sábado, 30 de setembro de 2006

> TAXAS MODERADORAS

O senhor ministro da Saúde anda, há meses, numa cruzada em busca da redução quase obsessiva de despesas do seu ministério.
Os recentes anúncios de encerramento de maternidades e serviços de urgência, independentemente das aduzidas e supostamente benevolentes justificações de foro clínico e técnico, visam sobretudo, todos o sabemos, reduzir despesas, concentrando serviços nas maiores cidades.
Quem vive no interior vai assumindo, involuntariamente, cada vez mais, o estatuto de cidadãos de segunda. O interior vai perdendo gente e a qualidade de vida nas grandes cidades vai-se tornando cada vez mais insustentável - veja-se o que aconteceu noutros países da Europa onde este tipo de medidas foram adoptadas há alguns anos.
Estou cada vez mais convencido que, não faltarão muitos anos, o nosso país vai pagar bem caro estas medidas tecnocratas, que estão a acentuar as assimetrias num país onde tradicionalmente o fosso entre ricos e pobres e litoral e interior é gritante.
Falta saber se não vai ser demasiado tarde para tentar o retorno.
Mas a última medida do senhor ministro é absolutamente inadmissível: isto de obrigar quem tem de ser operado a pagar uma taxa moderadora não cabe na cabeça de ninguém, como se qualquer um de nós tivesse algum prazer em ser operado.
Haja contenção e bom senso senhor ministro.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

> PARTIU O MEU AMIGO JOSÉ SANTOS


No passado sábado realizou-se o funeral do nosso camarada de profissão, o amarantino José Santos, que contava 71 anos de idade.
Estive lá em sinal de homenagem.

Foi com profunda consternação que soube da morte do decano dos jornalistas da região, que ficou assim órfã de um grande senhor.

A ele muito lhe devo, como referência e exemplo de verticalidade, mas, sobretudo, de enormes simplicidade, humildade e generosidade.

Antigo jornalista do Jornal de Notícias e de O Comércio do Porto, foi o percursor de vários projectos jornalísticos regionais (rádios e jornais), em especial em Amarante e em Fafe.

Qual mestre, era um homem que me ensinava a profissão de forma honesta, transmitindo-me tudo o que sabia, numa manifestação de desprendimento que não conhecemos em mais nenhum colega de profissão.

Foi o José Santos que um dia, já lá vão mais do que 15 anos, na sua 4L azul me conduziu ao Porto e me matriculou no curso de jornalismo. Lembro-me das suas palavras de incentivo. Foi ele que um dia acreditou em mim.

Também não esqueço o abraço forte e quente com o qual José Santos tentava reconfortar a minha dor no funeral do meu saudoso pai.

O programa de rádio que tive em Fafe, intitulado "Última Página" foi desenhado por ele. O José Santos queria assim ajudar-me a superar a morte do meu pai...

José Santos partiu. Deixa em mim um profundo vazio e uma saudade do tamanho do seu sorriso sempre pronto e amigo.

Bem haja pelo muito de bom que me fez.

Obrigado por tudo grande amigo José Santos.

Para sempre grato,

Armindo Mendes

> MINISTRO VIAJAVA A MAIS DE 200 Km/h NA A1

As televisões noticiaram recentemente que um automóvel onde seguia um ministro foi “apanhado” na auto-estrada quando circulava a mais de 200 quilómetros horários.
Segundo rezam as crónicas jornalísticas, o motorista foi interceptado pelas autoridades, mas quando estas observaram que no interior do veículo seguia um ministro mandaram seguir, sem sequer identificar o condutor e aplicar a respectiva multa.
Em simultâneo outros automobilistas tinham sido também apanhados pela mesma patrulha, que foi implacável, e bem, na aplicação da lei, sendo autuados.
Ora, não é admissível aquilo que se passou, o regime de impunidade do motorista do senhor ministro, numa flagrantíssima situação de discriminação positiva para quem seguia a uma velocidade perigosíssima, que punha em causa a segurança dos demais utentes na via.
A lei diz que permite a violação de determinadas regras do Código da Estrada às viaturas que seguem em serviço público, algo de tal forma vago que tem permitido a muitas figuras da nossa política usarem e abusarem dessa figura, que devia, em minha opinião, ser utilizada por ambulâncias, carros de bombeiros ou veículos de autoridades policiais.
Mais uma vez se afere, com base neste triste exemplo, que a lei, afinal, não é aplicada pela mesma bitola de interpretação a todos os cidadãos portugueses, havendo uns que gozam de inadmissíveis privilégios.
Quando tal se passa com políticos é ainda mais grave, porquanto são figuras públicas e deviam constituir o primeiro exemplo de cumprimento escrupuloso das regras que sustentam o edifício democrático. Depois ficam muito admirados quando o prestígio dos políticos junto do “Zé-povinho” está pela “rua das amarguras”.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

> EMIGRANTES DE SEGUNDA E TERCEIRA GERAÇÕES

Terminou mais um mês de Agosto, o mês aproveitado pela maioria dos portugueses para gozar as suas férias. Para muitos será o regresso ao trabalho e às dificuldades de um dia a dia cada vez mais complicado e de futuro incerto. A crise económica mantém-se, com um custo de vida em crescendo.

Há dias, à saída de um supermercado, ouvia alguém comentar, em universo familiar, como o dinheiro tem emagrecido nos últimos anos. Um determinado montante, há três ou quatro anos, permitia uma vida relativamente desafogada e até propiciadora de economias. Hoje, o mesmo valor já não dá azo a grandes extravagâncias. Há que redobrar os cuidados, cortar algumas despesas supérfluas e esperar que as coisas melhorem.

Agosto é também o mês do regresso maciço dos nossos emigrantes, um momento que vai perdendo a emoção de outros tempos, simplesmente porque os emigrantes que mais emoção emprestavam ao momento, os que emigraram nas décadas de 60 ou 70, já estão quase todos radicados definitivamente neste Portugal. Quando era criança assistia ao regresso de alguns emigrantes familiares. Percebia a importância e o lado quase dramático do momento, tantos eram os beijos e os abraços. Seguiam-se longas refeições com pratos bem portugueses acompanhados dos melhores tintos e brancos da nossa terra.

Os que vão regressando hoje são já as segunda ou terceira gerações de emigrantes, filhos ou netos dos pioneiros de tiveram de comer o pão que o diabo amassou para singrar lá fora. Estas gerações que vêm hoje a Portugal, constituídas por luso-franceses já nascidos em terras gaulesas, fazem-no quase sempre de forma algo desprendida, porque, ao contrário dos pais, não estão agarrados a este país por um cordão umbilical. Vêm cá uma ou duas vezes por ano e pouco mais. Quando chegam, as cenas do passado não se reproduzem nos mais novos.

São a maioria jovens que chegam eufóricos e vestidos de forma extravagante, influenciados pelas modas de Paris. Falam quase todos um “fraçuguês” cacofónico. É pena que estas gerações de emigrantes não queiram ou não possam aprender a língua dos seus pais. A mim causa-me especial tristeza ver casais jovens com crianças pequenas, com os quais falam em francês, ouvi há dias numa esplanada no largo de S. Gonçalo. Nem sequer fazem o esforço de, pelo menos em Portugal, tentar ensinar às crianças a língua dos seus avós, afinal uma coisa matricial de um povo – a língua pátria. Seria assim tão difícil ensinar-lhes a dizer água ou leite?

Bem sei que as coisas não são fáceis e nem sempre há em terras de França escolas de português onde as crianças possam aprender, dificultando a tarefa dos pais. Mas essa é apenas uma parte da questão. A outra decorre da vontade de cada um. Dou sempre exemplo: conheço um casal de emigrantes de primeira geração que sempre obrigou os filhos a falarem português em casa. Estes são hoje homens e pais, que obrigam os filhos a falar português em casa. São pessoas integradas na sociedade francesa, mas mantêm com orgulho os poucos laços que os ainda une à terra dos seus pais ou avós, a língua, que falam de forma emotiva, apesar dificuldades já perceptíveis nos netos.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

> "IMPORTANTES" ESTACIONAM DE QUALQUER MANEIRA EM FELGUEIRAS


Tenho notado que algumas figuras ditas importantes de Felgueiras, proprietárias de veículos de alta gama, estacionam por vezes em locais inapropriados, como em segunda fila, em paragens de autocarro, em cima dos passeios, ou à frente de outros veículos estacionados correctamente, impedindo a saída destes, etç ...

Pensarão essas pessoas "abonadas" que são mais importantes do que os demais felgueirenses?
Será que as leiS que regulam o estacionamento não são iguais para todos os felgueirenses?

Era bom que a nossa Polícia Municipal e a GNR estivessem mais atentas ao que se passa, por exemplo, na Av. Dr. Leonardo Coimbra ou rua rua Agostinho Ribeiro, para já não falar de outras artérias da nossa cidade.

domingo, 3 de setembro de 2006

> HAMBURGERS COM KETCHUP


Passei há dias, à hora do jantar, junto de um restaurante de fast food num conhecido centro comercial da cidade do Porto. Fiquei estupefacto com a aglomeração de pessoas que se acotovelavam para conseguir um hamburger com batata frita. Pensei com os meus botões: aquilo deve ser de uma autêntica iguaria, caso contrário as pessoas não tinham aquele comportamento. Admito que há uns meses provei aquela especialidade, simplesmente porque na hora e no local em que o fiz era praticamente o único “restaurante” aberto.
Sinceramente não gostei, daí não perceber esta paixão mundial pelos hamburgers daquela cadeia internacional, acompanhados por umas batatas fritas de ar artificial e ketchup. Ah! Já me ia esquecendo dos bonecos que oferecem às crianças.
Acho até que comer uma daquelas especialidades será para muitos milhões em todo o mundo, sobretudo para os mais novos, mais um hábito enraizado de uma sociedade de consumo cada vez mais vulgar, que acha muito bonito vestir calças rotas e de aspecto sujo, beber cocktails até cair para o lado ou escrever SMS de forma compulsiva, numa linguagem que ofende quem preza a língua de Camões. Gostos não se discutem, é certo, e eles até serão a maioria.
Mas deixem-me dizer que prefiro a cozinha tradicional portuguesa, beber de forma moderada um bom vinho português, usar umas calças sem rasgos e escrever com as letras e os acentos todos. É da idade, dirão alguns…

> ACABAR COM ALGUNS PRIVILÉGIOS INJUSTOS

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, reafirmou que a nova tabela do regime convencionado ADSE, que aumenta os custos com a saúde para os funcionários públicos, é insubstituível. Aí está, portanto, mais uma medida deste governo que penaliza os funcionários públicos.
Os sindicatos da função pública, como foi amplamente noticiado, calculam que os preços de alguns serviços de saúde tenham sofrido aumentos de quatro mil por cento. Ora, ouvindo aquilo que dizem estes sindicatos poderemos ser todos levados a concluir que o governo perdeu a noção do razoável. Mas será efectivamente assim? Andará o Executivo, com estes aumentos assim tão bruto? Mesmo não sendo um especialista na matéria, quero crer que não.
O que se passava, de facto, é que os funcionários públicos pagavam, na maioria dos casos, valores quase irrisórios pelos seus exames clínicos, se comparados com os suportados pelos restantes utentes do Serviço Nacional de Saúde.
Concluo, assim, que se trata de mais uma medida que procura reequilibrar os sistemas. Bem sei que para quem perde regalias é muito desagradável, mas há que perceber que, sobretudo num período de “vacas magras” como este, todos os portugueses devem ser tratados de forma igual. Melhor seria se a tentativa de harmonizar os sistemas fosse feita de forma inversa, isto é, os utentes com menores regalias sociais, geralmente os que trabalham na actividade privada, passassem a usufruir das vantagens dos cidadãos empregados do Estado.
Infelizmente, tal não é possível e há que compreender o sentido de equilíbrio que esta decisão do governo pretende conferir.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

> O FASCÍNIO DO COMBOIO


A recente visita a Amarante de dirigentes de “Os Verdes” para defender a Linha do Tâmega recolocou na agenda actual este importante dossier.
Faço parte daquele grupo de portugueses que têm um carinho especial pelo caminho de ferro. Muitos amarantinos, de todas as idades, cresceram habituados a ver passar o comboio, um meio de transporte outrora importante na economia da região, mas também algo que criava em cada criança um certo misticismo.

Quem de nós, na tenra infância, não sonhava com a primeira viagem de comboio? Quem de nós não teve um dia como brinquedo uma velha máquina a vapor que nos fazia lembrar os filmes de cowboys que passavam na TV ainda a preto e branco?
Ainda hoje quando vejo passar o comboio, sobretudo as grandes composições que ainda atravessam o país, sinto uma emoção especial. O meu filho, um menino de cinco anos, curiosamente herdeiro de velhos hábitos do seu progenitor, não se cansa de me pedir para o levar a ver os comboios. Procuro corresponder e até já lhe proporcionei o seu baptismo de viajante em caminho de ferro, além de uma visita a um museu ferroviário, em Lousado, Famalicão, dois momentos vividos com enorme intensidade pelo pai e pelo filho, que jamais haveremos ambos de esquecer.
Infelizmente, para muitas crianças, principalmente as que moram em localidades onde já não passam comboios, esse meio de transporte não passa já de algo a que só acedem por via da TV ou do cinema.

Há décadas que o comboio foi perdendo importância, sobretudo à medida que foi sendo ultrapassado pelo automóvel e pelo autocarro. Muitos dirão que se tratou de uma evolução natural que conduziu o caminho-de-ferro à extinção em várias regiões do país.
Eu tenho uma opinião diferente. Penso que a decadência do comboio em Portugal se explica não só por razões de concorrência do automóvel, mas também devido ao desinvestimento crónico de que foi padecendo o caminho-de-ferro no nosso país.

Enquanto o Estado investia e bem na modernização da rede viária, um pouco por todo o território, o mesmo não se passava com as linhas-férreas e outras infra-estruturas de apoio, que durante décadas se mantiveram inalteráveis. Enquanto as estradas se foram tornando menos sinuosas, mais largas e com melhor piso, correspondendo ao número crescente de automóveis, a maioria das linhas preservavam as mesmas características, completamente obsoletas. Os traçados anacrónicos, como se vê no caso da Linha do Tâmega, são os mesmos do início do século passado, sinuosos, lentos e desconfortáveis. O material circulante manteve-se durante anos a fio, não acompanhando a evolução tecnológica que se foi fazendo também neste meio de transporte. As estações e apeadeiros também pararam no tempo. As viagens de comboio, que há cerca de um século eram rápidas e confortáveis se comparadas com as viagens feitas com automóveis ou camionetas de passageiros por esburacadas e serpenteantes estradas da época, tornaram-se demasiado lentas.
O comboio em Portugal, com excepção das áreas metropolitanas, não acompanhou a evolução e começou a definhar. As pessoas começaram a preferir as viagens em autocarros mais modernos e confortáveis, que percorriam as novas estradas, que entretanto foram sendo construídas. E o comboio foi morrendo aos poucos. Sem passageiros, o seu fim era inevitável, como ocorreu com o bonito troço da Linha do Tâmega entre Amarante e Arco de Baúlhe.
De Amarante à Livração ainda circula uma automotora, quase sempre com um número de passageiros insuficiente que justifique a sua existência. Fala-se que a CP quer acabar com essa ligação, o que se compreende devido à sua reduzida utilização.

Coloca-se hoje a questão de se justificar ou não criar condições para que a linha se mantenha em funcionamento, o que poderá ocorrer, eventualmente, se as câmaras de Amarante e Marco de Canaveses se interessarem pelo projecto, procurando potenciá-lo sob ponto de vista turístico. Seria interessante se tal viesse a ocorrer, mas receio que essa possibilidade não passe do papel, atendendo ao forte investimento que as duas autarquias poderiam ser obrigadas a suportar. Talvez uma parceria público-privada com investidores turísticos pudesse ajudar.
Quanto ao troço até Arco de Baúlhe, desactivado há muitos anos, que alguns, poucos, ainda acreditam poder um dia ser reactivado, creio que só a utopia, embora bem intencionada, poderá suportar tal pretensão. A única utilização se que vislumbraria para o troço seria de âmbito turístico, mas mesmo essa obrigaria a um enorme investimento para garantir as condições de circulação, atendendo à degradação quase completa da velha linha. Quanto à utilização comercial, essa estaria comprometida ao fracasso. Na zona de Basto vive cada vez menos gente e a que resta está hoje servida de estradas que lhe garantem um acesso mais rápido a Amarante e a outras cidades próximas.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

> A ANGÚSTIA DOS FOGOS

A angústia. O ministro da Administração Interna, António Costa, reconheceu no domingo as dificuldades do esquema de prevenção dos incêndios.
Estas declarações do governante, proferidas horas depois de terem sido anunciados os números negros dos incêndios do passado fim-de-semana, acabam por surpreender, sobretudo porque vieram de alguém que tem procurado transmitir para a opinião pública uma imagem de dinamismo e eficácia.
Não se interprete esta minha introdução como uma crítica à actuação do ministro na questão dos incêndios, a qual continuo a achar ser bem mais eficiente do que a de outros governantes no passado recente. António Costa é um ministro competente. É um homem rigoroso e exigente. Acontece, porém, que a questão dos incêndios não se resolve num ano, como se tem comprovado, apesar dos enormes progressos conseguidos recentemente, sobretudo ao nível do combate e da primeira intervenção. Pelo que me têm dito pessoas conhecedoras na área do combate aos fogos, os meios este ano estão mais coordenados e isso traduz-se numa mais rápida e eficaz intervenção, evitando que os fogos atinjam maiores proporções. Em Amarante essa tendência tem-se confirmado, como se observou no passado fim-de-semana, com centenas de bombeiros mobilizados no terreno.
Mas este esforço não é suficiente. Aqui como no resto do país, falta melhorar a componente da prevenção, justamente aquela que mais eficaz se pode tornar para obviar ao risco de incêndio sempre subjacente às cada vez mais altas temperaturas que se fazem sentir à passagem de cada Verão.
O ministro alertou, em bem, para o longo caminho a percorrer na limpeza das nossas florestas e para a falta de ordenamento florestal, que tantas vezes propicia a construção de habitações no meio das matas.
Mas António Costa também sabe que o problema é mais complexo. Não é preciso ser-se sociólogo ou economista para se perceber porque ardem hoje mais floresta do que no passado. O problema tem a ver com o modelo de desenvolvimento que o país adoptou há algumas décadas, que conduziu à desertificação do interior, onde ardem as maiores áreas de floresta. Não havendo ali gente a morar, não há quem cuide da manutenção das matas. Antigamente havia gente nas aldeias. Essas pessoas zelavam pela limpeza dos montes, porque dali tiravam o seu sustento. Dali tiravam a lenha para as suas lareiras e dali também tiravam os matos para melhor aconchegarem o seu gado, que dormia nas lojas das suas casas.
As pessoas habitavam no interior e eram elas, tantas vezes, as primeiras a mobilizar-se numa primeira intervenção. Hoje, no interior não mora quase ninguém. Ali ficaram apenas os velhos, que vêem agora as suas casas a serem engolidas pelas chamas.
As sucessivas medidas para esvaziar o interior de serviços públicos só estão a contribuir para acentuar a desertificação. As pessoas não querem morar onde não haja serviços de saúde qualidade com o mínimo de qualidade. Não querem morar onde os seus filhos têm de percorrer dezenas de quilómetros para frequentar a escola.
O combate aos fogos também se faz através do combate à desertificação. E aí, as políticas globais deste e de outros governos não estão isentos de responsabilidades.
Pouco significado terão um super ministro, de reconhecidas qualidades, e os muitos milhões de euros que todos os anos se gasta no combate musculado aos fogos.
A defesa da nossa floresta também se faz aumentando a fiscalização, colocando as forças policiais e os militares a patrulhar as zonas de maior risco. Mas também se impõe a punição exemplar dos que deitam fogo às nossas matas e o reforço do investimento em equipas de vigilância e de primeira intervenção.
O diagnóstico está feito há muito. As soluções também são consensualmente aceites e algumas já estarão em marcha. Tardam os resultados.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

> AMARANTE É CULTURA


A cidade e o concelho de Amarante distinguem-se pela positiva dos demais concelhos da região, quando se faz uma avaliação das actividades desenvolvidas por estas paragens.
Apesar da subjectividade desta afirmação, obviamente passível de contestação por outrem, assumo de forma convicta esta minha avaliação, fundada em dados objectivos que mais à frente comentarei.
Penso, por vezes, que muitos amarantinos não se dão conta da riqueza cultural da terra onde vivem ou nasceram.
Muitos saberão que esta é a terra de Pascoaes e Amadeo, mas outros, menos zelosos, apressar-se-ão a dizer que essas são figuras do passado e que agora, como já ouvi dizer algures, Amarante parou no tempo e já não terá o encanto de outras épocas.
Fico triste quando ouço essas afirmações... Amarante, no todo social, cultural e monumental, não merece isso.
Se é certo que nem tudo estará bem, devem os amarantinos atentar naquilo que os distingue na região. Não tenhamos vergonha de nos compararmos com terras mais ou menos próximas. Façamo-lo de peito aberto, na certeza de que não ficaremos mal na fotografia.
Haverá cidades por estas paragens, de idêntica dimensão, com tanta riqueza cultural? Tenho a certeza que não. Ora vejamos alguns indicadores que sustentarão esta minha afirmação. Que cidades próximas têm um grupo de teatro com a qualidade do T’Amaranto? Certamente poucas terão esse privilégio. Mas se ao teatro acrescentarmos a Orquestra do Norte, aqui sedeada e que abundantemente nos brinda com magníficos concertos? Esta é a única orquestra regional em toda a região e trabalha diariamente em Amarante, com executantes do que de melhor há no nosso país. E qual é a cidade da região que tem um museu como o nosso, recheado de um espólio tão rico e variado? Qual é a cidade da região que organiza concursos literários e de pintura como os dedicados a Teixeira de Pascoaes e Amadeo Souza-Cardoso, respectivamente? E já agora, qual é a cidade que tem uma biblioteca municipal a funcionar num antigo convento objecto de uma recuperação arquitectónica notável. Ou ainda, que terra próxima tem uma casa da cultura também albergada num antigo edifício recuperado com mestria e bom gosto?
Poderíamos aqui continuar a enunciar situações que afirmam Amarante como terra de cultura, também muito grata ao labor de associações de maior ou menor dimensão que promovem actividades culturais mais ou menos eruditas, com maior ou menor pendor tradicional. Estou a lembrar-me das duas bandas de música, de vários agrupamentos folclóricos, escolas de música, de dança e de outras artes. Ou ainda, porque o nosso passado também é cultura, que cidade das redondezas tem uma praça tão monumental e tão bem arranjada como a nossa, frente à Igreja de S. Gonçalo, paredes meias com uma ponte de rude granito, mas quase tão bela como o Tâmega que sob si serpenteia.
Então e as nossas festas de S. Gonçalo, tão apreciadas pelos forasteiros e tão fiéis às tradições dos nossos ancestrais, também não são cultura, a cultura genuína de um povo humilde e trabalhador? E passear nas margens do Tâmega, numa noite de Verão, enquanto conversamos com um amigo, degustamos um doce conventual e olhamos o Covelo, também não é cultura? Haverá nas redondezas um rio, ora rebelde, ora dócil, que esventra uma cidade em granito?
Alguns estarão a ler este escrito e achá-lo-ão até algo piroso, por estar, num bairrismo exacerbado, a idolatrar a terra de Amarante. Não me incomodam esses impropérios. Fico mais indignado quando ouço amarantinos a dizer mal da sua terra, só porque, pontualmente, não gostarão deste ou daquele político, desta ou daquela decisão, ou porque acham que a construção desenfreada em cimento armado, tão cara a cidades próximas, é sinónimo de desenvolvimento.
Bem sei que nem tudo está bem e que haverá aspectos a melhorar. Por exemplo, falta uma verdadeira sala de espectáculos.
Mas a insatisfação sadia é mote para, fazendo das fraquezas forças, potenciarmos esta Amarante tão rica.
Gosto de Amarante assim. É muito bela esta cidade com as suas ruas antigas estreitas e íngremes, este concelho plantado no sopé do Marão imponente.
Bem-haja aos que procuram, a cada dia, melhorar Amarante, promovendo acções que acariciam a alma da Princesa do Tâmega. Sim, as diferentes formas de cultura são um bálsamo para a alma dos mortais.
Façam, não vacilem. Apesar dos recursos serem parcos, continuem a dar-nos teatro, música de qualidade, ópera, exposições, animação de rua, concertos com artistas de qualidade, despiques de bombos, arruados de filarmónicas, cortejos etnográficos e muito, muito mais…
Dêem-nos condições para Amarante continuar a ser igual a si própria, honrando os vultos do passado, uma terra que se orgulha de ser especial.

domingo, 30 de julho de 2006

> O ERRO DE ISRAEL

O mundo assiste há semanas a mais uma guerra em directo pela televisão.
Mais uma vez é no Médio Oriente que ecoa o rosnar dos canhões e mísseis que matam diariamente dezenas de inocentes. Quando vejo crianças vítimas da guerra o meu coração estremece. Por vezes, prefiro desligar a televisão…
Os beligerantes - o Estado de Israel e o grupo extremista xiita Hezbollah - violam constantemente os direitos humanos, procurando fazer valer, pela força das armas, visões diametralmente opostas do mesmo problema.
Desta vez foi o rapto de um militar Israelita que rastilhou uma onda de violência sem fim à vista.
A questão do Médio Oriente é antiga e complexa, entroncando sobretudo em diferenças religiosas profundas, porque de ambos os lados – Judeu e Islâmico – vão prevalecendo as visões mais fundamentalistas.
Não vamos escalpelizar aqui como tudo começou, porque se o fizéssemos teríamos de recuar uns dois mil anos, ou talvez mais.
Numa visão, que admito ser demasiado simplista, a questão reside no facto de a população árabe não aceitar o Estado de Israel, cuja formação, nos anos 40, foi traçada a régua e esquadro, sem acautelar uma visão geoestratégica daquela complexa zona do globo.
O povo judeu, que respeito e admiro, tem direito a defender-se dos sucessivos actos terroristas perpetrados por grupos organizados como o Hezbollah e o Hamas, que matam israelitas inocentes.
Só que, como estado democrático que é suposto respeitar os direitos humanos, Israel fá-lo quase sempre de forma desproporcionada, como se tem visto na Palestina e no Sul do Líbano, deitando mãos a um poderio militar inusitado, sempre com o apoio dos Estados Unidos.
Não se admite que um Estado (Israel) ouse invadir outro, igualmente soberano (Líbano), supostamente para combater um grupo terrorista, e destrua importantes infra-estruturas desse país, que, em primeiríssima instância, só prejudicará a população civil inocente, hoje a braços com uma crise humanitária. Mais grave ainda, é a possibilidade desta intervenção poder desencadear a intervenção de outras potências regionais.
Muitos são na Europa, grupo onde me incluo, que defendem um caminho diferente para a resolução do problema. É pela via diplomática que se deve caminhar, simplesmente porque a intervenção militar, como se vê no Iraque, só gera violência e acentua ódios, fertilizando condições para o recrudescimento de organizações terroristas islâmicas um pouco por todo o mundo que se rege pelo Alcorão.
Será que Israel acredita que vai conseguir eliminar o Hezbollah com esta intervenção militar e assegurar a sua segurança interna? Se o faz estará a incorrer num erro estratégico profundo, tão grave quanto a invasão do Iraque perpetrada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, que só veio acicatar ódios religiosos e étnicos, descambando numa espiral de violência inédita naquele país.
No Líbano, como recorrentemente ocorre na Palestina, os bombardeamentos e os carros de combate matam inocentes e fragilizam uma sociedade encrostada de assimetrias sociais que se vão acentuar. O número de pobres vai crescer e estes constituirão alvo fácil para o recrutamento de organizações terroristas, incluindo fundamentalistas da Al-Qaeda, que explorarão os sentimentos de revolta entre os povos islâmicos.
Ao mesmo tempo fragilizou-se de forma profunda a jovem democracia libanesa, que terá dificuldades acrescidas para combater o terrorismo que grassa no seu próprio território. Não nos admiremos se o Hezbollah ganhar as próximas eleições naquele país, como aconteceu com o Hamas na Palestina. Depois, no mundo ocidental, vamos ficar todos espantados com o resultado e apressamo-nos a não dialogar com um governo controlado por uma organização extremista, mas ratificado pelo sufrágio popular? Como é que se vai sair disto? O que se passa na Palestina, onde falta, na óptica ocidental, um interlocutor válido, não era já um sinal preocupante?
Já é tempo de, após tantos erros cometidos, a comunidade internacional, sobretudo esta administração norte-americana e seus aliados britânicos, perceberem que os problemas naquela região não se resolvem pela via militar. Tanto mais que, a jusante, até ao Estados Unidos, internamente, poderão ser vítimas destas políticas, sabido que é o ódio que várias organizações terroristas espalhadas pelo um islâmico nutrem por aquela super potência, que consideram ser a principal aliada de Israel.
Desta crise internacional ressalta ainda a fragilidade da política externa da União Europeia. Mais uma vez, os europeus não têm sido capazes de ter uma só voz, dando uma imagem de fragilidade ao mundo, que enfraquece a sua força negocial e capacidade de influência neste e noutros conflitos.

terça-feira, 11 de julho de 2006

> SELECÇÃO - "No melhor pano cai a nódoa"

Será verdade?

Ouvi há instantes numa estação de rádio que a Federação Portuguesa de Futebol ponderava pedir isenção de IRS para os prémios dos jogadores relativos à participação na Campeonato do Mundo de Futebol na Alemanha.

O povo diz que, às vezes, “no melhor pano cai a nódoa”. É exactamente isto que se está a passar com esta patetice de pedir isenção de pagamento de impostos, logo numa altura em que o gastador Estado pede sacrifícios aos comuns dos mortais.

Depois de uma prestação muito meritória num campeonato que encheu todos os portugueses de orgulho, vêm agora os jogadores, por intermédio da FPF, pedir algo moralmente inadmissível.

Coitados das nossas "estrelas". Devem viver com dificuldades e os prémios chorudos que angariaram na Germânia devem ser fundamentais para fazer face a despesas de primeira necessidade…

Pensarão eles que os feitos desportivos na Alemanha lhes atribuirá o título de cidadãos de primeira, quase comparáveis a uma espécie de instituição de utilidade pública.
Então e os outros campeões europeus e mundiais deste país também têm isenção do IRS?

Será que o orgulho nacional que tanto invocavam os nossos valoroso craques no fim dos jogos e que tanto nos comovia não era assim tão profundo? Face a esta atitude, de um materialismo inusitado, começo a ficar desconfiado com tanto amor pátrio.

Só espero que o nosso Governo, sempre tão implacável para com os contribuintes ditos normais, não cometa agora o erro de sucumbir a um pedido inadmissível, que me apetece adjectivar de forma ainda mais dura.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

> EDITORIAL DE "O JORNAL DE AMARANTE", de 6 de Julho

Amarante perdeu!
A reunião do ministro da Saúde com o presidente da Câmara acabou por ditar aquilo que já se esperava: a “morte” anunciada da maternidade de Amarante.Correia de Campos foi intransigente na questão, de nada valendo os protestos dos amarantinos.
O governante informou Armindo Abreu que as urgências médico-cirúrgicas vão manter-se abertas entre as 8h00 e as 22h00 e que o hospital vai perder a sua autonomia, passando a funcionar de forma articulada com o de Penafiel. Foi também prometido que um estudo em curso à reorganização funcional do Hospital de Amarante poderá conduzir à realização de obras, potenciando a sua vocação para as cirurgias de ambulatório.
No meio de tantas promessas, apetece-me dizer que não há, de todo, razões para sorrir, tanto mais que a única garantia que há é a palavra do ministro, numa altura em que ser-se governante é algo cada vez mais efémero. Sobre a questão da maternidade, mantenho a opinião: acho que os nossos governantes andam a brincar com os nossos impostos. Como é possível gastar-se, há cerca de três anos, cerca de 700 mil euros para se renovar aquela valência e agora simplesmente decide-se fechá-la. Não sei de quem é a culpa, se dos responsáveis do anterior governo que decidiram fazer as obras sem analisar tecnicamente se a continuação da valência se justificava, se dos actuais governantes que, à revelia dos investimentos realizados, entenderam pôr termo à maternidade amarantina.
Como português que paga os seus impostos, sinto-me insultado com a flagrante falta de coerência nas políticas dos governos que se sucedem, que tantas vezes, de forma irresponsável, redunda em situações como esta. Quanto às urgências, mantenho que a decisão se justifica por exclusivas razões economicistas. É certo que, durante a noite, se estava a gastar muito dinheiro numa equipa de profissionais que atendia um número muito pequeno de doentes. Mas não menos certo, é que encaro esses encargos como custos sociais que a tutela tinha a obrigação de continuar a suportar, porque os poucos que ainda vivem nestas paragens do interior também têm direito a serviços de saúde que nos garantam alguma tranquilidade.
Sei que estas minhas palavras são uma espécie de “pregação aos peixes” numa sociedade cada vez mais resignada à frieza dos números. Eles, os poderosos da capital, não estão preocupados connosco, porque são atendidos com todos os cuidados, de preferência em clínicas privadas. Se vivessem em Rebordelo, em Salvador do Monte ou noutra qualquer freguesia “longínqua” teriam certamente uma opinião diferente, porque, confrontados com as estradas serpenteantes que por cá existem constatariam que a sua saúde e a da sua família poderia perigar com decisões políticas tão tecnocratas como as que têm vindo a ser tomadas.
Para um reformado idoso, oriundo das zonas mais afastadas do concelho, que se sinta indisposto a meio da noite, uma deslocação ao hospital de Penafiel poderá ser demasiado onerosa ou, nas situações mais graves, mesmo de ambulância, demasiado demorada, ao ponto de fazer perigar a sua vida. Já em relação aos anúncios de obras no hospital, apetece-me lembrar que “promessas leva-as o vento”. E as aragens daquelas bandas não são bonançosas.
Estou absolutamente descrente nesse cenário, porque irá contra a recorrente estratégia da tutela, que tem travado muitos investimentos que estavam prometidos em várias áreas. Receio que tenha sido apenas para calar os que por cá são mais crédulos nos ditames do statu quo.Há dias, um homem idoso, sentado à mesa do café, que ouvia na TV o anúncio do encerramento do Serviço de Atendimento Permanente de uma pequena vila do interior alentejano, comentava com o seu colega de mesa: “O melhor era entregar estas terras a Espanha e acabavam as dores cabeça dos tipos de Lisboa. Assim, quem quiser continuar português vai viver para o litoral, ou, por uma questão de masoquismo, fica na sua terra à espera de morrer”.
Este comentário, que tinha sido feito numa linguagem mais terra a terra do que a por mim aqui reproduzida, que incluía também alguns impropérios aos políticos, roça o exagero, mas não deixa de transparecer a sensibilidade popular de um povo lusitano de parca formação, mas suficientemente lúcido para perceber o que o rodeia.
Muitos idosos, estes de Amarante, também se manifestaram na vigília realizada na semana passada junto ao hospital. Viam-se lá muitas caras conhecidas, mas predominavam os ditos cidadãos anónimos, sobretudo os que, como o alentejano, têm dificuldades em aceitar que lhes seja retirado do hospital da sua terra um bem precioso: o direito à assistência na saúde.
O presidente da Câmara disse aos colegas de vereação que vai estar atento e pressionar o Ministério da Saúde no sentido de cumprir o prometido relativamente à reformulação do modelos funcional do hospital. Temos razões fortes para acreditar que Armindo Abreu terá uma legitimidade acrescida para o fazer, simplesmente porque a sua postura até hoje neste processo, nada dada a acções mais extremadas contra o despacho do ministro, deverá ser credora de uma acrescida capacidade de influência junto de Correia de Campos.
Armindo Mendes

sábado, 1 de julho de 2006

> CONCERTO DOS SANTOS E PECADORES (fotos: Armindo Mendes > direitos reservados)




> FELGUEIRAS MAIS PRÓXIMA DO PORTO EM AUTO-ESTRADA SEM PORTAGEM




Decorreu ontem à tarde, no limite dos concelhos de Paços de Ferreira e Lousada, a inauguração de mais um troço da A42 (antigo IC25).
Este troço liga em auto-estrada sem portagem a cidade de Paços de Ferreira à EN 106 (antigo nó de Ribas do IC 25). Faltam apenas poucos quilómetros para esta auto-estrada ligar com a A11, nas proximidades de Lousada.
Será então possível aos felgueirenses chegar ao nó de Lousada da A11 e virar em direcção à A41, que liga ao Porto, passando por Paços de Ferreira. A grande vantagem é que a A42 é uma SCUT, isto é, sem cuto para o utilizador, o que é optimo, tendo em conta os preços elevadíssimos praticados na A11 e na A4.
Face ao referido, foi pena que na cerimónia não tivessem estado presentes autarcas de Felgueiras, pontificando os presidentes de Paços, Lousada e Penafiel, além da governadora civil do Porto.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

> AMARANTINOS EM VIGÍLIA PELO HOSPITAL DE S. GONÇALO




Centenas de amarantinos concentraram-se nesta noite junto ao Hospital, numa vigília de protesto contra o anunciado encerramento do maternidade daquela unidade de saúde, determinada pelo Governo.
Foi um momento marcado por uma enorme consternação e até de alguma revolta.


domingo, 18 de junho de 2006

> PORTUGUESES A BANHOS (Editorial de "O Jornal de Amarante", de 15 de Junho)

Os economistas dizem que o nosso país está a atravessar uma das piores crises de que há memória.

Atrevo-me a escrever (a seguir vou explicar porquê) que haverá muitos portugueses que sentem menos a crise do que outros. Vem isto a propósito de umas já habituais curtas férias que fiz no Algarve por esta altura do ano, onde, para grande surpresa, encontrei, desta vez, uma enorme legião de turistas portugueses, a maioria, pelo que percebi, originários da Grande Lisboa.

É impressionante a quantidade de portugueses daquela zona do país que por lá andavam, facilmente identificáveis pelas matrículas dos seus automóveis, quase rivalizando, em número, com os “tradicionais” ingleses e alemães que habitualmente escolhem o Algarve para gozar umas prolongadíssimas férias, aproveitando o custo de vida desta região do país, para eles irrisório, mas para a maioria dos lusos, incluindo eu próprio, verdadeiramente astronómico, sobretudo na restauração, cujos preços são padronizados pelas carteiras rechonchudas dos estrangeiros.

A crise parece não ter chegado, portanto, a algumas regiões do país, sobretudo a Lisboa. Aproveitando o feriado de terça-feira (Santo António) e o de quinta-feira, os que habitam as paragens da capital e alguns de outras regiões não se fizeram rogados: meteram três pontes seguidas e lá foram eles em autêntica procissão. Permitam-me agora um parêntesis: quando fazia a viagem, em pleno Alentejo, fiquei impressionado com o tipo de viaturas que, na A2, me ultrapassavam muito para lá dos limites legais de velocidade. Esquecida a péssima educação de muitos senhores bem vestidos e senhoras com “fantásticos” penteados, que por terem um automóvel de alta gama se arrogam de pensar que podem passar por cima de tudo e de todos, inclusive da própria lei, prefiro partilhar com os leitores sobre a maioria dos automóveis que ia observando na auto-estrada. Eram em geral carros de gama média ou alta, principalmente desta, de matrículas recentes, o que só vai de encontro à minha teoria: há regiões do país, sobretudo na capital onde a crise é menos palpável, pelo menos para uns quantos.

Em Lisboa, região que conheço razoavelmente, dezenas de milhares de pessoas trabalham na máquina do Estado, nos inúmeros ministérios, secretarias de Estado, direcções gerais, institutos públicos, tribunais de várias instâncias, Banco de Portugal, Caixa Geral de Depósitos e empresas públicas. São sobretudo essas pessoas que engrossam uma classe média/alta, muito bem remunerada, que se dá ao luxo de passar ao lado da crise, diferenciando-se daqueles que, trabalhando no sector privado, inclusive muita mão-de-obra qualificada, enfrentam cada vez mais vencimentos emagrecidos e, como se tem visto, o espectro do desemprego. Os que têm um emprego bem remunerado na máquina do Estado fazem parte do nicho de pessoas ditas “bem na vida” e que, cada vez mais, se afastam de um outro grupo, mais numeroso, que pertence a uma classe menos favorecida, e que menos margem tinha para resistir uma crise cada vez mais cáustica (...).

Armindo Mendes

sexta-feira, 9 de junho de 2006

> MANTENHAM O CENTRO DE AMARANTE LIVRE DOS AUTOMÓVEIS (Editorial de "O Jornal de Amarante de 8 de Junho de 2006)


O presidente da Câmara defende nesta edição do JA que a autarquia irá respeitar o sentido geral da população amarantina, quando esta for chamada a pronunciar-se sobre as alterações no trânsito da cidade, recentemente aprovadas pelas duas forças da oposição (PSD e Amar Amarante”) no executivo, contrariando a orientação da força que governa o município.
Recorde-se que Armindo Abreu se opõe à abertura ao trânsito da rua 5 de Outubro e da praça da República, enquanto que a oposição sustenta a reabertura do centro histórico à circulação automóvel.
Os amarantinos vão em breve ser chamados a dizer qual das duas soluções preferem, no âmbito do período de consulta pública, que antecede a apreciação da matéria pela Assembleia Municipal.
Denotando um sentido democrático louvável, Armindo Abreu exorta os amarantinos a pronunciarem-se sobre a matéria, prometendo que irá respeitar o sentido geral da população, mesmo se esta preferir de forma clara a reabertura do trânsito.
Armindo Abreu revela desta forma que não será insensível ao veredicto dos amarantinos, rebatendo pela raiz o argumento daqueles que o acusam de ter um atitude prepotente e antidemocrática quando defende o encerramento ao trânsito como a melhor solução para Amarante.
Revejo-me na plenitude na posição do presidente sobre esta matéria. Seria um erro grosseiro reabrir a circulação automóvel na praça da República, que, bairrismos à parte, considero uma das praças mais bonitas do país. Esse recanto do nosso burgo perderia a actual pacatez, que lhe confere uma ambiência muito especial. O arranjo a que foi sujeita há alguns anos foi desenvolvido no pressuposto de que seria uma praça iminentemente pedonal. Injectar-lhe agora centenas de automóveis diários retirar-lhe-ia brilho e afastaria muitas pessoas que gostosamente a desfrutam em agradáveis caminhadas sobretudo nas noites de Verão.
Várias cidades portuguesas com centro histórico – destaco aqui os casos de Guimarães e Viana do Castelo – têm trabalhado no sentido de afastar os automóveis e a poluição por eles gerada dos principais recantos daqueles burgos, que hoje considero dos mais bonitos do país. São duas cidades com centros históricos muito vivos, com um comércio tradicional pujante, que só beneficiou de uma presença cada vez mais assídua de pessoas. Passear a pé nas ruas antigas de Guimarães ou Vizela, desprovidas do cheio a combustíveis e de poluição sonora, é um prazer enorme.
Amarante deve seguir esses exemplos, potenciando as suas magníficas condições. Se o fizer continuaremos a ver crianças a correr na praça, perante o olhar despreocupado dos pais.
Caso contrário, a beleza da praça será esventrada pelo roncar dos automóveis, que rapidamente passarão a estacionar de forma anárquica. A rua 5 de Outubro transformar-se-á num parque de estacionamento caótico. Os transeuntes terão, como acontecia no passado, de fazer autênticas gincanas para conseguir passar entre os automóveis abandonados pelos automobilistas com menor sentido cívico. Os turistas não deixarão de criticar os responsáveis pelo caos.
Amarante perderá encanto…

Armindo Mendes