estruturando o um projecto alternativo para daqui ou dois anos o submeter ao veredicto do eleitorado?

segunda-feira, 25 de junho de 2007

> O tempo está a mudar

Quase todos os anos, em Junho, costumo passar uns dias de férias no Algarve. Este ano aconteceu algo que acabou por fugir ao habitual. Reporto-me às condições climatéricas com que efectuei a viagem de automóvel até ao Sul do país. Nunca, nesta altura do ano, o tinha feito sob chuva tão intensa, que me acompanhou até à zona de Santarém. Só muito perto do Algarve o sol despontou por entre as nuvens. A viagem tornou-se muito mais cansativa, atendendo à velocidade reduzida e à atenção redobrada a que me vi obrigado. Este desinteressante intróito vem a propósito de uma reflexão que me proponho fazer a propósito das alterações climáticas que todos vamos observando. As nossas gerações apercebem-se que o tempo está a mudar. Os mais velhos fazem frequentes observações no sentido de que antigamente o tempo era mais previsível, consoante as estações do ano. Eu próprio tenho essa sensação, recordando a infância e o tempo que então se fazia sentir nas diferentes estações.
Os técnicos da meteorologia são muitas vezes convidados pelos “media” a comentar situações aparentemente anormais do estado do tempo: quando faz muito frio, muito calor, chove demasiado ou enfrentamos períodos estivais demasiado longos. Quase sempre vão dizendo que estas fases ditas anormais acabam por não ser tão anómalas, se vistas num quadro mais alargado de tempo - décadas ou até séculos -, adiantando dados estatísticos que sustentam as suas teses. No entanto, vai havendo outros técnicos, de várias especialidades científicas, que defendem que as alterações climáticas que vamos sentindo não são virtuais, existem mesmo e têm dados que as comprovam, sobretudo o aumento da temperatura média do planeta, que tem consequências enormes no clima e no despoletar de situações climatéricas extremas, como períodos muito longos de seca em determinadas zonas do globo onde não eram habituais, ou chuvas intensas noutras zonas do planeta até há pouco nada propensas a esses fenómenos meteorológicos, já para não falar da quantidade inusitada de grandes furacões que vão fustigando vários países.
A comunidade científica há muito que alerta o mundo para as loucuras que continuamos a praticar, enviando para a nossa atmosfera milhões de toneladas de gases poluentes que acentuam o efeito de estufa e assim provocam o aumento gradual da temperatura. Todos os anos são tornados públicos dados que comprovam o progressivo desaparecimento das grandes massas geladas do planeta, nos dois pólos, o que vai aumentando o nível médio dos oceanos. De tal forma assim é que muitas zonas costeiras em todo o mundo estão em risco de desaparecer, o que já está a ocorrer com algumas ilhas do Pacífico e do Índico. A subida das águas, dizem os entendidos, explica em parte as alterações climáticas, uma vez que alteram o equilíbrio entre as massas de ar da nossa atmosfera.
Todos vamos ouvindo e lendo este tipo de informações. Sabemos que somos também culpados e claro que ficamos apreensivos. Porém, independentemente daquilo que, a título individual, poderemos fazer para ajudar o planeta, ficamos com a sensação de que o que há a fazer depende essencialmente de decisões urgentes a tomar pelos governantes do mundo, sobretudo pelos estadistas dos países ditos industrializados, os que são responsáveis pela emissão de maiores quantidades de gases poluentes. Alguma coisa se tem feito para tentar controlar a poluição, impondo quotas de poluição aos países, pelo menos os que têm subscrito acordos internacionais. Algumas nações, sobretudo europeias, têm feito progressos significativos a esse nível, apostando em fontes de energia renováveis e não poluentes, como a energia das marés, o aproveitamento biomassa ou a fonte eólica. Pena é que o maior poluidor do mundo se mantenha à margem deste esforço. Os Estados Unidos da América têm-se recusado a assumir compromissos com a comunidade internacional no sentido de reduzirem as suas emissões. É mais um gesto egoísta de uma grande potência que está mais preocupada em continuar a sustentar a sua máquina industrial muito assente nas fontes de energia poluentes como o petróleo ou o carvão e um modo de vida que cultiva um consumismo desenfreado.
Enquanto os EUA e outros grandes poluidores como a Índia ou a China não arrepiarem caminho nesta importante matéria, o nosso planeta vai ficando mais sujo e o clima vai deixando de ser aquilo que era…

sábado, 16 de junho de 2007

> Bordados de Figueiró - uma beleza...


O PSD de ontem e de hoje

Em Amarante, a reunião de Câmara da passada segunda-feira foi muito quente, com a discussão de importantes matérias para o concelho.
Ocorre-me, a propósito, fazer uma observação à postura que os eleitos do PSD evidenciaram nos trabalhos de segunda-feira passada. Independente da valia política e técnica das posições que defendiam, tão respeitável ou censurável quanto a dos adversários, inclusive do poder, não se percebe o tom crispado com que eram apresentados os argumentos, transmitindo aos trabalhos uma acidez que há muito não se via nas reuniões do executivo amarantino. Não me parece que esta seja a linha de oposição consentânea com os pergaminhos de um partido de oposição, que se quer apresentar como uma alternativa credível ao PS. Falar mais alto e em tom grave não é sinónimo de se estar coberto de razão. As frases redondas, quase roçando o populismo, com que o PSD se ia opondo às propostas do PS, acabam por marcar uma fronteira, bem vincada, com o PSD recente que víamos no executivo, mais interessado em procurar encontrar uma solução de governabilidade para o concelho, que era seu dever, enquanto partido responsável e incontornável da nossa democracia.
Será que esta nova onda laranja, cuja acidez foi também, a espaços, perceptível na Convenção Autárquica do passado sábado, é a orientação estratégica que vai vingar doravante? Se assim for, entraremos num novo ciclo, com consequências imprevisíveis, na certeza de que, quase sempre, o eleitorado penalizará a política da crítica redonda e premiará quem, na oposição, sobretudo quanto esta é exercida num quadro de tão grande responsabilidade como aqui em Amarante, souber fazer honrar o primado da política responsável e consequente enquanto projecto alternativo.

> Ponte de S. Gonçalo nas Festas do Junho


domingo, 10 de junho de 2007

> Amarante: capital cultural da região...

Enquanto por Amarante alguns vão fazendo a política nem sempre coerente da crítica gratuita, o presidente da Câmara, Armindo Abreu, averbou nova vitória política ao apresentar um programa de animação de Verão para a cidade verdadeiramente notável e que até poderia servir de exemplo para outras paragens…
Até final de Agosto, são dezenas de espectáculos, exposições, representações teatrais, concertos de música clássica e outras as actividades que vão animar diariamente o centro histórico da cidade.
Que ideia excelente para continuar a consolidar o prazer de fruir Amarante, passeando pelas suas ruas serpenteantes, recheadas de referências históricas… Os muitos turistas agradecem, mas a maioria dos amarantinos também, o que vai consolidando a idea de que Amarante reúne cada vez mais requisitos para ser considerada, sem favores, a capital cultural da região.

> Acreditará o líder laranja?

Em que pensava Marques Mendes em mais uma passagem por Felgueiras, marcada por palavras duras para com o poder do MSP?

E acreditará o líder laranja que é desta que os seus correligionários em Felgueiras se vão deixar de tibiezas assumir de forma inequívoca, em todos os fóruns, o papel de partido de oposição?

sábado, 9 de junho de 2007

> Torneio internacional de ténis em Amarante


O desporto proporciona imagens espectaculares. É um dos meus temas preferidos.
O ténis não é excepção… Será aliás, das modalidades que oferece momentos mais difíceis de registar em fotografia, tal a velocidade a que se disputa.

Por estes dias, Amarante tem assistido a ténis de grande nível com um torneio internacional feminino.


terça-feira, 5 de junho de 2007

> Natureza: regresso às origens...


A natureza exerce sobre muitos de nós um fascínio imenso. Ora no campo, ora no litoral, as imagens são diferentes, mas a sensação de liberdade é muito bela.
É uma espécie de regresso às nossas origens mais ancestrais...

> A alegria de ser criança


Imagem captada em Santa Quitéria, no Dia Mundial da Criança

segunda-feira, 4 de junho de 2007

> A ternura de um momento...

A ternura de um momento... A solidão de um reformado numa tarde de domingo, consolada pela companhia de pombos, que matam a fome com umas simples migalhas de pão...
(Imagem captada domingo à tarde em Viana do Castelo)

domingo, 3 de junho de 2007

> Sessão de fogo no Junho de Amarante (fotos Armindo Mendes > Todos os direitos reservados)

A sessão de "fogo de rio" das Festas de Junho em Amarante costuma ser muito especial.
Este ano não fugiu à regra e fez jus à fama de longa data.
No sábado à noite, a "Princesa do Tâmega" encheu-se de milhares de pessoas que, ora de olhos postos no céu ora no espelho de água, se deliciaram com a fantasia das mil e uma cores sobre o Tâmega, que transmitiram um mar imensamente belo de sansações...
Aqui ficam algumas imagens que captei com a minha câmara para mais tarde recordar...












sexta-feira, 1 de junho de 2007

> O Dia Mundial da Criança


Não há dia mais bonito no ano que o Dia Mundial da Criança.
Um sorriso num rosto de uma criança é o sol na vida dos seus pais...

(Imagem captada hoje no jardim-de-infância de S. Jorge de Várzea - Felgueiras)

As festas do Junho em Amarante


Na região Norte deste nosso Portugal, as Festas do Junho constituem uma das mais marcantes manifestações religiosas e profanas.
Por estes dias, milhares de pessoas, oriundas de mil paragens, acorrem à "Princesa do Tâmega", imbuídas ou não de motivações religiosas.
Nos três dias de festas são imensas as multidões que deambulam pelo velho burgo amarantino, mas com epicentro no Mosteiro de S. Gonçalo, num gesto genuíno de devoção e tributo ao padroeiro. Muitos romeiros, recolhidos em momentos de oração na igreja de repleta de fé, aproveitam estes dias para pagarem a suas promessas. A fé completa-se para muitos no simples momento em que põem a mão na imagem do santo.
É na missa de domingo que a fé falará mais alto. A igreja enche-se de fiéis e os cânticos solenes ecoam nas paredes majestosas.
Igualmente reduto de fé é a majestosa procissão, com características singulares no país. As ruas serpenteantes cobrem-se de colchas. Muitos milhares de fiéis recolhem-se nas bermas à passagem da imagem de emolduram a procissão. Milhares de flores cobrem as calçadas graníticas e perfumam um ambiente único destas festas centenárias.
Mas outro ponto distintivo das festas amarantinas é quando o pároco da cidade sobe à Varanda dos Reis para deixar uma mensagem à cidade. No largo de S. Gonçalo milhares de pessoas assistem sempre àquele momento e aguardam que o padre lance os habituais cravos.
Mas o Junho é também uma enorme grito de cultura enraizada nas nossas gentes, que assim se revêem no seu Junho. Atente-se, por exemplo, o despique de bombos, o desfile etnográfico e as bandas de música, manifestações obrigatórias nestas festas, que evidenciam as características mais simples e rurais das aldeias amarantinas. As alvoradas também são animadas. Os grupos de bombos, honrando uma tradição antiga, marcham frenéticos na velha urbe, acordando os que, fadigados pelas noitadas, ainda retemperas forças.
Esta é uma festa para toda a família. Todos, em multidão, descem à cidade.
Dos carrinhos de choque, às farturas ou às tascas não faltam divertimentos e outros pontos de interesse.
Os jovens, principalmente os rapazes, folgam com as brincadeiras em torno dos famosos “S. Gonçalos”, os doces de forma fálica, alguns de dimensões ousadas, que oferecem às meninas. As mais acanhadas, cabisbaixas, até coram, mas as mais fogosas, agradecem o presente e retribuem com o sorriso atrevido e desafiador.
À noite, todos se aglomeram junto às pontes. O momento vai chegar. O fogo junto ao rio é uma delícia para olhos, que todos os anos fantasiam com o brilho cruzado proporcionado pelo espelho do Tâmega. De cabeça erguida, os corações de todos batem mais forte as pupilas dilatam, enquanto os ouvidos, vergados às tendências da moda, se deixam levar pela intrépida mistura do rebentamento dos foguetes e das melodias que potentes colunas de som vão espalhando pela urbe.
O Junho é assim mesmo. Tão cheio de tudo, tão cheio, afinal, de uma cultura que orgulha os amarantinos.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

> Os devaneios dos profissionais da política

A política à portuguesa tem-nos brindado nas últimas semanas com mais alguns episódios que pouco abonam à já muito depauperada imagem dos que dela fazem a sua vida.
O mais hilariante dos episódios foi protagonizado por um ministro. Conhecidas que são as extraordinárias intervenções a que já nos habituou o ministro da economia Manuel Pinho, nomeadamente quando disse na China que os salários baixos portugueses são uma vantagem competitiva da economia, agora foi a vez do titular da pasta das obras públicas, Mário Lino, que fez uma espantosa declaração quando considerou, a propósito da construção do novo aeroporto de Lisboa, que a margem Sul do Tejo é um deserto.
O senhor ministro não devia estar nos seus melhores dias. Então na margem Sul não há gente, não há hospitais e não escolas? Haverá só areia e camelos? Não sabe V. Exa. que aquelas bandas fazem parte da área metropolitana de Lisboa, ali vivendo centenas de milhares de pessoas em concelhos tão populosos como Almada, Seixal e Barreiro, entre outros? Aquele disparate dito da boca de um qualquer cidadão anónimo menos informado até seria desprezível, agora verberado por um ministro é altamente censurável e o país só não percebeu por que por que razão não teve ainda consequências no plano político. O segundo disparate, ainda a propósito do primeiro, acabou por ser protagonizado por Almeida Santos, presidente do PS, quando este, saindo em defesa de Mário Lino, falou do perigo de ataques bombistas nas pontes sobre o Tejo. Ao ouvir isto, imagine-se o que pensarão as dezenas de milhares de pessoas que atravessam diariamente as ditas pontes.
Com tais afirmações, a que se juntam as contradições do ministro da Economia sobre o encerramento de uma empresa em Castelo Branco, as de um secretário de Estado sobre os problemas informáticos do Tribunal Administrativo de Braga e o polémico excesso de zelo da directora da DREN ao suspender um professor só porque terá feito uma piada à licenciatura do primeiro-ministro, só adensam a ideia de que, tantas vezes, os nossos governantes, deste e doutros executivos, estão cada vez mais alheados do país real ou estarão muito mal assessorados.
Mas o devaneio dos políticos também encontrou eco nas hostes laranjas. Primeiro foi o antigo primeiro-ministro, Santana Lopes, a comparar o PSD de Marques Mendes a um estado nazi ou estalinista por impedir as candidaturas dos candidatos arguidos. Independentemente de se concordar ou não com essa orientação política da direcção social-democrata, Santana devia perceber que comparar um seu companheiro de partido a um ditador foi politicamente incorrecto e extremamente deselegante. Santana voltou a ficar mal na fotografia, dando mais um tiro no pé, fazendo-nos lembrar os meses atribulados em que foi chefe de um governo de má memória. Ainda no mundo laranja foi Carmona Rodrigues a dar corpo a mais uma cambalhota. Primeiro convocou os jornalistas para lhes dizer que não seria candidato, depois, porque a data das eleições foi alterada, voltou a chamar a imprensa para dizer que, afinal, já era candidato independente à Câmara de Lisboa. Tanta incoerência é mesmo muito difícil de se perceber. Será que Carmona não tem a lucidez de perceber que sob ponto de vista político, depois do que se passou nos últimos meses na Câmara de Lisboa, não tem o mínimo de condições para voltar a exercer o cargo de presidente? Será que o ex-autarca se vai sentir bem no papel de candidato independente contra o partido que o ajudou a eleger há dois anos? Será razão para questionar: a que se deve tanto apego ao poder?

> Amarante está em Festa com o Junho




segunda-feira, 28 de maio de 2007

> Futebol às 3 da tarde

Um dos últimos domingos foi dia de muitas emoções para quem gosta de futebol. Um pouco por todo o lado, milhões de portugueses assistiam nos estádios ou pela televisão aos últimos jogos do campeonato que iriam ditar o campeão nacional. Nunca antes tinha acontecido os ditos três grandes chegarem à última jornada com possibilidades matemáticas de alcançar o principal objectivo de uma época desportiva. Nos três estádios jogava-se muito com o coração, com os ouvidos nos campos dos adversários na luta ao ceptro nacional. Aquela emoção fez-me lembrar a minha infância quando os jogos se realizavam ao domingo, quase todos às três da tarde. Era outra emoção poder acompanhar o jogo do nosso clube e em simultâneo poder, pelo rádio de pilhas, em onda média, saber da evolução do marcador das partidas que envolviam os clubes rivais. Por isso, no passado domingo, até a “velha” rádio reassumiu o lugar de estrela, indissociada dos relatos de futebol, que já teve no passado.
Hoje o campeonato é mais artificial, no sentido em que está submetido ao jugo das audiências televisivas. Os estádios estão cada vez mais vazios e a magia do futebol enquanto espectáculo de cariz familiar tem-se perdido no nosso país. As televisões precisam do futebol porque lhes garante audiências e o futebol precisa das televisões porque é sinónimo de receitas. Vistas as coisas no plano meramente economicista, direi que já não precisamos de ir ao estádio para ver a bola e a bola também precisa cada vez menos de espectadores nas bancadas, porque as receitas de bilheteira vão sendo substituídas pelo dinheiro pago pelas televisões. Mas este é um raciocínio demasiado simplista, sobretudo porque encerra pressupostos redutores, como se o fenómeno do futebol se limitasse aos três grandes, os únicos que conseguem atrair a atenção para as transmissões televisivas. Então e os jogos entre os ditos mais pequenos? A esses pouca gente vai assistir. Os estádios estão às moscas e os jogos não têm encanto. Hoje preferimos o conforto do sofá, frente ao pequeno ecrã, para assistir às partidas mais emocionantes dos três grandes. Com esta tendência acentua-se o fosso entre os ditos grandes e os demais emblemas, cujas receitas, quase em exclusivo dependentes da TV, são incomparavelmente inferiores. Com estas e com outras, o país, também no futebol, vai vivendo cada vez mais a duas velocidades.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

> Crianças foram ao museu

A Câmara de Amarante assinalou o Dia dos Museus, proporcionado a visita de cerca de 700 crianças do pré-escolar ao Museu Amadeo de Souza-Cardoso.
Na iniciativa, actores da companhia de teatro Filandorra procuraram representar, de forma simples, a importância, a vida e a obra daquele importante artista amarantino.
Foi uma iniciativa interessantíssima que releva o trabalho de base e a longo prazo que é preciso fazer para despertar o interesse dos diferentes públicos para a cultura.




sexta-feira, 18 de maio de 2007

> Mais um castelo na areia...

Terminou esta sexta-feira, mais um dia de trabalho, culminando uma semana intensa.

O calor reapareceu, mais em Amarante do que em Felgueiras, pelo menos foi a sensação com que fiquei no meu habitual vai-vem entre os dois concelhos.

Quando, a meio da tarde, regressava de Amarante em direcção a Felgueiras, face ao calor que então sentia, quedei-me a espaços em pensamentos que me remeteram para umas férias recentes numa praia próxima de Aveiro...

… Ali, numa manhã que há pouco despertara, encontrava uma serenidade imensa. Peito aberto, sentia a brisa que embalsamava a alma. Sentado numa espécie de lençol de areia dourada, olhava o mar, de azul atlântico, que sempre me embalava o olhar.

Papá, papá! – era o meu filho, que chamava para mais uma brincadeira. Sem querer, a criança pusera fim a um momento de deleite. Mas, não faz mal, a voz terna do menino e um sorriso arrebatador já impelira o progenitor para o prazer de brincar com o filho que tanto ama.

Nasceu então mais um castelo na areia...

terça-feira, 15 de maio de 2007

> Debate político pobre na última Assembleia Municipal de Amarante

A última reunião da Assembleia Municipal de Amarante foi das mais pobres em termos de debate político das realizadas este mandato.
Deduzo que, à falta de melhor assunto, alguns deputados da oposição voltaram a pôr o acento tónico na requentadíssima questão do hospital de Amarante.
Sem originalidade, voltamos a ouvir os mesmos argumentos, as mesmas perguntas, as mesmas dúvidas e da boca do presidente da Câmara, naturalmente, voltamos ouvir a mesma argumentação.
E o caso não era para menos, uma vez que nos últimos meses nada de relevante se passou que alterasse o que está decidido em termos de futuro para aquela unidade hospitalar.
Virem agora os deputados da oposição queixarem-se que não foram informados sobre a recente celebração de um protocolo entre a Câmara e a ARS-Norte é uma posição pouco sustentada sob ponto de vista político, ficando-se com a ideia de que, à falta de uma matéria mais candente, havia apenas a intenção de arranjar um mote para uma discussão estéril mas enfática na AM, igual a outras que têm entupido o prolongadíssimo período antes da ordem do dia.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

> O "meu" VItória de Guimarães está de regresso aos grandes do futebol luso


Ontem vibrei, emocionado, com o regresso do meu Vitória de Guimarães à primeira divisão do nosso futebol.
Vivo em Felgueiras há muitos anos, mas sou vimaranense de berço, tendo residido nesse concelho, até aos 13 anos, em concreto na vila industrial de Pevidém, onde ainda tenho muitos familiares. A minha mãe era de Pevidém e o meu saudoso pai era um vimaranense dos "sete costados", nascido na Rua de D. João, em pleno centro histórico do Berço da Nacionalidade.
Ontem, confesso, fiquei muito alegre, quase eufórico, com o feito do meu querido Guimarães, que é efectivamente um dos grandes do nosso futebol.
Só uma grande colectividade como o Vitória de Guimarães consegue arrastar verdadeiras multidões, que granjeiam a admiração do país inteiro e ajudam a engrandecer o fenómeno desportivo nacional, que tão órfão anda de públicos.
O Guimarães está de volta ao lugar que merece e de onde nunca devia ter saído. No próximo domingo haverá com certeza uma festa imensa no bonito estádio D. Afonso Henriques.
Hoje também fiquei feliz por ver que muita gente de outras cidades que tenho no coração, como Felgueiras, Amarante, Fafe e Penafiel, se regozijou com o regresso do Vitória, que já é, creio, um dos símbolos de amor clubista da nossa região.
Parabéns a todos os vitorianos.

domingo, 13 de maio de 2007

> Vale sempre a pena acreditar que existem públicos para a Cultura




Na noite de sábado o auditório da BM de Felgueiras encheu para assistir à representação da peça "A enferma", pelo Teatro Oficina Fonseca Moreira.
Depois de algumas iniciativas de âmbito cultural promovidas recentemente na Feira de Maio não terem granjeado do público felgueirense a adesão esperada, eis que outra actividade de âmbito cultural, desta feita o teatro, voltou a atrair grande atenção, provando, afinal, que vale a pena trabalhar, com perseverança, na criação de públicos específicos.
O trabalho de base na área do teatro desenvolvido há vários anos em Felgueiras e junto de felgueirenses aponta no sentido de que vale sempre a pena acreditar…
Recordo, a propósito, que há cerca de 10 anos, em Amarante, quando começava uma vaga de realizações de natureza cultural, pouco público marcava presença nas peças de teatro, nos concertos da Orquestra do Norte ou nas exposições no Museu Amadeo de Souza-Cardoso. Hoje, volvidos vários anos, os espectáculos de teatro, os concertos de música clássica ou as inaugurações de exposições de diversos tipos têm sempre casa cheia.
Os públicos existem também nestas pequenas cidades do interior, como Amarante ou Felgueiras, mas é preciso trabalhar no sentido de lhes despertar o interesse, adoptando políticas culturais sóbrias e, sobretudo, persistentes.
Se o novo Teatro Fonseca Moreira for mesmo para a frente, então estarão reunidas condições para se trabalhar a sério na criação e descoberta de públicos...


sexta-feira, 11 de maio de 2007

> Por terras do alto Minho...




> ... porque Amarante é especial... (II)




> Muito se fala dos jornais... mas...

Na minha qualidade de director de dois jornais regionais - "O Jornal de Amarante" e "Expresso de Felgueiras" - tenho lido atentamente o que se vai escrevendo nos blogs de Felgueiras sobre a comunicação social e a independência desta face aos diferentes tipos de poder, que não apenas o político.
Concordo com alguns pontos de vista que leio na blogosfera, mas discordo da maioria, simplesmente por concluir que muitos dos que opinam, apesar do o fazerem, acredito, imbuídos de boa-fé, não têm a mínima ideia do que é desenvolver um jornal, numa perspectiva empresarial, a uma escala concelhia e o que isso implica em termos de afectação de recursos humanos e técnicos, com evidentes repercussões no plano financeiro, sobretudo numa conjuntura de grande adversidade económica que afecta o país.
O mais difícil é encontrar o equilíbrio da dicotomia rigor jornalístico, com todas as premissas a ele associado, versus sustentação financeira. É um enorme desafio que se coloca a quem tem a responsabilidade de conduzir um projecto, que se quer credível, mas economicamente viável.
Quando isso não acontece, meus caros leitores, de nada valem as teorias tão bonitas que tenho lido…
Prometo um dia destes, com mais tempo e disposição, reflectir de forma mais aprofundada sobre esta matéria, que obviamente me interessa de sobremaneira, até porque – permitam-me – sou parte interessada, como compreenderão...

> Como é bonita a Primavera em Amarante




> ... porque Amarante é especial...


Em 1999 fui trabalhar para o Repórter do Marão, cuja sede é a cidade de Amarante. Tive então oportunidades de aprofundar o contacto com uma terra que já então apreciava. Desde então mantive-me ligado a esta terra, onde ainda exerço a minha actividade profissional diária, enquanto director do semanário "O Jornal de Amarante".
Podia aqui discorrer mil e uma palavras sobre esta terra de Pascoaes, mas são as imagens que melhor reproduzem o encanto que Amarante exerce sobre muitos.
Caminhar à beira rio, sob a ponte de S. Gonçalo, e o "olhar atento" da rua 31 de Janeiro espelhada no Tâmega, é algo que me transmite uma tranquilidade imensa...

> O balinho da Madeira

O fim-de-semana passado foi pouco agradável para os socialistas, que averbaram duas derrotas expressivas nos actos eleitorais em França e na Madeira.
Por cá, a vitória de Jardim não surpreendeu ninguém. Como aqui já vaticinámos, foi consequência de uma jogada politicamente esperta do chefe do governo madeirense. Confrontado com uma nova lei das finanças locais que impunha maior rigor na gestão das contas das regiões autónomas, Jardim partiu para a um discurso de vitimização, precipitando a demissão. Jardim, que há dois anos tinha ganho as eleições, mas com resultados que já acusavam o desgaste de longos anos de poder, percebeu há algumas semanas que era uma excelente oportunidade para inverter as perdas e pôr em prática, de forma exponencial, o seu discurso demagógico e assim capitalizá-lo no plano eleitoral, com os resultados que se conhecem: prolongou por mais dois anos a sua permanência na presidência do governo e reforçou de forma avassaladora a maioria social-democrata no parlamento madeirense, ao mesmo tempo de quase varria do mapa político da ilha os partidos da oposição, incluindo o PS, que perdeu parte do seu grupo parlamentar. Com tudo isto, Jardim tem agora ainda mais poder do que nunca, sobretudo porque a oposição viu diminuída a sua margem de manobra. O PSD madeirense tem mais lugares disponíveis no parlamento regional para satisfazer o apetite do aparelho partidário e o presidente do governo viu legitimada nas urnas uma estratégia política muito contestada no Continente, mas, como se viu, apreciada pelos seus conterrâneos.
Mas Jardim conseguiu algo ainda mais importante para a sua estratégia: o PS madeirense sofreu uma derrota tremenda, vergado ao ónus de ter de fazer campanha num quadro adverso, por estar umbilicalmente associado ao governo que, em Lisboa, decidiu avançar com medidas que se traduziram em impactos negativos para a Madeira., independentemente de concordarmos ou não com a justeza da alteração legislativa imposta por Sócrates. Os socialistas madeirenses vão ficar marcados longos anos por este estigma. Os que habitam aquela ilha, obviamente imbuídos de um espírito bairrista, demorarão muito tempo a esquecer que foi um governo do PS que impôs regras que por lá se diz serem adversas para a Madeira. Não deveremos andar muito longe se concluirmos que o PS daquela região autónoma vai ter agora de cumprir uma prolongada travessia no deserto, algo que, há a alguns meses, se julgava impensável, atendendo que se pensava que o ciclo de hegemonia do PSD estava a dar as últimas…

quarta-feira, 2 de maio de 2007

> Que futuro para Felgueiras

Decorreu esta tarde em Felgueiras um workshop que serviu acima de tudo para apresentar um estudo relativo ao futuro do concelho.

Neste trabalho foi possível confirmar algumas das grandes fragilidades do concelho, sobretudo a reduzida qualificação da mão-de-obra, que dificulta a competitividade do concelho no quadro regional, nacional e internacional. Também o poder de compra por cá é mais baixo do que a média do país e da região Norte.


Apesar disso, os dados mais recentes sobre a competitividade da indústria de calçado de Felgueiras não deixam de ser contraditórios face ao quadro traçado esta tarde. Como é possível que um concelho com tão baixas qualificações profissionais, pelo menos observadas no plano académico, seja líder destacado das exportações nacionais de calçado? Há aqui, com certeza, fenómenos que carecem de uma análise profunda, também no plano sociológico, que não se limite aos estudos académicos, tantas vezes redutores, porque de alguma maneira desfasados da realidade...