quarta-feira, 2 de maio de 2007

> Que futuro para Felgueiras

Decorreu esta tarde em Felgueiras um workshop que serviu acima de tudo para apresentar um estudo relativo ao futuro do concelho.

Neste trabalho foi possível confirmar algumas das grandes fragilidades do concelho, sobretudo a reduzida qualificação da mão-de-obra, que dificulta a competitividade do concelho no quadro regional, nacional e internacional. Também o poder de compra por cá é mais baixo do que a média do país e da região Norte.


Apesar disso, os dados mais recentes sobre a competitividade da indústria de calçado de Felgueiras não deixam de ser contraditórios face ao quadro traçado esta tarde. Como é possível que um concelho com tão baixas qualificações profissionais, pelo menos observadas no plano académico, seja líder destacado das exportações nacionais de calçado? Há aqui, com certeza, fenómenos que carecem de uma análise profunda, também no plano sociológico, que não se limite aos estudos académicos, tantas vezes redutores, porque de alguma maneira desfasados da realidade...

domingo, 29 de abril de 2007

> Emoções muito fortes no down hill em Sendim >

Imagens > Armindo Mendes > Direitos Reservados >










sábado, 28 de abril de 2007

Como é bonita a Primavera em Felgueiras II

Imagem captada esta manhã entre a Lixa e Airães.

> Muitas ausências no Teatro Fonseca Moreira

Decorreu há dias em Felgueiras a apresentação do projecto de remodelação do Teatro Fonseca Moreira. Pareceu-me ambicioso e muito bonito, cuja concretização não deixará de orgulhar todos os felgueirenses.
Se esta obra avançar, como é expectável, Felgueiras ganhará um equipamento de excelência, seguramente um dos melhores do género em toda a região, ao mesmo tempo de permitirá a recuperação de um imóvel com referências históricas e culturais importantes para o concelho. Diria a propósito: mais vale tarde do que nunca…
Ocorre-me ainda um pequeno comentário em jeito de lamento. Foi triste perceber o alheamento dos felgueirenses face a coisas importantes que se vão passando neste concelho, como foi, incontornavelmente, a apresentação do projecto do teatro. Mais amargo é, seja-me permitido esta observação, quando essa ausência é protagonizada por políticos e “fazedores” de opinião, afectos à oposição e ao próprio poder, que tinham o dever de participar activamente nesses momentos para, em consequência, louvar ou criticar de forma fundada, em vez de o fazerem, como por vezes se lê e ouve, com base em lugares comuns decorrentes da opinião genérica, mas legítima, que cada um tem sobre a actuação deste ou de outro executivo.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

> Dia Mundial do Livro: um dia muito especial

Neste Dia Mundial do Livro realizou-se em Amarante uma feira do livro dedicada exclusivamente às crianças.
Foi contagiante ver como centenas de meninos e meninas folheavam com tanto interesse os livros que iam “experimentando” num espaço tão agradável como o Largo de S. Gonçalo. Vi muitos miúdos, sorridentes, comprar livros e com gosto guardá-los na sacola para depois os ler em casa.
É muito bom saber que as crianças de hoje parecem ter um interesse maior pela leitura e, se assim for, com certeza que amanhã teremos uma sociedade melhor, porque, como uma dia o meu pai me ensinou, "ler é saber mais".
Também por Felgueiras, nestes dias, temos uma feira do livro. É uma oportunidade de cada um de nós darmos uma espreitadela na esperança de encontrar uma qualquer "pechincha" que nos proporcione um prazer tão grande como só um bom livro o consegue fazer.

sábado, 21 de abril de 2007

> Uma entrevista lamentável a José Sócrates

E mais uma vez sinto vontade de abordar duas matérias intrinsecamente ligadas entre si, já neste espaço recorrentemente objecto de reflexão. Reporto-me, em primeira análise, às questões inerentes ao tratamento jornalístico de determinados temas, e em segunda perspectiva, mas tantas vezes associada à primeira, à maneira como a praxis da política suscita um olhar crítico do senso comum.
Admito o paradoxo em que poderei incorrer, por ser tão crítico deste tipo de matérias e sentir-me em simultâneo impelido a tratá-las nestes textos.
Mas, perdoem-se os leitores, que terão, pelos menos os mais pacientes, novamente de me aturar com estas reflexões, mas desta vez o tema suscita-me um olhar ainda mais crítico. Ora, já deverão ter percebido, reporto-me ao famigerado caso da licenciatura de José Sócrates.
Acompanhei, confesso que atónito, a recente entrevista concedida à RTP pelo primeiro-ministro de Portugal. Durante cerca de 45 minutos, fiquei incrédulo com o triste espectáculo proporcionado pelo canal público de televisão, esmiuçando com questões mesquinhas a vida privada, neste caso académica, do cidadão José Sócrates.
Se aquele tipo de entrevista tivesse sido realizado pela TVI ou pela SIC, contextualizando o passado recente, até nem ficaria surpreendido, por serem canais privados que muitas vezes, em nome das audiências, sobrevalorizam a informação espectáculo em detrimento dos critérios editorais objectivos. Mas foi o canal pago por todos nós, que devia primar pelo cumprimento de uma alinha editorial sóbria e consentânea com o que é comummente aceite como regras genéricas de um bom jornalismo.
Não concebo que seja possível dois reputados jornalistas estarem 45 minutos a tentar perceber em que moldes é que foi feita a licenciatura, com que equivalências e em que datas, se à sexta ou ao sábado, se foram emitidos determinados certificados, ou se foi o professor A ou o professor B que leccionou esta ou aquela cadeira. Foi uma das entrevistas mais maçudas, mesquinhas, artificiais e sem interesse a que já assisti.
Numa altura crucial para o país, em que tantos portugueses vivem momentos de grande dificuldade, mas também onde começam a aparecer indicadores animadores quanto ao crescimento da economia e abaixamento do défice, não era muito mais premente, diria, incontornável, aproveitar a presença do primeiro-ministro para o questionar sobre aquilo que efectivamente interessa a todos nós? Os 45 minutos perdidos a discutir o sexo dos anjos, sabe-se lá com que interesses, teriam sido muito mais bem aplicados se fosse dada oportunidade a José Sócrates para aprofundar medidas tão sensíveis como o encerramento das urgências, maternidades, escolas e postos policiais e tribunais um pouco por todo o país. Ou então a possibilidade do chefe do governo falar das suas perspectivas para o futuro de Portugal.
Tenho a certeza de que a maioria dos portugueses não está interessada em saber se o primeiro-ministro é ou não engenheiro ou se a sua licenciatura foi conseguida de forma mais facilitada. Essas são questões particulares de José Sócrates em nada influenciam a sua tarefa de governar o país. O que nos interessa é que o primeiro ministro governe bem, independentemente de ser engenheiro, advogado, médico, electricista ou qualquer outra profissão.
Mas então o que dizer de alguns políticos com responsabilidade que rapidamente se precipitaram num aproveitamento absolutamente deplorável deste caso, revelando um oportunismo que traduzirá a forma mesquinha como percepcionam o exercício da causa pública? Esses políticos profissionais, que gravitam nos corredores entrecruzados dos corredores do poder do microcosmos da capital, tão disponíveis para esmiuçar a mesquinhez, prestaram um mau serviço ao país. Não perceberam que as suas preocupações estão a anos-luz do que efectivamente interessa aos cidadãos e deram um mau exemplo. Só se lamenta que alguma comunicação social tenha perdido o discernimento de separar o acessório do essencial, preferindo ampliar o primeiro, numa manifestação, que não é nova, de que o espectáculo, mesmo conseguido por caminhos menos sóbrios, vale mais a pena do que uma informação rigorosa.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

> Como é bonita a Primavera em Felgueiras

Imagem captada domingo de manhã em Pombeiro.

A Primavera é a minha estação do ano preferida.

Esta e outras imagens, que registo frequentemente com a minha máquina fotográfica, proporcionam um prazer imenso aos sentidos...

sábado, 14 de abril de 2007

> O circo e as emoções da infância...

Tirei esta foto há poucas horas, porque fui ao circo… É verdade, há muito tempo que o não fazia…

Apesar da lá ter estado em trabalho, acabei por reviver emoções de fantasia que me remeteram para a infância, para o tempo em que o circo, com as suas luzes, chegava à minha aldeia e tudo parava, rendido a um mundo de sonho...

Como era bom ver os palhaços, os trapezistas e os ilusionistas e, com um sabor muito especial, comer algodão doce de mão dada com o meu saudoso pai… Enquanto os altifalantes anunciavam o espectáculo, era bom esperar nas longas filas da bilheteira, na quase certeza de que um ingresso iria sobrar para a concretização da fantasia. Ficava extasiado só de olhar para as luzes de néon da entrada da grande tenda. Lá dentro, os palhaços eram fantásticos e provocavam gargalhadas na pequenada. Também lembro o brilho intenso dos saxofones e trompetes dourados tocados pelos palhaços ricos e pobres.

Hoje revivi tudo isso. Soube bem… O circo é sem dúvida o maior espectáculo do mundo. Pela sua variedade, pelo seu arrojo, pelo espírito que rodeia a comunidade circense, que é única…

sexta-feira, 13 de abril de 2007

> Ao meu AMIGO Júlio Faria

Acompanhei ontem com especial atenção o depoimento de Júlio Faria no processo em que é arguido, no âmbito do chamado “saco azul”.

Desta feita fi-lo na minha dupla qualidade de jornalista e de amigo do antigo presidente da Câmara de Felgueiras.

Tenho por Júlio Faria uma enorme estima e consideração pessoal, porque sempre foi um homem com quem foi possível ter uma relação de enorme respeito recíproco. Não era em vão que em tempos escrevia que Júlio Faria era o “Senhor do Vale do Sousa”. Ainda hoje, quando o cumprimento, o trato por "presidente".

Conheço Júlio Faria desde 1992, quando eu iniciava a minha carreira profissional, então numa rápida passagem pela Rádio Felgueiras. Lembro-me até da primeira vez que falei com o então presidente da Câmara, que me recebeu no seu gabinete com uma cortesia que me sensibilizou e aliviou a timidez de quem dava os primeiros passos na profissão.

Desde então, foi possível estabelecer uma forte relação que resistiu a momentos de alguma crispação decorrentes de apontamentos jornalísticos que realizei, mas que o homem Júlio Faria sempre soube compreender, respeitando a minha independência profissional.

Ontem, no tribunal, apreciei a forma elevada, serena e nobre como Júlio Faria respondeu às perguntas do juiz presidente e do procurador. Júlio Faria exteriorizou ao tribunal a mágoa que sente por, ao fim de tantos anos ao serviço da coisa pública, o seu nome ter sido enxovalhado na praça pública.

Também fico incomodado quando oiço pessoas falarem mal de um homem com a estatura de Júlio Faria.

Se é inocente ou culpado dos crimes de que está acusado, cabe ao tribunal apurar e só há que confiar na justiça. Mas, nunca tanto como no caso de Júlio Faria, quero lembrar que todos os arguidos gozam da presunção de inocência.

Faço votos para que o homem e o amigo Júlio Faria ultrapassem rapidamente este período menos bom da sua vida, para que possa continuar a fazer jus ao título que um dia, humildemente, em sentido figurado, lhe atribui: "O senhor do Vale do Sousa".

terça-feira, 10 de abril de 2007

> Páscoa no Entre-Douro e Minho


Honrando uma tradição de tempos imemoriais, os lares da nossa região voltaram a abrir-se para receber a Visita Pascal, conhecida como Compasso.
Um pouco por todo o lado, a população católica acolheu nos seus lares quem vinha anunciar a ressurreição de Cristo.
É nas aldeias mais recônditas que esta manifestação mais mobiliza a população. Muitos lugares enchem-se de gente, também à custa muitos emigrantes que por esta altura regressam à terra para partilhar com familiares esta festa de família.
Em alguns pontos do Entre-Douro e Minho, o pároco ainda preside ao compasso, mas nos meios mais urbanos, com um maior número de habitantes, os párocos têm de recorrer a leigos para manter este ritual da visita pascal.
Todos sabemos que o compasso é um costume muito enraizado no norte de Portugal.
Um pouco por todo o lado, um grupo de pessoas, vestido com trajes festivos, parte da sua igreja paroquial. Transporta a Cruz enfeitada, levando-a aos lares católicos, onde anuncia a Ressurreição de Cristo e abençoa todas as casas.
Manda a tradição que sejam tocadas campainhas que anunciam o compasso. Em alguns lugares, ainda se vêem tapetes de flores pelas ruas e caminhos serpenteantes.
Mas não há domingo de Páscoa sem o som dos foguetes. Um pouco por todo o lado ecoam nas serranias do Entre-Douro e Minho, anunciando o júbilo das nossas por mais uma Páscoa festiva.
Geralmente, cada Compasso é constituído por quatro pessoas com mais de 16 anos de idade: um é o chefe da Equipa, outro leva a Cruz, outro a campainha e o outro recebe as ofertas.
O chefe da chefe da equipa faz o anúncio pascal, seguindo o guião que se encontra no verso da pequeno papelinho, que depois oferece à família.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

> É tão bonito ser criança.

São estas imagens, tão cheias de sonhos, que nos fazem acreditar num mundo melhor!

> Não façam mal à nossa bandeira


Esta imagem do ciclista Vítor Rodrigues no final da Taça do Mundo das Nações, em Felgueiras, exultando a sua vitória na competição, tinha tudo para ser maravilhosa, uma espécie de bálsamo para o nosso espírito patriótico.

Mas, como diz o outro, não havia necessidade de virar a nossa bandeira ao contrário.

Não sei se por descuido ou ignorância o jovem campeão lá permaneceu minutos a fio no palco da consagração com a bandeira ao contrário, não correspondendo a alguns apelos de algumas pessoas da assistência para que repusesse a configuração normal da bandeira das quinas.

Fez-me lembrar a febre patriótica que assolou o país aquando dos recentes Europeu e Mundial de Futebol, com toda a gente a comprar bandeiras para pôr à janela.

Direi que era um espírito patriótico pimba, pois a maioria dos que exibiam a bandeira, independentemente do espírito ser benevolente, faziam-no sem sequer saber que o verde fica à esquerda da esfera anelar e o vermelho à direita.

No meio de tanta confusão, até víamos novas versões de bandeiras portuguesas, com uns castelos esquisitos e um escudo com quinas muito estranhas. Também não admira, aquelas bandeiras vinham quase todas da longínqua China, onde o nome Portugal e a nossa bandeira não passam de mais uma forma de ganhar dinheiro.

Só é pena que milhões de lusos nem sequer saibam reconhecer uma verdadeira bandeira de Portugal, que é "apenas" o principal símbolo da nossa pátria.

Overdose "futeboleira"

O passado fim-de-semana foi pródigo em acontecimentos desportivos de grande importância que marcaram a cadência informativa dos principais órgãos de comunicação social.
De tudo o que se passou, a prova mais importante foi sem dúvida o regresso do Rali de Portugal ao campeonato do mundo. A competição disputou-se em terras algarvias e constituiu mais um sucesso estrondoso no plano organizativo e no que se reporta à adesão de milhares de aficionados pelo automobilismo, que invadiram o Algarve.
O regresso do rali luso ao campeonato do mundo, após tantos anos de ausência, devia merecer dos órgãos de comunicação social uma maior cobertura. Fiquei espantado com os micro resumos que as televisões exibiram nos telejornais de domingo à noite, desvalorizando uma prova que atraiu autênticas multidões. Veja-se que foi preciso uma prova de ralis para voltar a encher o Estádio do Algarve.
Mas o nosso país é mesmo assim, não valoriza aquilo que efectivamente devia ser passível de tratamento consentâneo com a sua importância.
Ao invés, fomos todos invadidos por magotes de reportagens, horas a fio, de antecipação e rescaldo do Benfica-Porto.
Também gosto de futebol e sem dúvida aquele era um jogo importante, opondo os dois principais candidatos ao título de campeão nacional. Mas, meus amigos, daí a obrigar-nos a visionar reportagens sucessivas, repetitivas e desprovidas de informação objectiva é algo que continuo a censurar. De repente, ficamos todos com a ideia de que nada mais se passava no país e no mundo. Tudo o resto era menor face à notícia extraordinária, dada em directo, de que o Nuno Gomes tinha acenado da janela do hotel onde estagiava o Benfica ou a saída do autocarro das estrelas da luz, relatada com todos os pormenores e lugares comuns do futebolês, com entrevistas hilariantes.
Ao invés, uma prova da Taça do Mundos das Nações em ciclismo, disputada este fim-de-semana na nossa região, que reunia as melhores selecções do mundo de sub-23, não mereceu dos órgãos de comunicação social mais importantes qualquer destaque, limitando-se a figurar em pequenas notícias paginadas em locais marginais de alguns jornais desportivos. São critérios jornalísticos que continuam a enfermar de espírito tablóide, isto é, baseiam-se quase em exclusividade num único critério: o das audiências.
Se o povo gosta de bola, há que lhe dar futebol em doses maciças. Há quem diga que o desporto rei é um espécie de ópio do povo, expressão que nos dias de hoje faz mais sentido do que nunca.
Longe vão os tempos em que as direcções de informação das principais televisões, rádios e jornais se guiavam por critérios estritamente editoriais. Actualmente esses responsáveis funcionam mais como uma espécie de directores comerciais, olhando as notícias com um cunho mercantilista.
Veja-se os alinhamentos dos noticiários, onde se percebe que não uma uma linha coerente, prevalecendo uma mistura estranha de conteúdos, ,permitindo-se que uma notícia de futebol abra um telejornal, seguindo-se uma história de faca e alguidar, como se diz na gíria jornalística, partindo-se depois para uma reportagem sobre uma qualquer iniciativa do governo, terminando-se numa nova reportagem sobre futebol. É uma enorme salgalhada, que só comprova que os critérios comerciais, para manter as pessoas presas aos noticiários, fazem hoje tábua rasa do muito de bom que fazia escola em tempos idos.
Veja-se ainda aos jornais desportivos. Num deles, quase todas as edições trazem grandes capas com assuntos relacionados com o Benfica, numa categórica falta de isenção na forma como se trata todos os clubes. Nunca mais me esqueço que no dia em que o FC Porto foi campeão europeu, alguns jornais não atribuíram àquele feito a manchete principal das respectivas primeiras páginas.
Conclusão: os critérios jornalísticos como isenção e igualdade de tratamento são manifestamente subvalorizados face a outros interesses de âmbito objectivamente comercial, partindo-se da premissa de que se o Benfica é o clube com maior número de adeptos, então há que dar as capas a esse clube porque isso irá garantir mais vendas.
É o jornalismo mercantilista que vamos tendo…

sábado, 31 de março de 2007

Os políticos que temos!

Os portugueses assistiram há uns dias, pela televisão, à enorme confusão que se verificou no final do Conselho Nacional do CDS-PP, com discussões acesas entre apoiantes de Ribeiro e Castro e de Paulo Portas.
Desconhecemos em pormenor o que efectivamente terá motivado aquela efervescência, nem sequer os estatutos do partido. Censuro, porém, de forma veemente, o ambiente que se criou entre militantes de uma força com larga tradição na democracia portuguesa, que deviam primar, enquanto políticos, muitos dos quais profissionais, por transmitir uma imagem de maior civilidade e respeito pelas opiniões contrárias. Mais grave é perceber que os militantes, enquanto discutiam, sabiam que estavam a ser filmados e nem por isso se contiveram perante os jornalistas.
Quem viu aquelas imagens tão feias e ouviu aqueles impropérios trocados pelos dirigentes centristas ficou, em primeiro lugar, incrédulo, porque pensávamos que na nossa tradição democrática não havia mais lugar para incidentes como aqueles, que desacreditam uma vez mais os políticos aos olhos da sociedade portuguesa. Ficamos com a sensação de que a luta pelo poder, ainda que num pequeno partido que não é Governo, leva alguns políticos a ultrapassar todos os limites, comprovando-se de novo que as frases feitas com que alguns nos tentam convencer não passam de mera demagogia.
As imagens que vimos não alteram no essencial a opinião que tenho dos políticos.
Sei, por experiência profissional, que a política, no sentido genérico do termo, acaba por ser o espelho da nossa sociedade, com todos os defeitos e virtudes. Conheço homens e mulheres que exercem diferentes cargos políticos que são pessoas honestas e trabalhadoras, que dão o melhor de si, em função dos ideias que professam. Admiro essas pessoas e procuro cultivar com elas uma relação séria, mas assente em critérios de respeito recíproco, salvaguardando sempre que políticos e jornalistas devem relacionar-se de forma clara, combatendo quaisquer tipos de promiscuidade.
Mas também sei que não raras vezes gravitam junto de políticos gente de menor qualidade, que nem sempre escolhe os melhores caminhos para alcançar os fins. Gente que há anos se acomodou às benesses do poder, gente que até se acha importante, só porque pulula nos corredores ministeriais, do parlamento ou de uns quaisquer paços do concelho, cultivando uma subserviência obsessiva pelo poder, como forma de justificar benesses e até uma evidente falta de produtividade que protagonizam, mesclada com laivos de sobranceria grotesca.
Esse é o lado menos bom da política que hei-de de censurar sempre, independentemente das pressões mais ou menos descaradas que os jornalistas vão sofrendo pelas diferentes formas de poder.

Há dias assim...

Há dias em que a inspiração não abunda para escrever aquele o que é suposto ser o texto mais importante de um periódica: o editorial de "O Jornal de Amarante"
Reconheço que, por estes dias, não faltarão assuntos de interesse de âmbito local e até nacional para opinar, mas a necessidade do o fazer em período em que somos chamados a um sem número de solicitações profissionais, inibe a nossa capacidade de análise e consequente acto de emissão de opinião.
Emitir opinião, pela via da escrita num jornal, é sempre um acto de alguma rebeldia, mesmo numa sociedade democrática como a nossa. Escrevo isto com a convicção de quem, por vezes, é questionado sobre as opiniões que verte num artigo.
Eu próprio, na dupla qualidade de director de "O Jornal de Amarante" e jornalista, reflicto sobre a pertinência e opinar sobre matérias que são igualmente objecto de tratamento jornalístico neste jornal, através de notícias, reportagens ou entrevistas de minha autoria. Até que ponto devo exteriorizar o que penso sobre isto ou aquilo? Até que ponto devo deixar explícito, em editorial, o meu ponto de vista concordante ou discordante sobre um assunto que é objecto de tratamento jornalístico e neste sempre com a vontade determinada que obedeça a critérios rigorosos de objectividade e despida de qualquer cunho opinativo? É legítimo aos leitores questionar o carácter meramente descritivo de uma notícia sobre um determinado tema, só porque este é igualmente tratado em editorial, aqui já numa óptica opinativa?
Alguns leitores menos atentos ficarão confusos, por lerem abordagens distintas sobre o mesmo assunto e farão juízos erráticos sobre os autores das peças.
Apesar de tudo, creio que é compreensível esta aparente confusão.
Mas, a questão que se coloca é se o jornalista, obrigado que está a critérios de objectividade e equidistância face às diferentes correntes de opinião, deve por isso ficar inibido de emitir opinião sobre as questões da actualidade?
Após reflexão que venho fazendo, até com base em conversas que mantenho com colegas de ofício, concluo que o jornalista não está de forma alguma impedido de exercer um direito consagrado na Constituição - a opinião -, mas deve abster-se de o fazer quando exerce a sua profissão, na redacção de notícias ou reportagens Estas devem ser tão descritivas e objectivas quanto possível e desprovidas de opiniões de quem as escreve. Mas o jornalista, enquanto pessoa atenta ao fervilhar da sociedade e geralmente com sensibilidade acrescida para observar em sentido crítico o quotidiano, pode exercer o seu direito de opinar, embora, sublinhe-se, o deva fazer de forma devidamente enquadrada e explícita em termos de identificação gráfica do tipo de artigo, isto é, que quem lê o mesmo, vendo um cabeçalho com indicação “editorial” ou “opinião”, saiba categoricamente que se trata de um juízo, vertido através de um editorial ou de uma coluna opinativa, e não de uma notícia.
Este é o cerne da questão, sobretudo em alguma imprensa regional, onde determinados cronistas, influenciados com um tipo de “jornalismo” que fez escola noutros tempos, confundem muitas vezes as notícias e a vontade indómita que têm de opinar. Mas enganem-se os que pensam que isto só ocorre nos pequenos jornais regionais. Veja-se o que, nesta nova era do jornalismo, se passa nas televisões, que por vezes emitem pseudo-reportagens eivadas de sentido crítico, sempre com um carácter subjectivo altamente questionável, em que o jornalista aparece como uma espécie de juiz imbuído de espírito justiceiro, quase sempre incapaz de resistir à linha tablóide.
É neste jornalismo, que não o é de facto, que não me revejo.

segunda-feira, 12 de março de 2007

> Lembrando Entre-os-Rios - Que a história não se repita...

Completaram-se recentemente seis anos sobre a derrocada da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, da qual resultou a morte de 59 pessoas.

Lembro-me dessa tragédia de forma intensa, porque foi um acontecimento que, enquanto jornalista, cobri no local, designadamente os trabalhos de busca dos corpos das vítimas nas intrépidas águas do Douro.

Jamais esquecerei as expressões, os olhares distantes dos familiares das vítimas que se encontravam no “teatro” das operações de resgate dos corpos. Eram pessoas simples e ainda incrédulas com o que o destino reservara horas antes. Alguns, amontoados a um canto, sob guarda-chuvas incapazes de suster a intempérie, ainda soluçavam. No rosto, as lágrimas misturavam-se com as gotas da chuva, que eram registadas pelas câmaras dos fotógrafos. Nem a presença dos mais altos magistrados da nação, Presidente da República e primeiro-ministro, eram capazes de aliviar o sofrimento daquelas pessoas.

Retive na memória as incessantes passagens dos helicópteros sobrevoando em círculos as águas barrentas do Douro, enquanto os mergulhadores, nos seus botes, observavam, impotentes, a corrente que esbarrava nos pilares da velha ponte. A imagem do resgate do autocarro ao grande rio suscitou-me uma das emoções mais intensas que alguma vez senti nesta profissão. Foi uma emoção de grande tristeza, mas simultaneamente de enorme revolta. Não compreendia como tinha sido possível ter acontecido aquela tragédia. Por instantes, escondido pela máquina fotográfica que instintivamente “disparava para registar o momento”, refugiei-me num alvoroço de emoções. Imaginava o desespero dos infortunados 59 turistas que regressavam de um passeio às amendoeiras em flor. Como terão sido os seus últimos segundos de vida? O seu desespero, a sua impotência face a um destino cruel que os escolhera para sucumbir vítimas da incúria de uns quantos…

Recordo que dois ou três dias antes da tragédia eu próprio havia atravessado a mesma ponte, regressando de uma deslocação a Castelo de Paiva. Quando o fiz, percebi a violência da corrente do Douro e quão frágil era aquela travessia, que estremecia com intensidade, que já então eu considerava anormal, a cada passagem dos pesados camiões carregados de inertes. Sentia sempre aquela insegurança quando tinha de atravessar a ponte Hintze Ribeiro. Recordo que, quando podia, atravessava-a a grande velocidade, procurando assim enganar o medo…

Volvidos seis anos, as recordações mantêm-se bem vivas. Tão vivas quanto a consternação que decorreu da incapacidade do Estado apurar os responsáveis. Fica-se sempre com a sensação de que os grandes responsáveis pela tragédia nunca terão estado sentados no banco dos réus e que neste apenas tiveram de responder protagonistas menores.

Dos anos que antecederam a derrocada da ponte, recordo as sucessivas chamadas de atenção dos presidentes das câmaras de Penafiel e Castelo de Paiva para o perigo daquela travessia rodoviária. Também um deputado do PS, que ainda hoje o é, Agostinho Gonçalves, que tinha sido presidente da Câmara de Penafiel, procurava, sem sucesso, convencer os governantes para o problema. Os alertas eram todos endereçados para Lisboa, mas da capital não havia resposta. Um dia, o presidente da CM de Castelo de Paiva até fez uma conferência de imprensa à entrada do tabuleiro, para evidenciar o problema. De Lisboa surgiam respostas evasivas, enquanto uma verba ridícula para a nova ponte, inscrita no PIDDAC, transitava de ano para ano.

Com a tragédia, os cidadãos deram-se conta do quanto os governantes estão distantes do país real, umas vezes mal informados por uma administração ineficiente e demasiado tecnocrata, outras por uma sobranceria que os torna insensíveis aos clamores da “província”.

Mas a derrocada do tabuleiro e a morte das 59 pessoas acabaram por, pelo menos no plano político, acordar os governantes, que rapidamente transformaram a fome em fartura. Meses antes não havia verbas para construir uma ponte, mas após o desastre logo foram descobertos recursos para construir não uma mas duas pontes. Aqui ficou evidenciada a incoerência de uma governação.

As pontes nasceram rapidamente mas frenesim de obras por tudo quanto tinha a ver com Entre-os-Rios foi-se esboroando. Os grandes projectos foram anunciados com pompa a circunstâncias, mas desses, pouco foi feito ainda, faltando aquela que era a infra-estrutura mais emblemática – a construção do IC 35, ligando Penafiel a Castelo de Paiva, que foi anunciada como uma via rápida que iria finalmente compensar a região por longos anos de esquecimento. Os estudos sucederam-se, os ante-projectos também, mas a obra não sai do papel, mantendo-se as mesmas dificuldades para chegar àquela localidade… Esperemos que a história não se repita.

domingo, 4 de março de 2007

> A Mesa que temos

1 - A última sessão da Assembleia Municipal de Amarante voltou a confirmar o que há muito venho pensando da prestação da mesa daquele órgão autárquico, que considero estar uns furos abaixo do nível médio dos demais intervenientes.
Como já acontecera noutros momentos, a mesa no seu todo e a presidência em particular não estiveram à altura das incidências da reunião, detendo-se vezes sem conta em dúvidas sobre procedimentos normais numa reunião do órgão fiscalizador do município.
Chegaram a ser confrangedoras as dúvidas sucessivas em que mergulhava a mesa, indecisa sobre o que fazer perante as sucessivas situações que se lhe colocavam, que não eram assim tão complexas.
O presidente da Assembleia Municipal, Dr. Celso Freitas, distinto jurista, é um homem credor do respeito e consideração de todos nós. A sua vasta experiência de vida e até de advogado habituado a lidar com situações complexas no plano jurídico, deveria permitir-lhe gerir os trabalhos da AM com total desenvoltura e segurança, imune a quaisquer pressões.
Porém, nem sempre tal tem ocorrido. O presidente da AM tem usado de demasiadas indecisões quando obrigado a decisões importantes para o decurso normal dos trabalhos. As opções que anuncia estão longe de serem consensuais e não raras vezes, confrontado com argumentos contrários do plenário, acaba por decidir de forma contrária ao que sugerira aos deputados. Também a gestão dos tempos de intervenção dos deputados carece de melhor atenção, o que contribuiu para a forma distendida como decorrem as reuniões da AM.

2 - Ainda a propósito da última AM amarantina, ocorre-me comentar sucintamente a discussão que se gerou entre o PS e o PSD a propósito dos méritos e deméritos da construção do novo hospital. Ao ouvir as sucessivas intervenções e arrufos de deputados dos dois partidos, que se digladiavam em argumentos cruzados e demasiado crispados, fiquei com a sensação que esta era uma daquelas discussões inconsequentes em que os políticos gostam de mergulhar. Para quê tanta discussão? Para quê tantos comunicados com linguagem redundante, cada um dos partidos a ver qual tem o umbigo maior? Será que os nossos políticos não percebem que aquela discussão pouco interessa ao cidadão comum, farto de politiquices. O que as pessoas querem saber é se Amarante vai ou não ter novo hospital e se este vai ter as valências que garantam cuidados de saúde de boa qualidade.
Aceita-se e saúda-se que a AM é o fórum por excelência para os políticos discutirem os grandes temas do concelho, como a questão do hospital. Também se compreende que os deputados aproveitem aquele órgão autárquico para medirem forças, defendendo cada um a sua dama política, da melhor forma que sabem e podem. Mas, como em tudo na vida, há limites. Esta fastidiosa discussão dos comunicados, que parece prosseguir nos jornais, foi exagerada na forma, no tom e no tempo que gastou.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Bailinho da Madeira

E na Madeira as coisas andam agitadas, com o frenesim de Alberto João Jardim e seus pajens, que agora parecem determinados em ir de novo a votos. As últimas notícias apontavam para a possibilidade de o presidente do governo regional, insatisfeito com as directrizes do governo da República, se demitir a assim convocar uma ida às urnas naquele arquipélago.
Gostando-se ou não do estilo insólito do homem (pessoalmente até nem gosto), temos de reconhecer que esta poderá ser uma jogada de mestre, se analisada numa óptima da real política. Com as eleições, se as mesmas forem mesmo por diante, Jardim poderá matar vários coelhos com um único tiro certeiro. Em primeiro lugar, potenciando politicamente em proveito próprio o conflito que mantém com o continente, reúne condições ímpares para reforçar de sobremaneira a sua maioria absoluta na Madeira, cujo eleitorado não deixará de estar indiferente à saga que o seu presidente protagoniza. O homem do leme madeirense vai também criar um engulho do tamanho do Pico Ruivo aos amigos de Sócrates na Madeira. O PS local, vergado a sofrer o desgaste das políticas dos seus camaradas de Lisboa, arrisca-se a sucumbir à maior derrota de sempre, o que será um golpe profundo da recuperação eleitoral que vinha conseguindo nos últimos anos num território hostil. As feridas socialistas na Madeira poderão obrigar os dirigentes locais a um retiro no rochedo de S. Vicente.
Dada como certa prossecução deste objectivo estratégico, Jardim estancará a perda de peso eleitoral que o seu partido tem vindo a registar nos últimos embates. Esta inesperada ida às urnas, no contexto em que deverá ocorrer, ajudará ainda a justificar uma nova recandidatura. Fazendo jus à fama, numa linha bem populista, alegará agora Jardim que se candidata por uma razão suprema de defesa dos mais altos interesses da Madeira. Jardim porá também o presidente do seu próprio partido numa situação delicada. Este, por uma questão de solidariedade partidária, poderá ter de se expor ao lado do líder madeirense, algo que não abonará muito à depauperada imagem de Mendes, tendo como premissa que Jardim não suscita grandes simpatias na “metrópole”. Sócrates também não deverá sair ileso deste bailinho da Madeira. O primeiro-ministro, com a mais do que provável reeleição do líder madeirense, terá de continuar a manter um braço de ferro com aquela parcela do território português. Este ambiente acaba por desgastar o líder socialista, que fica exposto às incursões linguísticas politicamente incorrectas de Jardim. Mas mais preocupante é o facto deste clima poder estar a alimentar um sentimento independentista que leveda em alguns sectores madeirenses, que têm agora terreno fértil para esgrimir argumentos contra o “poder centralista” do continente, com consequência imprevisíveis.
Concluo esta análise com um princípio básico que deve ser observado. Independentemente de Jardim ter ou não razão em alguns argumentos que apresentará, o presidente do governo regional tem de perceber uma coisa: Portugal é uma democracia, com regras de funcionamento bem delimitadas, em que o poder executivo do governo eleito pelos portugueses tem toda a legitimidade para pôr em marcha as políticas que entende serem vantajosas para o todo nacional. Sustenta o actual governo que as limitações orçamentais impostas à Madeira são vantajosas para o país. O executivo regional só tem de as aceitar, independentemente de com elas concordar ou não. Quando muito, Jardim, alegando a eventual violação do estatuto de autonomia madeirense, poderia questionar a legalidade da decisão do governo central, mas também nesse campo as coisas não lhe terão corrido bem, caso contrário o Presidente da República não teria promulgado a decisão do Governo de Sócrates.
Alberto João Jardim deveria ser lúcido e perceber que a sua ilha não pode ficar à margem do esforço nacional que está a ser pedido a todos o portugueses e a todos os sectores da administração pública. Quem por lá já passou sabe que a Madeira é um território desenvolvido e que, por isso, numa óptica de subsidiariedade, o esforço nacional deve ser agora direccionado para regiões mais deprimidas do país.
PS - Só para terminar, quero aqui enaltecer a recente celebração de protocolos de transferência de recursos da Câmara de Amarante para as juntas de freguesia do concelho. Estas, mais uma vez, vão poder executar inúmeras obras, nas diferentes áreas, contribuindo-se para o desenvolvimento homogéneo de todo o território concelhio.
Armindo Abreu e a sua equipa demonstram, de novo, a sua vontade de descentralizar, delegando competências, atribuições e recursos nas juntas de freguesias.
Amarante, também neste ponto, é um bom exemplo para o país.